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Tiago Rodrigues: “Eunice é sinónimo de teatro”

Escrito por em 15/04/2022

Eunice Muñoz “é sinónimo de teatro”, afirmou o ator, dramaturgo e encenador Tiago Rodrigues, numa reação à morte da atriz, ocorrida hoje de madrugada, em Lisboa, aos 93 anos.

“Muitas vezes lhe disse que deviam mudar os dicionários. Ela ria, generosa, jovem, sempre a mais jovem de todos nós”, escreve o autor de “By heart” numa mensagem publicada hoje, na sua página pessoal da rede social Facebook.

“Quando cheguei ao Teatro Nacional D. Maria II, [Eunice Muñoz] deu-me as boas-vindas e pediu que tomasse conta da ‘nossa casa’ que, sabemo-lo bem, será sempre a ‘sua casa'”, prossegue o ex-diretor artístico do Nacional D. Maria, que assumirá a direção do Festival de Avignon, em França, a partir de setembro.

“Ajudou-me, aconselhou-me, aceitou-me. Assentiu sempre aos desafios que lhe lancei ou aos pedidos de ajuda que lhe fiz”, prossegue o encenador, referindo-se aos anos em que esteve à frente da direção artística do Teatro Nacional (2015-2021), que acolheu a estreia de Eunice Muñoz, em 28 de novembro de 1941.

“Durante sete anos à frente da ‘sua casa’, pude sempre contar com ela. Da última vez que nos vimos, quando veio ver ‘O Cerejal’ [de Tchekhov], que apresentámos no D. Maria II, em dezembro, perguntou-me se tinha deixado a ‘nossa casa’ bem arrumada para o meu sucessor, desejou-me boa sorte para o futuro e garantiu-me que me faria uma visita em Avignon”, recorda Tiago Rodrigues.
“Em todos os nossos encontros, ensinou-me tanto e sempre com aquele ar de quem estava a aprender. Porque a Eunice sempre foi a mais jovem de todos nós”, assegura.

Tiago Rodrigues publica uma fotografia com alguns anos, tirada no exterior do teatro, quando Eunice Muñoz aceitou recitar Sophia de Mello Breyner Andresen, numa sessão especial, dedicada à data.

Trata-se de uma imagem de grupo, na qual se identificam vários jovens atores, além de Tiago Rodrigues e do comediante Bruno Nogueira, em redor de Eunice Muñoz, a sorrir, com um cravo vermelho na mão e um livro de Sophia.

“Basta olhar para esta foto, quando aceitou o meu convite para ler Sophia nas celebrações do 25 de Abril. Quem é, quem será sempre, a miúda desta fotografia, o talento enorme que ainda nos vai surpreender, o jovem vendaval?”, conclui Tiago Rodrigues, na sua mensagem, numa referência à peça com que atriz se estreou, aos 13 anos, em novembro de 1941, no palco do D. Maria, na peça “Vendaval”, de Virgínia Vitorino.

Alicerce do teatro português e eixo da nossa história – Pedro Penim

Eunice Muñoz será, “para sempre, alicerce do teatro português” e “eixo da nossa história contemporânea”, escreveu o diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Pedro Penim, em reação à morte da atriz, ocorrida hoje, em Lisboa, aos 93 anos.

“Em 1993, tinha eu 18 anos, ouvi a voz da Eunice no palco do antigo Teatro Aberto. Estava sentado na plateia a assistir a um espetáculo extraordinário, ‘O Tempo e o Quarto’, de Botho Strauss, dirigido por João Lourenço. No centro de cena, marcando o cenário, como que sustentando todo o teatro, estava uma coluna. De dentro dessa coluna, saía a voz da Eunice”, recorda Pedro Penim, numa declaração publicada na sua página no Facebook, reconhecendo na atriz a capacidade de alicerçar o próprio teatro em Portugal.

“Na minha cabeça esta imagem nunca mais se iria descolar de como olho para Eunice. E foi na primeira coisa que pensei quando hoje acordei com a tristíssima notícia do seu desaparecimento”.

