Faixa Atual

Título

Artista

Background

Estado “perdeu oportunidade” de reabilitar Coliseu do Porto

Escrito por em 28/03/2022

O presidente da Câmara do Porto disse hoje que o município não tem “nem enquadramento legal, nem vontade política” para reabilitar o Coliseu, frisando que o Estado perdeu oportunidade de o fazer através do Plano de Recuperação e Resiliência.

“A meu ver o Estado perdeu a oportunidade de inscrever o Coliseu, ou pelo menos metade do Coliseu, nesta verba do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]. E há uma coisa que é clara, não há enquadramento legal, nem vontade política para o município do Porto se lançar mais uma vez a fazer esta obra como fez na [escola] Alexandre Herculano: o Estado dizer que participa com 50% e depois não participar”, disse o presidente da Câmara do Porto.

O independente Rui Moreira, que respondia a uma questão levantada pela vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, no âmbito da discussão da primeira revisão ao orçamento de 2022, disse ter ficado surpreendido com o facto de o Ministério da Cultura “apenas ter inscrito a reabilitação de um equipamento cultural do Porto” ao PRR, o Museu Soares dos Reis.

Rui Moreira reforçou que o município do Porto não tem “nem enquadramento legal, nem vontade política” para avançar com a reabilitação, nem “arcar” com a obra de um equipamento cultural, no qual é um dos participantes da associação que o gere, a Associação Amigos do Coliseu do Porto.

“Não vamos fazer uma obra que é cara. Quando falamos em quatro milhões de euros, sabemos que isso hoje vai derrapar, sem ter enquadramento legal e sem saber depois de quem é a gestão daquilo”, observou o autarca durante a reunião do executivo.

Questionado pela vereadora sobre a notícia avançada em abril de 2021, de que o Coliseu iria sofrer obras de 3,5 milhões de euros e que as mesmas seriam suportadas de igual forma pelo Governo e pela Câmara do Porto, ficando suspensa a concessão do espaço a privados, Rui Moreira disse ter sido, posteriormente, proposto que o município “lançasse a obra, lançasse a empreitada e fosse dono da mesma, que depois havia-se de encontrar uma forma de o Estado entrar com a sua parcela”.

“Já disse à diretora do Coliseu, ela está mandata não apenas pelo Conselho Municipal da Cultura, mas também pelos sócios da associação para lançar uma concessão. Se não pretende lançar porque depende hierarquicamente do Ministério da Cultura, tudo bem”, disse o independente, rejeitando, novamente, a hipótese de ser o município a avançar com a reabilitação do espaço.

Depois da intervenção do presidente da câmara, a vereadora da CDU defendeu que se evitasse a degradação daquele espaço cultural. “Não podemos deixar cair este assunto, é um grito de alma em defesa do Porto”, acrescentou.

Em abril de 2021, a anterior ministra da Cultura, Graça Fonseca, afirmava que a concessão iria ser suspensa e que se iria avançar com a reabilitação daquele espaço, cuja duração se previa que durasse cerca de oito meses.

A concessão do Coliseu do Porto a privados foi aprovada por maioria na Assembleia Geral dos Amigos do Coliseu a 13 de março de 2020, pela impossibilidade de recorrer a fundos comunitários para garantir o restauro daquela sala de espetáculos.


Opnião dos Leitores

Deixe uma resposta