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Clothilde quer lançar álbum com paisagens melódicas da Culatra

Escrito por em 15/04/2022

Recriar as sonoridades da ilha da Culatra, em Faro, através de máquinas, para depois moldá-las em paisagens melódicas é o ponto de partida para o álbum que a compositora Clothilde quer lançar ainda este ano.

Sofia Mestre, que na cena musical responde pelo nome de Clothilde, esteve em residência artística naquela ilha da Ria Formosa, onde, com a ajuda de máquinas e sintetizadores modulares, recriou e reproduziu o ambiente que a envolveu durante a estadia.

“É como um maestro de uma orquestra que está sozinho a tocar todos os instrumentos e a comandar a orquestra”, explicou, enquanto mostrava aos jornalistas uma composição com sons que incluíam o chilrear de pássaros, a chuva, o vento, o mar ou mesmo habitantes da ilha a jogar dados.

A residência artística na ilha da Culatra, a convite do Teatro das Figuras, é o ponto de partida para um novo álbum, que Sofia Mestre gostaria que fosse lançado como uma espécie de ‘fanzine’, com desenhos, ilustrações ou fotografias.

O equipamento que permite fazer a experimentação modular de frequências – onde são feitas as composições melódicas – é concebido pelo seu companheiro Zé Diogo, um autodidata que constrói a maquinaria repleta de circuitos organizados de cabos, botões e pequenos teclados.

“Nos sequenciadores modulares não há predefinições, os módulos têm de ser todos interligados para tocar todos estes elementos. As opções são ilimitadas”, explica a compositora, mostrando um caderno onde desenha um mapa das ligações de cada peça e que funciona uma pauta.

Antes de se dedicar à composição de música eletrónica, Sofia Mestre trabalhava na área do cinema e publicidade em Espanha, mas foi através de o desafio de uma amiga, a ativista cultural Sonja que, aos 40 anos, começou a compor.

“É [um processo] megaorgânico, tens de deixar que as máquinas te toquem a ti e não o contrário. Há uma simbiose entre mim e a máquina que faz com que isto seja como uma viagem, uma viagem boa”, descreve.

Nos seus concertos, em que toca de costas para o público, para que se possa ver a parafernália de ligações que manuseia para criar sons em tempo real, não são projetadas imagens, pois Clothilde prefere não condicionar as imagens que cada um cria com a sua música.

A compositora, que toca há seis anos, assume-se como “muito cinematográfica”, comparando as suas composições a bandas sonoras. O álbum de estreia de Clothilde, “Twitcher”, foi lançado pela Labareda em 2018. Em 2020, compôs as bandas sonoras das peças de teatro “A importância de ser Alan Turing”, de Miguel Bonneville, e “Os princípios do novo homem”, de Pedro Saveedra.

Para o diretor do Teatro das Figuras, Gil Silva, o som de Clothilde é “uma viagem”, razão por que se relaciona muito bem como o espaço e a natureza da ilha da Culatra, para onde estão previstas novas residências artísticas apoiadas pelo Teatro.

“Queremos manter as residências artísticas neste espaço, pois tem as condições ideais para a criação”, referiu, sublinhando que a ideia é criar, no próximo ano, um espetáculo com o resultado da residência artística de Clothilde.


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