“Eunice é de facto a coluna, sustentáculo de uma carga estrutural imensa e maravilhosa que é o teatro português, parecendo ora demasiado esbelta no seu prumo para tanto peso, ora robustíssima e capaz de ser base, fuste e capitel desta herança”, escreve Penim.

O diretor artístico do Teatro D. Maria II recorda ainda como a atriz se estreou nesta sala, aos 13 anos, no dia 28 de novembro de 1941, na peça “Vendaval”, de Virgínia Vitorino. “Em novembro passado, 80 anos depois dessa data, tivemos o privilégio de voltar a recebê-la e homenageá-la”.

“Era sempre especial para o teatro receber a Dona Eunice, esperar que ocupasse o seu camarim. Foi lá que a vi pela última vez, feliz, recebendo os seus convidados, sorrindo para todos, confortando-nos com a sua existência basilar”, lembra Pedro Penim.

“Quando Eunice vinha ao Dona Maria, havia um rumor jubilante no ar, os trabalhadores estremeciam, o teatro zunia, os dourados trepidavam. Porque Eunice é a coluna. Para sempre alicerce do teatro português, para sempre eixo da nossa história contemporânea”, conclui o diretor artístico deste teatro nacional.

Atriz Fernanda Montenegro saúda “arte de uma grande intérprete”

A atriz brasileira Fernanda Montenegro destacou hoje, em Eunice Muñoz, “a arte de uma grande intérprete”, numa mensagem em vídeo publicada na rede social Facebook em reação à morte da atriz portuguesa, hoje, em Lisboa.

“Eunice Muñoz, saúdo você e o seu ofício de atriz, o dom de carnificar uma dramaturgia escrita”, afirma a atriz e escritora, que assumiu, no final de março, o seu lugar na Academia Brasileira de Letras.

Emocionada, Fernanda Montenegro explica como “a dramaturgia escrita tem de vir para a verticalidade do palco”, para que as personagens se exponham de facto, perante a plateia, o público, e quanto desse processo e do seu humanismo tem de estar presente “na arte de uma grande intérprete” como Eunice Muñoz.

“Isto faz do seu corpo, da sua sensibilidade, da sua alma, um instrumento místico, Eunice, transcendente, que visa, sem trégua, alcançar, através da sua profissão, o que de melhor, como plateia, podemos atingir como criaturas humanas, como seres humanos. É o humanismo através da arte de uma grande intérprete, você, querida Eunice”, afirma Fernanda Montenegro.

Na mensagem, a atriz brasileira celebra a vida da atriz portuguesa. Jamais a palavra morte é pronunciada, tão pouco alude ao desaparecimento de Eunice Muñoz. Pelo contrário, dirige-se a ela diretamente, celebrando a sua vida.

“Portanto viva seu coração batendo, viva sua criatividade indestrutível, viva o seu fôlego, viva a sua eterna inteligência cénica!”, afirma Fernanda Montenegro. Numa conclusão emocionada de gratidão à atriz portuguesa, a atriz brasileira acrescenta: “Bendita, para sempre, para sempre seja a sua arte, bendita seja, para sempre, querida amiga, querida, atriz, você e você. Muito obrigada.”

Fernanda Montenegro, de 92 anos, ficou conhecida em Portugal através de telenovelas como “Baila Comigo” e “Guerra dos Sexos”, mas soma uma carreira de mais de 70 anos no teatro e no cinema, tendo interpretado as principais dramaturgias, num percurso paralelo ao de Eunice Muñoz, em Portugal, e com uma importância similar, na cultura brasileira.

Intérprete de dramaturgos como Harold Pinter, Samuel Beckett, Luigi Pirandello, Reiner Werner Fassbinder, Millôr Fernandes e Augusto Boal, Fernanda Montenegro esteve nomeada para o Óscar de Melhor Atriz, em 1999, pelo desempenho no filme “Central do Brasil”, de Walter Salles. Em novembro passado, foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, sem oposição, juntando-se aos “imortais” da instituição.

A atriz do instinto genial que leva consigo muito da nossa vida – La Féria

Eunice Muñoz entregou “o seu instinto genial” e “incomparável talento” a atores e público, levando assim, com ela, “muito da nossa vida”, disse o encenador Filipe La Féria, numa reação à morte da atriz, enviada à Lusa.

