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‘Blackout poetry” e Prémio Leya nas novidades literárias

Escrito por em 04/04/2022

Um livro inspirado na ‘blackout poetry’, de um coletivo de poetas e ilustradores, que desconstroem a constituição fascista de 1933, chega este mês às livrarias, assim como o vencedor do Prémio Leya 2021, “As Pessoas Invisíveis”, de José Carlos Barros.

Estas são duas das novidades editoriais deste mês, que incluem ainda um inédito em Portugal de Italo Calvino e novos romances de João Tordo e Rodrigo Guedes de Carvalho. Um dos destaques de abril da Companhia das Letras é a publicação de “Reconstituição Portuguesa – Um exercício de liberdade poética”, um manifesto que transforma um símbolo do fascismo em gritos poéticos de liberdade, como explica a editora.

Inspirados na técnica de ‘blackout poetry’, um coletivo de poetas e ilustradores liderado por Viton Araújo e Diego Tórgo aplicou “o infame lápis azul” sobre as palavras da Constituição fascista de 1933, “até que dela se erguessem, apenas, poemas e ilustrações exaltando os valores de Abril: humanidade, liberdade, justiça, igualdade”.

No ano em que se celebram 48 anos sobre o 25 de Abril e em que os dias passados em democracia já superam os dias vividos sob o jugo do fascismo, esta obra assume-se como “um exercício de liberdade poética”.

“Um projeto artístico e político que desconstrói a constituição fascista de 1933, distorcendo e subvertendo as suas palavras, imprimindo-lhe a mesma censura que o Estado Novo exerceu sobre as liberdades dos cidadãos portugueses, até restar apenas a mensagem de Abril”.

Neste livro participam Filipe Homem Fonseca, Gilson Barreto (Dela Mantra), Gisela Casimiro, DJ Huba, João Silveira, Jorgette Dumby, José Anjos, Li Alves, Lila Tiago, Lucerna do Moco, Luís Perdigão, Maria Giulia Pinheiro, Marina Ferraz, Miguel Antunes, Nilson Muniz, Nuno Piteira, Paola D’Agostino, Rita Capucho, Rita Taborda Duarte e Sérgio Coutinho.

Na mesma editora é publicado também o novo romance de João Tordo, “Naufrágio”, e “Nome de Mãe”, uma antologia de contos inéditos no masculino, que tem como mote “a mãe” e conta com a participação dos escritores Afonso Reis Cabral, Hugo Gonçalves, Jacinto Lucas Pires, João Tordo, Kalaf Epalanga, Mário de Carvalho, Miguel Araújo, Ondjaki, Ricardo Adolfo e Valério Romão.

A Leya vai publicar “As Pessoas Invisíveis”, de José Carlos Barros, vencedor do Prémio Leya em 2021, um romance que narra uma viagem por vários tempos da História recente de Portugal. A Dom Quixote publica um novo romance de Rodrigo Guedes de Carvalho, “Cuidado com o cão”, que descreve como uma narrativa sobre amor e redenção, “Annette, Epopeia de Uma Heroína”, de Anne Weber, vencedor do Prémio do Livro Alemão, e “A Entrada da Guerra”, uma obra de ficção autobiográfica de Italo Calvino, inédita em Portugal.

A Elsinore vai lançar “Os Funcionários”, de Olga Ravn, com tradução direta do dinamarquês por João Reis, um romance de ficção científica, que foi finalista do Prémio Booker Internacional 2021 e que venceu os prémios Jan Michalski e da Danish Arts Foundation.

A editora Cavalo de Ferro publicará “Divórcio”, de Susan Taubes, um livro parcialmente autobiográfico, que conjuga ficção, memória e sonho, e que foi originalmente publicado em 1969, à época largamente ignorado.

A mesma editora vai também publicar “A Honra Perdida de Katharina Blum”, de Heinrich Böll, com uma nova tradução e com posfácio do autor. A Porto Editora publica neste mês “Saramago, os seus nomes”, de Ricardo Viel e Alejandro Garcia Schnetzer, um álbum biográfico que revisita os lugares, as pessoas e os acontecimentos mais importantes da vida do Nobel português da Literatura, com prefácio de António Guterres.

Na mesma editora, mas no campo da ficção, será editado “Como poeira ao vento”, de Leonardo Padura, um novo título do escritor cubano. “Elogio da Felicidade”, de Victoria Camps, é uma das propostas das Edições 70, que fornece aqui uma análise do conceito de felicidade na filosofia, de Aristóteles aos filósofos contemporâneos, com um prefácio da autora, exclusivo para Portugal.

