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Coleção portuguesa de Arte Bruta estreia-se na Áustria

Escrito por em 06/04/2022

A Coleção Treger Saint Silvestre de Arte Bruta, em depósito no Centro de Arte Oliva de São João da Madeira, estreia-se na quinta-feira na Áustria, apresentando no Museu Gugging, em Viena, 150 obras de “requintada qualidade”.

A descrição é de Johann Feilacher, que, enquanto diretor artístico do referido museu e curador da mostra em causa, realçou à Lusa que esta é a primeira vez que “a reputada coleção portuguesa” se dá a conhecer na Áustria, com obras de 80 artistas selecionados “pela estética do seu trabalho – não pelo seu nome, mas pelo que mostram de diferentes continentes e pela sua diversidade”.

O Museu Gugging é apontado pelo respetivo diretor como “uma instituição única a nível mundial”, por conjugar um centro de Arte Bruta com uma fundação dedicada a promover esse género e ainda com uma estrutura permanente para acolhimento simultâneo de 12 residências artísticas sobre a mesma temática.

Johann Feilacher atribui a esses recursos e ao trabalho de divulgação da casa – nomeadamente à organização de mostras para itinerância noutros museus de referência do país – o facto de que “a Arte Bruta é bem conhecida na Áustria” e, nos últimos 40 anos, passou a beneficiar de um estatuto “quase igual ao da arte contemporânea”.

Essa valorização motiva até alguns abusos no meio cultural austríaco, como o curador defende ao explicar que, perante a falta de interesse do público no estilo de certos autores, “muitos artistas de qualidade inferior tentam ‘apanhar o comboio’ da Arte Bruta”, alegando enquadrar-se nesse género quando não reúnem as características que o distinguem e procurando assim beneficiar da uma reputação que não lhes assiste.

A seleção de obras da Coleção Treger Saint Silvestre patente até 09 de setembro no Museu Gugging inclui trabalhos de autores considerados “clássicos”, como Aloïse Corbaz, Henry Darger e Adolf Wölfli, e criações de artistas mais jovens como Kostia Botkine, Misleidys Castillo Pedroso e Sébastian Ferreira.

A exposição integra igualmente peças de criadores que estiveram em residência no próprio museu de Viena, como é o caso de Laila Bachtiar e Philipp Schöpke. Para Richard Treger e António Saint Silvestre, proprietários da coleção domiciliada no Centro de Arte Oliva, a estreia na Áustria proporciona-lhes particular satisfação por acontecer precisamente no Gugging, que consideram “uma das principais instituições do mundo dedicadas à Arte Bruta”.

“Quando visitámos pela primeira vez o museu, ficámos muito impressionados com a forma como era gerido, permitindo aos artistas total liberdade. Isso explica que, da nossa coleção de cerca de 1.500 obras, um grande número tenha sido comprado a artistas que fizeram residências no Gugging”, revelam os colecionadores.

A expectativa atual é que a mostra austríaca proporcione ao respetivo público o mesmo sentimento que a Coleção Treger Saint Silvestre vem gerando nos seus proprietários em mais de duas décadas de pesquisa: “Esperamos que as pessoas compreendam que a nossa coleção foi reunida puramente por amor às obras de arte que fomos encontrando ao longo da vida e não pelo nome ou fama de quem as assina”.


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