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Rui Chafes e Nuno Brandão Costa vencem Prémios AICA 2021

Escrito por em 08/04/2022

O escultor Rui Chafes e o arquiteto Nuno Brandão Costa foram distinguidos, por unanimidade, com os prémios da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), para artes visuais e arquitetura, relativos a 2021, anunciou hoje esta entidade.

Atribuídos em parceria com o Ministério da Cultura e a Fundação Millennium bcp, o Prémio AICA/MC/Millennium bcp 2021, no valor de 10.000 euros para cada modalidade, foi atribuído na sequência da apreciação de um júri independente, nomeado pela associação.

O Prémio AICA de Artes Visuais foi atribuído a Rui Chafes, pela exposição individual “Nada Existe”, realizada na Galeria Filomena Soares, em Lisboa, em 2021.

O Prémio AICA de Arquitectura foi atribuído a Nuno Brandão Costa, pela obra do Terminal Intermodal de Campanhã, no Porto, cujos edifícios foram concluídos em 2021.

Composto por Luísa Soares de Oliveira, Paulo Pires do Vale e Inês Lobo e Rui Mendes, o júri dos Prémios AICA/MC/Millenium bcp foi presidido por Catarina Rosendo, como indica comunicado da AICA.

Sobre o prémio para as artes visuais, o júri assinala que a exposição “Nada Existe”, de Rui Chafes, “dá continuidade a um trabalho de excelência iniciado no final da década de 1980” e que “as obras apresentadas, produzidas entre 2020 e 2021, foram por si definidas como ‘fragmentos e negras flores de espuma nascidas neste nosso tempo de devastação'”.

No seu conjunto, “a exposição demonstra a capacidade do artista de renovar a sua linguagem através da criação de peças que, sem abdicar das grandes linhas conceptuais que têm norteado o seu trabalho e recorrendo à tradição escultórica medieval e gótica, se ancoram em novos processos técnicos e radicam, em última análise, no diálogo estabelecido desde 2018 com a obra do escultor suíço Alberto Giacometti”.

“As suas obras operam sobre os sentidos criados pelo diálogo entre a ausência e a presença, o peso da matéria e a leveza do ar, a forma fechada e o que ela encerra, através do ferro moldado, soldado, dominado pelo fogo, e pintado, por fim, de negro mate, sempre na busca de, como disse em 2007, ‘mostrar ou pressentir algo que não está aqui'”, adianta a AICA, em comunicado.

Quanto ao premiado em arquitetura, o júri recorda que Nuno Brandão Costa concluiu, em 2021, a parte referente aos edifícios do Terminal Intermodal de Campanhã, cujo concurso público havia vencido em 2017, encontrando-se os espaços exteriores em fase de finalização.

“A obra confirma o percurso de excelência do autor e constitui um marco assinalável na arquitetura portuguesa atual, pelo modo como privilegia os novos sistemas de mobilidade urbana e a consequente regeneração de uma área da cidade afetada, desde o século XIX, pela construção da estrutura ferroviária ainda existente e em funcionamento”, assinala.

Para o júri, “trata-se de um dos mais relevantes projetos públicos em curso no Porto, articulando de forma exemplar infraestrutura, topografia e espaço público numa cidade que vai de novo ao encontro do território para a introdução dos sistemas naturais no seu desenho”.

Os Prémios AICA têm reconhecido, desde 1981, artistas e arquitectos portugueses que, pelo seu trabalho e percurso pessoal, realizem uma “contribuição de excelência para a cultura e a arte”, e que, desde o início, “tem contado com o apoio da área governativa da Cultura”, lembra a mesma nota da associação.

Nascido em 1966, o escultor Rui Chafes formou-se pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, em 1989, tendo depois estudado com Gerhard Merz, na Künstakademie de Dusseldorf, Alemanha, entre 1990 e 1992.

Para além da escultura, o artista desenvolve também a prática de desenho, e é autor de reflexão teórica publicada em obras como “Entre o Céu e a Terra” (2012), tendo ainda traduzido e editado obras seminais do romantismo alemão. Do seu longo percurso expositivo, destacam-se as Representações Oficiais Portuguesas às Bienais de Veneza, em 1995, e de São Paulo, em 2013.

Expôs também no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em 2014, e em instituições estrangeiras, em cidades de diferentes países, como Ghent, Essen, Copenhaga, Roma e Rio de Janeiro, além de ter realizado, em 2018, uma exposição “em diálogo” com Alberto Giacometti, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris. Foi galardoado em 2015 com o Prémio Pessoa, e, em 2004, o Prémio de Escultura Robert Jacobsen.

Por seu turno, o arquiteto Nuno Brandão Costa, nascido no Porto, em 1970, é formado pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), no ano de 1994, e doutorado pela mesma faculdade, em 2013.

Professor na FAUP e conferencista convidado em diversas universidades europeias e americanas, foi distinguido, em 2008, com o Prémio Secil, em 2012, com o Swiss Award, e, em 2017, com o Prémio FAD, atribuído pela associação espanhola Arquinfad.

Nos últimos anos tem publicado um conjunto de livros sobre o seu trabalho, como “Porosis”, de 2017, e de reflexão sobre a arquitetura e os seus mestres, como “Bande à part 1 – Tipologia e Revolução”, de 2019.

O conjunto das suas publicações “traduz a importância atribuída ao olhar de outras disciplinas sobre a arquitetura”, destacando-se ainda a cocuradoria da Representação Oficial Portuguesa na Bienal de Arquitectura de Veneza, em 2018, que, sob o tema “Public Whithout Rhetoric”, abordou a arquitetura como ato de experiência do espaço público durante o período da crise financeira de 2008-2018.

“Globalmente considerado, o trabalho de Nuno Brandão Costa atesta a importância que atribui ao papel ativo do arquiteto e da arquitetura na sociedade contemporânea”, nota a AICA. Em 2020, foram atribuídos os prémios AICA/MC/Millenium bcp a Eduardo Batarda nas artes visuais, e ao Atelier do Corvo – Arquitectos Carlos Antunes e Désirée Pedro.

Em 1981, primeiro ano de atribuição destes prémios, foram distinguidos Costa Pinheiro e Álvaro Siza. Joaquim Rodrigo, António Dacosta, Júlio Resende, Alberto Carneiro, António Sena, Álvaro Lapa, Jorge Martins, Malangatana, Nikias Skapinakis, Ana Vieira, Júlio Pomar, Cruz-Filipe, Paula Rego, René Bertholo, Helena Almeida, Daniel Blaufuks são alguns dos artistas distinguidos, na área de Artes Visuais, desde 1981.

Entre os arquitetos premiados, destacam-se Raul Hestnes Ferreira, Alcino Soutinho, Nuno Teotónio Pereira, Victor de Figueiredo, Manuel Vicente, Gonçalo Byrne, Pedro Ramalho, Manuel Tainha, Carrilho da Graça, Frederico George, Fernando Távora, Eduardo Souto de Moura, Pancho (Anâncio) Guedes, Manuel Graça Dias e Egas José Vieira, Daciano da Costa, Ruy d’Athouguia, Paulo David e José Neves.


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