Faixa Atual

Título

Artista

Background

Pintor guineense expõe “Substantivo Feminino”

Escrito por em 28/03/2022

O artista plástico guineense Nuno Tambá abriu, no Centro Cultural Português de Bissau, a exposição “Substantivo Feminino”, com 30 quadros em que retrata o quotidiano da mulher no país e que estará patente até 24 de abril.

Vulgarmente conhecido por Young Nuno Drake Mars, o jovem artista guineense, de 30 anos, disse à Lusa que a exposição “é uma homenagem para contrariar a forma errada” como a mulher é retratada no país.

O artista não admite que se rotule a mulher guineense “como preguiçosa ou dependente do homem”. Expressando-se em crioulo da Guiné-Bissau, Young Nuno explicou que é testemunha “da valentia e coragem” da mulher guineense a partir do exemplo da própria mãe.

“Eu sou filho de uma mãe solteira, ou seja, de viúva. O meu pai faleceu muito cedo. Fui criado pela minha mãe e minha madrasta. A nossa casa está quase colada à feira (mercado) de Plubá, Feira da Cabaceira. Vejo lá qual é o esforço que as mulheres fazem diariamente para sustentar a família”, afirmou o artista ao jornalista Mussá Baldé, da Lusa, ladeado pelas duas mulheres da sua vida.

“Para mim a mulher é tudo”, resumiu o artista quando questionado o porquê de uma exposição com 30 quadros só de mulheres. Nos quadros, pode-se ver, entre outros retratos do quotidiano feminino, desde mulher polícia, à mulher com uma cabaça de comida na cabeça, passando por mulher com criança ao colo, mulher no comercio, mulher com criança às costas e até meninas nas lides domésticas.

Muitos jovens de Bissau assistiram à abertura da exposição para dar um abraço ao Nuno Young, fazer fotografias e dar-lhe os parabéns. O ambiente era festivo no Centro Cultural Português ainda mais na altura em que o músico Eric Daró começou a cantar temas ligados ao amor e à mulher.

Até a socióloga Cadija Mané, que ao apresentar o artista não conteve as lágrimas e reconheceu que aquele “conseguiu captar as dificuldades da mulher guineense” entrou na onda que se criou com a música de Daró.

Tímido, Nuno Young manteve-se sentado, mas os seus olhos não escondiam a emoção de ver os jovens a dançarem e a contemplarem os seus 30 quadros desenhados com técnicas de impressionismo, realismo e abstrato.

Young precisou de 12 meses para produzir os 30 quadros cujos materiais foram adquiridos no Senegal, país onde aprendeu a pintar “com grandes mestres” e os da Guiné-Bissau, sem nunca ter frequentado uma escola de Belas Artes, assinalou.

O artista abriu agora a sua primeira exposição individual, mas há mais de um ano que “dialoga com a cidade” de Bissau, em que um grupo de jovens pintam os murais de edifícios nas principais artérias com imagens de heróis da luta armada pela independência da Guiné-Bissau.

O diretor do Centro Cultural de Bissau, António Nunes, disse à Lusa que “é importante” que o jovem artista guineense tenha escolhido a mulher como tema da sua primeira exposição, em que “procurou atingir, de forma transversal, toda a sociedade”, observou.

“No fundo, nós estamos a fazer uma exposição do Young Nuno, um daqueles jovens em quem, nós, desde o primeiro momento, detetámos grandes potencialidades de poder singrar nas artes plásticas. Ainda é jovem. Precisa de crescer”, defendeu António Nunes.

“A questão da mulher é algo que veio da parte dele. Ele decidiu fazer desta forma e nós no discurso dele percebemos porquê. É uma homenagem fortíssima à mãe dele, ao esforço da mãe para educar a ele e à família dele”, defendeu.

Nelce Martins Gomes, advogada, admiradora do trabalho de Young Nuno considerou de “gratificante” que o jovem esteja a homenagear a mulher guineense e apenas espera que o Estado apoie mais aos criadores de arte.

“Estão a precisar de apoios dos nossos governantes. Têm de ver mais para outros setores, não só centralizar na política. A política também faz parte, não só a política, mas também têm de ver para outros ramos”, defendeu Nelce Gomes.


Opnião dos Leitores

Deixe uma resposta