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CCB inaugura ciclo de conferências “Visualidades Negras”

Escrito por em 28/03/2022

O Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, inaugura a 6 de abril um ciclo de conferências para refletir sobre as questões de representação numa ótica de descolonização, com a antropóloga Heloisa Pires de Lima a abordar as obras literárias.

“Visualidades Negras” tem curadoria e moderação de Filipa Lowndes Vicente e vai desdobrar-se em cinco conferências, proferidas por Heloisa Pires Lima, Billy Woodberry, Deborah Willis, Kenneth Montague e Ruth Wilson Gilmore, que terão lugar nos dias 6, 13 e 27 de abril, 04 e 18 de maio, anunciou o CCB.

“Nos últimos anos têm sido muitos os académicos, artistas, curadores e arquivistas a abordarem criticamente a relação entre visualidade e negritude, entre imagens e racismo, entre direito a representação no espaço público como modo de justiça racial e social”, refere, em comunicado.

Os intervenientes deste ciclo são algumas dessas vozes, que irão apresentar os seus pontos de vista e debater “as muitas implicações éticas em lidar, hoje, com os legados visuais do passado”.

Na primeira conferência, Heloisa Pires Lima aborda as obras literárias, focada nos elementos fornecidos para o imaginário acerca dos mundos e da vida ao redor, destacando algumas dinâmicas do circuito para o caso da origem continental africana.

Escritora, editora e investigadora na área da antropologia, Heloisa Pires de Lima prioriza as representações culturais de origem africana nos acervos disponibilizados para a infância e juventude.

A segunda conferência, marcada para 13 de abril, será ministrada pelo norte-americano Billy Woodberry, conhecido como um dos principais nomes da chamada “L.A. Rebellion”, uma geração de jovens cineastas afro-americanos que procuraram a construção de um novo cinema negro.

A sua longa-metragem “Bless Their Little Hearts” (1984) é umas das obras essenciais deste movimento, com uma forte influência do neorrealismo italiano e do chamado “Third Cinema”.

No dia 27 de abril, a oradora convidada é a professora universitária e presidente do Departamento de Fotografia e Imagem na Tisch School of the Arts da Universidade de Nova Iorque Deborah Willis, que leciona cursos de fotografia e imagem, “iconicidade e histórias culturais que visualizam o corpo negro, as mulheres e o género”.

O seu trabalho de investigação analisa as histórias multifacetadas da fotografia, da cultura visual, das fotógrafas contemporâneas e da beleza. O canadiano Kenneth Montague protagonizará a conferência do dia 04 de maio: dentista, colecionador de arte de Toronto e fundador e diretor da Wedge Curatorial Projects, uma organização sem fins lucrativos que apoia artistas africanos e da diáspora emergentes e estabelecidos, expõe desde 1997, arte contemporânea que explora a identidade negra.

A encerrar o ciclo, apresenta-se a 18 de maio Ruth Wilson Gilmore, cofundadora de várias organizações comunitárias abolicionistas, professora de Geografia, diretora do Center for Place, Culture and Politics, e autora do livro “Abolition Geography: Essays Towards Liberation”, a ser lançado em maio deste ano.

As conferências serão moderadas pela curadora do ciclo, Filipa Lowndes Vicente, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, na área de História, cujos trabalhos de investigação histórica são marcados por abordagens transnacionais e transcoloniais.


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