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Festival de Poesia de Foz Côa homenageia Maria Teresa Horta

Escrito por em 11/04/2022

O Festival de Poesia e Música, o mais antigo evento literário do país, regressa a Foz Côa, de 21 a 23 de abril, para homenagear a escritora Maria Teresa Horta, depois de dois anos de interregno.

“Há dois anos que estava decidido que o tema seria a arte contra a violência. Quiseram os homens que ganhasse outros contornos de atualidade em 2022. Após uma pausa forçada de dois anos devido à pandemia, está de regresso o Festival de Poesia e Música de Vila Nova de Foz Côa o mais antigo evento literário do país, que nesta edição vai homenagear Maria Teresa Horta”, disse ao jornalista Francisco Pinto, da Lusa, o diretor e programador do festival, Jorge Maximino.

De quinta-feira até sábado, a cidade de Vila de Nova Foz Côa, no distrito de Guarda, acolhe poesia, música, a palavra e a arte nas suas mais variadas vertentes. “Os espaços e as ruas vão ser palco de uma ode contra a violência. O programa é vasto, inclui encontros com escritores, conferências, debates, música, ‘performances’ poéticas, apresentação de livros e uma feira do livro”, indicou o diretor do festival.

A entrada é livre e está previsto um ‘streaming’ com a homenageada, segundo o programa, numa sessão que lhe é dedicada, no dia da abertura, “Maria Teresa Horta e as Poéticas da Transgressão”.

Na edição deste ano, os destaques vão exatamente para este “Colóquio-homenagem”, que conta com a participação de autores como Fernando Pinto Amaral, Maria Estela Guedes, Raquel Patriarca, Teresa Carvalho e José Augusto Maximino.

Maria Teresa Horta, a autora de “Minha Senhora de Mim”, tem em “Paixão” o seu último livro de originais, publicado em 2021, dois anos após o aparecimento da grande coletânea da sua obra poética “Eu sou a minha Poesia”.

A homenagem acontece quando se assinalam igualmente os 50 anos das “Novas Cartas Portuguesas”, de que Maria Teresa Horta é uma das autoras – uma das “Três Marias” – com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, que desafiaram a autoridade da ditadura, pondo em causa a guerra colonial, o sistema judicial, a emigração, a violência e a situação das mulheres na sociedade.

Proibida pela censura, destruída pelas forças do regime, sujeitas as autoras a um julgamento a que só o 25 de Abril pôs termo, confirmando o livro como expressão literária e de arte poética, a obra e as suas autoras foram aclamadas no estrangeiro, sendo alvo de manifestações de apoio na Europa e nos Estados Unidos.

O Festival de Poesia e Música coloca assim em foco a obra poética de Maria Teresa Horta. A poesia estará presente ao longo dos três dias, destacando-se os espetáculos “20 Dizer Recados” e “Facas na Língua”.

O programa conta ainda com MAZE, num concerto de rap com o convidado especial Francesco Valente, que encerra a noite do último dia. “Esse exercício da palavra, particularmente da palavra poética com a música, mostra-se como antídoto à violência, como expressão da arte e de resistência a todas as formas de violência, a começar pela violência física, pelas guerras”, refere Jorge Maximino.

O presidente da câmara de Vila Nova de Foz Côa, João Paulo Sousa, disse que, apesar de ser um festival de poesia, a iniciativa tem sempre uma área temática e este ano o tema escolhido é um grito contra a violência.

“A violência é tema bastante atual com a questão da guerra na Ucrânia”, vincou o autarca. De acordo com os programadores do Festival de Poesia, a iniciativa mantém a sua vertente pedagógica, propondo encontros e debates com os escritores dedicados aos mais novos.

“Estas sessões, que são uma marca distintiva e angariadora do público jovem, decorrem em simultâneo com estudantes e professores, têm lugar no primeiro e segundo dia do evento, e envolvem alunos do 1.º ciclo ao ensino secundário”, vincaram.

Carlos Nuno Granja, Raquel Patriarca, Álvaro Leonardo, Rui Spranger, João Rasteiro, Maria Estela Guedes e Minês Castanheira são os escritores que participam nestes encontros dirigidos aos estudantes.

O espetáculo “20 Dizer Recados” encerra o primeiro dia do festival. O Trigo Limpo Teatro ACERT explora o formato artístico que associa a declamação de poesia à música, com José Rui Martins e Luísa Vieira.

Na sexta-feira, segundo dia do festival, repetem-se os encontros com escritores, logo pela manhã, mas o destaque vai para a presença do músico MAZE (Dealema) que, vai conversar com estudantes e professores na escola de Vila Nova de Foz Côa, como forma diferente de despertar para a leitura da poesia.

O dia segue com diversas iniciativas, entre as quais leitura de poemas e conferências no âmbito do tema “A arte contra a violência”. Mais perto do final do dia, o Cais Fluvial do Pocinho é palco de “Leituras Instáveis”, em que poetas e atores brindam os participantes com leituras improvisadas.

No último dia do festival, sábado, o destaque vai para o ciclo de conferâncias “Arte contra a Violência”, para a apresentação de livros durante a manhã, e para o debate sobre como “Editar poesia hoje. Desafios e perspetivas”.

O festival encerra com o espetáculo “Facas na Língua” (Poesia dos séculos XX –XXI) com Rui Spranger, logo seguido do concerto de MAZE com a participação de Francesco Valente.


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