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Inês Barahona e Miguel Fragata no Théâtre de la Ville

Escrito por em 28/03/2022

Os criadores portugueses Inês Barahona e Miguel Fragata apresentam até dia 30, no Théâtre de la Ville, em Paris, um espetáculo para crianças sobre alterações climáticas, no âmbito da Temporada Cruzada Portugal-França.

No mesmo contexto, também a criadora Ainhoa Vidal apresenta um projeto dirigida à infância e com ênfase na natureza, intitulado “Oceano”, entre os dias 01 e 03 de abril, revelou a sala parisiense.

As iniciativas culturais, integradas na rubrica ‘Parcours Jeunesse’, fazem parte da programação do Théâtre de la Ville, dirigido pelo lusodescendente Emmanuel Demarcy-Mota – que é também presidente da Temporada Cruzada Portugal-França -, a decorrer na capital francesa até ao dia 12 de abril.

“O estado do mundo”, de Inês Barahona e Miguel Fragata, fundadores da companhia teatral Formiga Atómica, estreou-se no LU.CA – Teatro Luís de Camões, em Lisboa, no final do ano passado, e faz parte de um díptico de espetáculos sobre a crise climática e a presença dos humanos no planeta, cuja segunda parte está prevista para 2024.

“Como lutar contra o aquecimento global quando uma série de utensílios familiares e gestos quotidianos aparentemente inócuos contribuem para poluir o planeta?” é a pergunta que serve de ponto de partida para este monólogo protagonizado pelo ator Edi Gaspar, que, recorrendo a objetos do quotidiano e a uma câmara de filmar, entrelaça histórias de crianças em diferentes territórios do planeta, todos elas profundamente marcadas pelas consequências da poluição e das alterações climáticas.

O espetáculo reflete sobre até que ponto uma torradeira, um secador de cabelo ou um minibar, ou mesmo o simples ato de espalhar manteiga sobre uma torrada, pode ser a causa de desastres ecológicos como incêndios, tempestades de areia ou tsunamis.

A ideia é partir daquilo que está de tal maneira próximo que não suscita grande atenção, e sublinhar, com exemplos, como a crise ecológica não é uma realidade distante, mas, antes pelo contrário, faz parte da vida quotidiana.

Igualmente integrado no ‘Parcours Jeunesse’, a bailarina, atriz, encenadora, escritora, figurinista e cenógrafa portuguesa Ainhoa Vidal apresenta o espetáculo “Oceano”, que teve estreia em 2019 no Teatro São Luiz, em Lisboa, e que recria um mundo subaquático lúdico para crianças dos 6 aos 24 meses.

A premissa é um mar que “revela as suas maravilhas, para ser saboreado com os olhos e mesmo tocado com as mãos”, descrevem os organizadores sobre este espetáculo a que se pode comparecer de toalha, balde e chapéu, como se se estivesse na praia.

A nadadora leva então o seu muito jovem público numa viagem de descoberta do fundo do mar: peixes, lulas e cavalos-marinhos piscam-lhe o olho e os corais brilham com todas as suas cores, numa “ilusão perfeita”, que deixa a imaginação fazer o resto.

Entre os dias 06 e 09 de abril, Ainhoa Vidal apresenta um outro espetáculo, “Lilliput”, este dirigido a crianças a partir dos 6 anos, que esteve em cena em 2020, no Teatro Municipal de Porto. Trata-se de uma viagem através do ser humano, mas de humanos tão pequeninos, que o público parece gigante e consegue vê-los e ouvi-los através de câmaras e amplificações sonoras.

A partir do universo do artista japonês Tatsuya Tanaka, que cria cenas da vida diária com figuras e objetos em miniatura, Ainhoa Vidal concebe um espetáculo que é uma viagem feita da mistura de mundos reais e oníricos.

O espetáculo em destaque na programação do Théâtre de la Ville, “Zoo”, é da autoria de Emmanuel Demarcy-Mota, a partir de um conto filosófico do escritor francês Vercors, no qual o autor dramatiza alguns problemas sociais, debatendo, com humor, as origens e a definição do Homem.

De acordo com os organizadores, “Zoo” aborda, “de maneira caprichosa e profunda”, todas as questões que surgiram em particular desde “A Origem das Espécies” de Darwin, de 1857, ao mesmo tempo que abre uma janela para os tempos vindouros.

Emmanuel Demarcy-Mota adapta a fábula humanista de Vercors que questiona as fronteiras entre o homem e o animal, através de uma “cenografia poética”, em que “filosofia, ciência e teatro andam de mãos dadas”, e que conta com a interpretação de 11 atores.


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