“Hoje o pano de boca do Teatro desceu e as luzes apagaram-se. Fedra, Sarah Bernhardt, a Mãe Coragem, a Dama das Camélias agradeceram os aplausos e desapareceram no labirinto dos corredores dos camarins”, escreve Filipe La Féria, numa mensagem de reação, enumerando algumas das suas mais importantes personagens, interpretadas em 80 anos de carreira.

Eunice Muñoz morreu hoje, no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, aos 93 anos. “Muito da nossa vida Eunice levou com ela. A todos os atores e ao público de várias gerações, deixou o seu instinto genial, a sua alma e o seu incomparável talento. Ela leva consigo muito dos mais belos e emocionantes momentos das nossas vidas. Os seus olhos de deusa, a sua voz, o seu tão doce coração, o seu talento de fogo, a inteligência e sensibilidade de grande atriz”, escreve o encenador que a dirigiu em “Passa por mim no Rossio”, em 1991.

Pioneiro do teatro independente em Portugal, com a Casa da Comédia, que dirigiu durante 16 anos, Filipe La Féria trabalhou com companhias como a Rey Colaço-Robles Monteiro, o Teatro Estúdio de Lisboa e o Teatro da Cornucópia, tendo ficado conhecido por produções como “Maldita Cocaína”, “Amália” e “Passa por mim no Rossio”.

Além deste musical, que esteve no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, e tinha em Eunice Muñoz uma das protagonistas, Filipe La Féria dirigiu-a igualmente em “A casa do lago”, de Ernest Thompson, em 2002, numa adaptação da peça celebrizada no cinema por Henry Fonda e Katharine Hepburn, com o realizador Mark Rydell.

Trinta anos mais cedo, em 1972, Eunice Muñoz e Filipe La Féria contracenaram em “As Criadas”, de Jean Genet, uma tradução de Luiza Neto Jorge, posta em cena no Teatro Experimental de Cascais, pelo encenador argentino Victor Garcia, com assistência de La Féria e Nuria Espert, hoje considerada “a grande dama” do teatro espanhol.

“Eunice nasceu de uma família de atores que deambulavam de terra em terra, num teatro desmontável pelas aldeias e vilas do Alentejo. Quando via o seu avô representar personagens dramáticas, a pequena Eunice assustava-se e fugia pelos campos. A sua mãe, Mimi Muñoz, tinha a sua Companhia de Teatro [Troupe Carmo], que já vinha dos seus avós”, recorda hoje La Féria.

O encenador acrescenta que “Eunice nasceu no palco e o palco seria o seu irrevogável destino”. “A ele deu inteira a sua vida, a alma, o corpo, sempre arriscando e renovando-se em casa personagem que criava. Eunice tinha dentro de si vários heterónimos e uma sensibilidade que a fazia compreender os mistérios insondáveis do ser humano”, refere.

La Féria despede-se da amiga com um “obrigado” e um “até já”, descrevendo-a como “alegre, cómica, triste, filha ideal da Tragédia” – Eunice Muñoz, diz, “guardava no seu grande coração a estrela imortal do Teatro”.

Encenador Carlos Avilez diz que atriz era “o próprio do teatro”

O encenador e diretor do Teatro Experimental de Cascais (TEC), Carlos Avilez, considerou hoje Eunice Muñoz uma “enorme atriz, uma mulher extraordinária e o próprio do teatro”, dizendo que a cultura está de luto com a sua morte.

“É muito complicado para mim falar sobre ela porque era uma grande amiga, uma enorme atriz, uma mulher extraordinária e um exemplo”, disse à Lusa. Eunice Muñoz morreu hoje, no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, aos 93 anos, disse à Lusa o filho da atriz.

Nascida na Amareleja, no distrito de Beja, em 1928, Eunice Muñoz completou em novembro 80 anos de carreira. Carlos Avilez, que a dirigiu em muitas peças emblemáticas, tanto no TEC como no D. Maria II, de que também foi diretor artístico, assumiu que trabalhar com Eunice Muñoz foi das “coisas mais bonitas”.

