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Banda Antytila agradece apoio de Portugal

Escrito por em 27/03/2022

O líder da banda ucraniana Antytila, Taras Topolya, agradeceu em entrevista ao jornalista Paulo Agostinho, da Lusa, o apoio da população portuguesa e dos seus imigrantes ucranianos na recolha de donativos para responder à invasão da Rússia.

Numa mensagem especificamente dirigida aos milhares de ucranianos que estão em Portugal, Taras Topolya, que serve com outros elementos da banda em unidades de defesa territorial (serviços militarizados de segurança desempenhados por civis) pediu a continuação do apoio e elogiou Portugal, considerando-o um país com semelhanças com a Ucrânia.

“Olá a todos, estou situado em Kiev e quero dizer a todos os ucranianos em Portugal que sei o que estão a fazer para nos ajudar. Sei que vamos ganhar e a vossa ajuda é muito importante para nós”, afirmou o vocalista da banda, uma das mais populares da Ucrânia, que também gravou uma mensagem no seu idioma, terminando com o tradicional “Slava Ukrainii!” (Glória à Ucrânia!).

“Mantenham-se unidos, façam eventos de caridades. Tudo ajuda”, pediu o músico, que elogiou também Portugal, onde a banda gravou o videoclip de uma música (‘Tu acreditaste’), usando como cenário de fundo a Casa do Penedo, na Serra de Fafe, que pode ser visto no YouTube.

A Ucrânia “é como Portugal”, disse, comparando a gastronomia – “foi a primeira vez que comemos carne grelhada na fogueira, no meio de uma vinha” – e o comportamento das pessoas. “Há muitos ucranianos em Portugal e temos lá muitos amigos”, disse Taras Topolya, prometendo um regresso para breve.

“Não tenho só esperança [de regressar], eu sei que iremos a Portugal nadar no mar”, assegurou. Com centenas de milhar de fãs, os Antytila são uma das bandas de maior sucesso da Ucrânia e hoje os seus elementos integram as forças de defesa territorial do país, uma decisão tomada logo nos primeiros dias da guerra, que teve início a 24 de fevereiro.

Ucrânia: Transformados em soldados, músicos dos Antytila saúdam apoio do mundo artístico

O líder da banda ucraniana Antytila, Taras Topolya, saudou hoje o esforço do mundo do espetáculo em alertar para a invasão russa da Ucrânia e considerou Putin um “terrorista internacional”.

“Apesar da guerra, o que se está a passar no mundo do espetáculo é incrível” e “nós sentimos [esse apoio] aqui”, disse à Agência Lusa Taras Topolya, vestido com uniforme militar e equipado com uma metralhadora, à porta da base de uma unidade de defesa territorial (força de segurança militarizada composta por civis que funciona como suporte do exército) onde presta serviço.

“O amarelo e o azul [cores da bandeira ucraniana] começou a ser uma moda” e “os ucranianos são vistos como gente corajosa”, salientou Taras Topolya, acrescentando: “sentimos como as grandes celebridades nos ajudam, pode ser um pequeno laço azul e amarelo, declarações, concertos”.

“Qualquer coisa feita pelas celebridades europeias ou americanas é importante”, principalmente para os refugiados ucranianos e os deslocados pela guerra. “Está a falar com um combatente, mas temos milhões que não são combatentes e mudaram a sua vida por causa da guerra”.

Nos últimos dias, os Antytila voltaram a ter a atenção mundial depois de terem feito um apelo para atuarem, à distância, num concerto de beneficência em Birmingham, Inglaterra, a 29 de março, por Ed Sheeran e que contará com nomes como os Chic, Manic Street Preachers, Camila Cabello ou Snow Patrol.

O objetivo é “fazer uma ponte entre Birmingham e Kiev”, numa “ação unida”, explicou Taras Topolya. “Não sei se vamos cantar, apenas fizemos uma proposta e agora estamos à espera do que aconteça”.

Na entrevista à Lusa, Taras Topolya criticou o Presidente russo, Vladimir Putin, aquele que é, segundo disse, o primeiro responsável da invasão. “Putin é um completo mentiroso, é um terrorista internacional e a Rússia, na forma como existe, hoje é um estado terrorista”.

Sobre as acusações de os neonazis controlarem a política ucraniana, Taras Topolya riu-se primeiro e depois deu exemplos, refutando as acusações. Vestido com um uniforme onde são visíveis símbolos do Batalhão Azov (um grupo paramilitar acusado de ter ligações à extrema-direita, mas idolatrado por muitos ucranianos por ter sido quem retirou aos russos o controlo da cidade de Mariupol, em 2014), o líder dos Antytila deu o exemplo do Presidente ucraniano.

“Que raio é que ele está a falar? O nosso presidente é de origens judaicas. Como é que um presidente de origens judaicas pode ajudar neonazis? É como as abelhas serem contra o mel”, argumentou.

“Eu consigo cantar músicas judaicas”, disse, começando a entoar uma canção tradicional hebraica. “Todos nós temos raízes judaicas desde Abraão”. Três dos quatro elementos que compõem a banda decidiram fazer parte das brigadas de defesa territorial depois de terem feito ações de promoção daquela instituição junto dos ucranianos.

“Dissemos a todos, pelo vídeo, que é simples e bom, temos de defender o nosso país, por isso venham. Fizemos um primeiro vídeo e estávamos a preparar um segundo vídeo e os russos começaram a guerra”, recorda.

“No primeiro dia ajudámos as nossas famílias a saírem de Kiev. Eu dei o nosso carro à minha mulher com o meu filho, peguei na bicicleta e vim para cá”, afirmou o cantor, que é licenciado por uma academia de polícia.

“Sei como usar armas, não as automáticas, mas pistolas, e tinha algum treino. O mesmo acontece com outros elementos da banda”, explicou, embora tenha admitido que essa formação se tinha perdido.

Quando “chegou a guerra, tudo aquilo que sabíamos acabou”, mas “tivemos de aprender”, porque “ninguém esperava que a Rússia nos atacasse com uma guerra total, com mísseis e centenas de milhares de soldados”.

A resiliência das tropas ucranianas foi algo que não surpreendeu Taras Topolya: “É um grande erro dos governos europeus e dos especialistas terem previsto que nós iríamos falhar”. Primeiro, “era só três dias e eles iriam cair. E depois foram mais sete dias. E depois mais sete dias e assim por diante”. Mas, “para quem estava no país, isto era claro: ninguém vai dar a vitória à Rússia. Toda a gente, civis e militares, vão lutar até ao fim”.

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