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“Orgia” chega hoje a Lisboa

Escrito por em 07/04/2022

“Orgia”, de Pasolini, que chega hoje à Culturgest, em Lisboa, é, para o encenador Nuno M. Cardoso, um “poema requiem”, numa polifonia que conjuga ideia de morte, com um sentido de liberdade e de vida.

“É um requiem polifónico deste Homem, desta Mulher e desta Rapariga, que traz uma espécie de luz, de liberdade e de vida, que os faz entrar em contacto precisamente com a finitude e com a morte”, acrescentou o encenador à agência Lusa, a propósito da peça que dirige e com a qual ingressa, pela primeira vez, na obra do realizador, poeta e dramaturgo italiano, cujo centenário de nascimento se assinala este ano.

Um texto “poético e trágico de uma exigência muito elevada, não apenas nos conteúdos como na forma”, que obrigou o encenador a “maturar” um desejo de há muito, o de trabalhar a obra de Pasolini, mas que só agora se concretizou, porque era fundamentá-lo fazê-lo com a equipa atual.

“Orgia”, que reflete as inquietações que marcaram a carreira de Pasolini, é uma tragédia sobre os impulsos violentos e obscuros que movem o ser humano, com a crise da sociedade a ser representada através da obsessão individual e na qual o problema da identidade pessoal se encontra com a obsessão do sexo que é, em simultâneo, objeto de culpa e um meio de conhecimento.

Para Nuno M. Cardoso, “Orgia” tem como tema principal a relação entre as pulsões de vida e de morte e o que elas acarretam nas relações de “luta, de potência e de transformação”. A ação da obra passa-se na altura da Páscoa e centra-se nas emoções sadomasoquistas de um casal pequeno-burguês e da fuga-suicídio da Mulher, “esposa, amante e escrava”, e da devastação do marido após se encontrar com uma rapariga.

Um ele (interpretado pelo ator Albano Jerónimo) que, durante a noite, juntamente com uma ela (Beatriz Batarda) intenta um lugar único onde ambos, através da descoberta da linguagem do corpo, tentam edificar um espaço para os dois e para a relação.

Já o conflito marcado pela pulsão do desejo não concretizado vivido pela Mulher acaba por colocá-la perante o suicídio (assim como perante a morte dos filhos que são referidos, mas não estão presentes no espetáculo), que acaba por servir a personagem da Rapariga (Marina Leonardo), que representa a procura de uma substituição por parte do Homem.

Em palco, a busca da felicidade pelo Homem e pela Mulher são concretizados num enorme círculo de argila onde ambos vão trabalhando rituais ancestrais de preparação, purificação e de sacrifício, que remetem para um paraíso perdido.

Com tradução de Pedro Marques, instalação de Ivana Sehic e luz de Rui Monteiro, “Orgia” é uma produção conjunta do Teatro Viriato (Viseu) e do Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), por onde já passou em março.

“Orgia” terá mais duas récitas no Grande Auditório da Culturgest: na sexta, também às 21:00, e, no sábado, às 19:00. O poeta, dramaturgo e cineasta italiano Pier Paolo Pasolini nasceu a 5 de março de 1922, em Santo Stefano, Bolonha, e foi assassinado em 2 de novembro de 1975, em Ostia, na região de Roma.


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