A mesma editora publica, neste mês, “A Montanha Viva”, de Nan Shepherd, descrito pela imprensa especializada como “o melhor livro alguma vez escrito sobre natureza e paisagem na Grã-Bretanha”, e “uma obra-prima, entre as maiores obras de natureza jamais escritas”.

Na Relógio d’Água está previsto saírem os livros de poesia “Meadowlands”, de Louise Gluck, Nobel da Literatura, “Políticas de Poder”, de Margaret Atwood, e “Herbarium”, de Emily Dickinson, estes dois com tradução de Ana Luísa Amaral.

No âmbito da ficção nacional, a mesma editora publica “Da Luz para dentro”, de José Gardeazabal, e “Jogos de Azar”, de José Cardoso Pires, com prefácio de Afonso Reis Cabral. A literatura internacional traz “Entre dois fogos: verdade ambição e compromisso na Rússia de Putin”, de Joshua Yaffa, Premio Orwell 2021, “Cartas de Amor”, trocadas entre Virginia Woolf e Vita Sackville-West, e o romance “Casa”, de Marilynne Robinson.

O clássico feminista “Malina”, da escritora austríaca Ingeborg Bachmann, chega pela Antígona, em nova edição, por altura do 51.º aniversário da sua publicação original, com tradução de Helena Topa e posfácio de Elfriede Jelinek, Nobel da Literatura.

A novela “Assim lhes fazemos a guerra”, de Joseph Andras, é outra das novidades da Antígona, que recentemente publicou do mesmo autor “Dos Nossos Irmãos Feridos”, bem como “O fim do mundo não terá acontecido”, de Patrik Ouředník.

Na BookBuilders sairá “‘Tenho o prazer de informar o Senhor Director…’ – Cartas de Portugueses à PIDE (1958-1968)”, de Duncan Simpson, uma obra que prova que uma parte da população interagiu e acabou por se servir do mecanismo de delação em proveito próprio, como aconteceu na generalidade dos sistemas ditatoriais.

A editora Guerra e Paz vai lançar, na sua nova coleção “Romances do mundo”, o romance “As Metamorfoses do Elefante”, do José Luís Mendonça, uma fábula angolana cheia de ironia, a evocar a arte de Mia Couto.

Noutra coleção de clássicos recentes, sairão neste mês os romances “Ethan Frome”, de Edith Wharton, e “Maggie, uma Rapariga das Ruas”, de Stephen Crane, este último inédito em Portugal. A Bertrand vai editar “A Vida na Terra — Uma Breve História”, de Henry Gee, que parte dos mais recentes dados científicos e narra ao longo de uma dúzia de capítulos a história de resistência e resiliência da vida na Terra.

Esta obra que conta de forma condensada a história da vida na Terra, esclarece os mistérios da sobrevivência dos seres vivos, relatando os avanços e recuos deste percurso, descreve a editora. Outra novidade é um novo livro de Irene Vallejo, intitulado “O silvo do arqueiro”, e que consiste num romance de aventuras e de guerra, exílio e amor, que viaja pelos mitos do passado.

A Quetzal vai publicar um novo livro de poesia de Maria do Rosário Pedreira, “O Meu Corpo Humano”, a versão definitiva de “Pode Um Desejo Imenso”, de Frederico Lourenço, vinte anos depois da primeira edição, e uma reedição de Anatomia da Errância, de Bruce Chatwin, que reúne textos escolhidos de 1969 a 1989.

Na coleção “Miniatura”, da Livros do Brasil, a novidade do mês é “Porgy e Bess”, de DuBose Heyward, romance de 1925, com personagens de grande complexidade psicológica e emocional, que se afirmou como um marco na literatura do sul dos Estados Unidos da América, sendo considerada a primeira obra onde a comunidade negra é retratada com realismo e profundidade.

Traduzido por Jorge de Sena e respeitando a versão originalmente publicada nos anos 1950, esta publicação repõe no mercado um romance que influenciou autores como William Faulkner e Eudora Welty, no que ao retrato das comunidades negras diz respeito, e que chegou a um maior público graças à celebre ópera de George Gershwin, com o mesmo nome, estreada no outono de 1935 em Nova Iorque.

Em 1959, o realizador Otto Preminger adaptou esta história ao grande ecrã, num filme merecedor do Óscar para Melhor Banda Sonora, com Sidney Poitier e Dorothy Dandridge como protagonistas. A Alfaguara lança “Sonhos de Bunker Hill”, o quarto e último romance da saga de Bandini, do norte-americano John Fante, que o ditou à sua mulher quando já estava cego pela diabetes. O livro foi publicado em 1982, um ano antes da morte do autor.


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