Por exemplo, no TEC, em 1972, Avilez dirigiu-a em peças como “As Criadas”, de Jean Genet, cujo assistente de encenação foi Filipe La Féria. Foi também na companhia de Avilez que fez uma digressão por África com peças como “Fedra”, de Jean Racine, ou “A Maluquinha de Arroios”, de André Brun.

Dizendo que quando se fala em teatro se fala em Eunice Muñoz, o encenador classificou-a como o “próprio do teatro”, assumindo ter por ela uma “grande admiração e enorme amizade”. “Portanto, o teatro está de luto. Acho bonito que o Governo tenha decretado luto nacional porque ela merece”, referiu. Falando num dia “muito triste”, o diretor artístico do TEC considerou que a cultura “está de luto” porque Eunice era uma “mulher, de facto, muito especial”.

“O seu nome ecoa em cada espaço” do Teatro Nacional D. Maria II

O nome de Eunice Muñoz “ecoa em cada espaço” do Teatro Nacional D. Maria II, escreve a instituição que acolheu a estreia da atriz, há 80 anos, numa longa mensagem publicada na página oficial da rede social Facebook.

“As palavras que não queríamos escrever. O dia que não queríamos que chegasse. Eunice Muñoz partiu. Hoje é o dia zero. Porque há um antes e um depois de Eunice, não só no Teatro Nacional D. Maria II, como também no teatro português”, prossegue a mensagem, acompanhada de várias fotografias da atriz, no papel de diferentes personagens, no palco da instituição.

Na página do teatro que criou uma rede com o seu nome – Rede Eunice – para levar a sua programação às mais afastadas e distintas cidades do país, Eunice Muñoz regressa de novo como em algumas das suas principais personagens, como Zerlina, de Hermann Broch, Fedra, de Racine, Mãe Coragem, de Brecht, e como Eunice Muñoz, ela mesma, aplaudida no final de “Passa por Mim no Rossio”, o musical de que foi uma das principais intérpretes, exatamente no D. Maria, em 1991.

“Eunice Muñoz tinha apenas 13 anos quando pisou, pela primeira vez, o palco do Rossio”, recorda o teatro. “Mas, incrivelmente, a sua carreira já havia começado anos antes quando aos cinco anos começa a encarar o público na pequena companhia teatral ambulante da sua família, Troupe Carmo, da qual faziam também parte os seus avós e as suas tias. Na sua participação, costumava cantar alguns êxitos dos anos 30”.

“Alguns anos mais tarde, em 1941, acontece o momento que marca a vida profissional de Eunice Muñoz e que dá início à impressionante contagem dos seus 80 anos de carreira: consegue o primeiro papel no teatro profissional e estreia-se a 28 de novembro desse ano, em ‘Vendaval’, de Virgínia Vitorino, com encenação de Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro, na maior e mais prestigiada companhia daqueles tempos”, destaca o D. Maria.

Segundo o teatro nacional, “começava, a partir desse momento, uma das mais intensas e prolíficas carreiras da história do teatro português. No teatro, no cinema e também na televisão, do drama à comédia, Eunice Muñoz deu vida a dezenas de personagens, foi dirigida e contracenou com todos os grandes nomes, pisou os principais palcos de teatro, foi reconhecida pelos seus pares, aclamada pelo público, premiada com inúmeros galardões e agraciada com as mais altas distinções”.

“Oitenta anos de carreira não cabem em palavras. No Teatro Nacional D. Maria II, o seu nome ecoa em cada espaço. Eunice Muñoz deixa uma miríade de memórias. Hoje, relembramos com especial emoção o dia 28 de novembro passado, em que se assinalaram os 80 anos da sua carreira, e em que se despediu dos palcos, acompanhada da sua neta Lídia Muñoz”, lê-se na mensagem, sobre o seu desempenho em a “A margem do tempo”, do alemão Franz Xaver Kroetz, o derradeiro trabalho da atriz em palco.

Eunice Muñoz, que também deixa o seu legado “através de iniciativas como a Rede Eunice Ageas, projeto de digressão nacional que ‘amadrinhou'”, para que o teatro chegue “a locais onde a sua oferta é escassa ou irregular (…), deixa-nos o seu tempo, o exemplo da sua vida e o seu talento, que é já farol para as futuras gerações de artistas”, prossegue o Nacional.

“Hoje é o dia zero. Amanhã, continuamos seguindo inspirados por ela, um dos nomes maiores do nosso teatro, da nossa história. Eunice Muñoz”, conclui a mensagem do Teatro D. Maria, que tem no encenador e dramaturgo Francisco Penin, o seu diretor artístico.

Encenador João Mota lembra a atriz como “uma luz”

O ator e encenador João Mota lembrou hoje Eunice Muñoz como “uma luz”, uma “pessoa genial como há poucas no mundo” e salientou que a morte da atriz “não é só uma perda para a Cultura”.

“Morreu a Eunice. Pronto. A importância grande é que perdemos a Eunice. Vai além da cultura. A gente vê só o lado de atriz, mas além do talento que aquela mulher tinha é a ternura, a alma que ela tinha”, reagiu o encenador à morte de Eunice Muñoz, em declarações à Lusa.

Eunice Muñoz morreu hoje, no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, segundo o filho da atriz, tendo completado em novembro 80 anos de carreira. Para João Mota, “a Eunice era mais do que tudo, era uma luz, uma pessoa genial, há poucas pessoas assim na vida artística, que cheguem a esse lado onde ela chegou”.

“Ela entrava em cena e era de uma autenticidade e de uma transparência que ultrapassava tudo. Ela estava calada durante 10 minutos e a gente não conseguia atirar os olhos dela, ela não fazia caretas, nada. Eram só os olhos”, descreveu.

“A maior atriz portuguesa de todos os tempos” – Diogo Infante

O diretor artístico do Teatro da Trindade, Diogo Infante, considerou hoje Eunice Muñoz a “maior atriz portuguesa de todos os tempos”, manifestando-se “desolado” com a sua morte hoje aos 93 anos.

“O seu lugar há muito que está reservado nos anais da história. A maior atriz portuguesa de todos os tempos”, salientou o ator, num texto publicado na rede social Facebook. Diogo Infante considerou ainda que, “verdadeiramente, a Eunice [Muñoz] não partiu, porque é eterna” e salientou o “enorme privilégio de ter feito parte” da sua vida.

Ministro da Cultura destaca “enorme aplauso” dos portugueses à atriz

O ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, destacou hoje a relação próxima e íntima dos portugueses com a atriz Eunice Muñoz e o “enorme aplauso” que recebeu em vida e será mantido, lamentando com consternação a sua morte.

“Neste momento devemos-lhe o mesmo aplauso que sempre lhe oferecemos, um aplauso de certa forma eterno”, declarou o ministro à agência Lusa, comentando a morte hoje da atriz, aos 93 anos.

“Foi um privilégio para Portugal e para os portugueses ter uma atriz como Eunice Muñoz. Tinha um talento quase natural e um dom único para a representação e, por isso mesmo, para nós todos, a vida da Eunice Muñoz confunde-se com os palcos e com o teatro, é uma espécie de relação íntima que todos fomos desenvolvendo com a mulher doce e afável”, disse o governante.

Pedro Adão e Silva destacou o facto de, para os portugueses, Eunice Muñoz ser “uma verdadeira senhora do teatro” e considerou como um facto poder-se reconhecer neste momento que, “felizmente, todo o país, de formas distintas”, soube reconhecer a atriz em vida.

O ministro destacou também a carreira longa e de enorme proximidade e de intimidade da atriz: “É como se todos a conhecessem e talvez essa seja também uma marca distintiva. Não é só o dom que tinha de facto e o talento como atriz, é também essa proximidade e essa intimidade”.

Essa intimidade, explicou o governante, tem a ver com o facto de a carreira ter sido “muito longa e muito versátil”, com grande presença nos palcos e também na televisão, criando uma relação próxima com os portugueses.

“Era como se todos a conhecessem. E é também isso que lhe deu sempre um enorme aplauso em vida e que neste momento cria também esta consternação e a continuação desse aplauso”, concluiu o ministro da Cultura.


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