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TNSJ comemora Saramago

Escrito por em 22/03/2022

A programação do Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto, entre abril e julho tem uma “dimensão internacional” e produções próprias, incluindo uma nova encenação de “Ensaio de Cegueira”, pelo diretor artístico, Nuno Cardoso, que celebra o centenário de Saramago.

Apresentada hoje, a programação cultural dos próximos quatro meses do TNSJ inclui espetáculos no âmbito de eventos como os Dias da Dança e o Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI) e integra as celebrações do centenário de José Saramago, sem esquecer a aposta no serviço educativo.

Em 10 de junho, o TNSJ recebe a estreia de “Ensaio sobre a Cegueira”, por Nuno Cardoso, quase 20 anos depois de ter acolhido a estreia de uma peça de O Bando a partir do mesmo livro do Nobel da Literatura José Saramago, de quem se assinalam os 100 anos em 2022.

“Ponto culminante do projeto de cooperação entre o Teatre Nacional de Catalunya e o Teatro Nacional São João, a adaptação para cena do romance de Saramago é emblemática da universalidade do Nobel português e do caráter transfronteiriço do ato teatral. O encenador Nuno Cardoso dirige uma jangada ibérica (e bilingue!), com atores portugueses e catalães irmanados na utopia de que o palco resolva ou adense os mistérios deste texto”, pode ler-se no dossiê da programação.

Também dedicado a Saramago vai estar o projeto do centro educativo “Visitações: A Viagem de Saramago”, “carta aberta aos Clubes de Teatro de 12 escolas da Área Metropolitana do Porto para criarem pontes entre a sua obra e as vidas de novas gerações dos seus leitores”.

Entretanto, as Leituras Dramatizadas vão contar com “O Ano da Morte de Ricardo Reis” e o “Memorial do Convento”. A abrir a programação, no dia 30 de março, no Teatro Carlos Alberto, estará a primeira das estreias do período: “Estética, Resistência e Melancolia”, com encenação de Gonçalo Amorim.

A segunda estreia da programação até junho acontece a 20 de maio, com “Assim se Fazem as Coisas: Monumental Revista Antipopularuxoos”, encenado por Ricardo Alves, em coprodução com a Palmilha Dentada.

No dia 15 de junho, André Amálio e Tereza Havlïckivá apresentam “A Mina”, sobre São Pedro da Cova, em Gondomar, partindo “do trabalho com a comunidade, num diálogo intergeracional sobre o passado mineiro e os atuais problemas ambientais”.

No final do semestre, entre 30 de junho e 02 de julho, o Teatro Carlos Alberto vai receber o “Tartufo”, de Molière, encenado por Tónan Quito, dias depois de se apresentar no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

Ainda em junho, o TNSJ recebe “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas”, de Tiago Rodrigues, entre 25 de junho e 02 de julho, que esgotou salas pelo país. “É uma programação que continua com as suas parcerias, seja com os festivais da cidade, como os Dias da Dança, o FITEI, seja com as companhias e coletivos independentes. É uma programação que também tem uma dimensão internacional, dentro da Temporada Cruzada Portugal–França, que nos traz dois grades momentos com ‘Os Irmãos Karamazov’ e ‘Ils Nous Ont Oubliés’”, caracterizou o diretor artístico do TNSJ, Nuno Cardoso.

Para o responsável, a programação dos próximos quatro meses “seria a continuidade da programação” que se iniciou em janeiro. “É a programação de um ano que se desejaria mais tranquilo, mas a realidade tem esta capacidade incrível de nos tirar o tapete debaixo dos pés e se tornar mais estranha do que a ficção. No entanto, esperamos que a programação do TNSJ seja uma programação em casa aberta para que nos possamos encontrar aqui e reencontrar os nossos melhores anjos e não os nossos pior preconceitos”, referiu o também encenador.

Nuno Cardoso destacou ainda a iniciativa “Ucrânia – Palco Livre”: “Em resposta à situação que vivemos a programação agrega O Palco Livre, com especial atenção a possíveis criadores ucranianos refugiados, ou possíveis ‘fazedores’ de teatro, que podem encontrar no TNSJ um interlocutor para continuarem a desenvolver o seus trabalho”.

Entre dança, música e teatro, o TNSJ vai apresentar cerca de 20 espetáculos, seja no edifício principal, seja no Mosteiro de São Bento da Vitória ou no Teatro Carlos Alberto, além do trabalho do Centro Educativo que inclui oficinas e visitas.

A programação do TNSJ é também feita “fora de portas”, com produções próprias e coproduções a serem apresentadas noutras salas de espetáculo portuguesas e internacionais, com destaque para a apresentação de “Othello”, encenado por Marta Pazos, que vai ser apresentada em Espanha e na Alemanha, ou a peça “Iphigénie”, de Tiago Rodrigues, no Festival d’Avignon, em França, que o encenador e escritor português passou a dirigir.

Também na conferência de apresentação da programação do próximo quadrimestre, o presidente do conselho de administração do TNSJ, Pedro Sobrado, apontou 2022 como “um ano de boas expectativas” para aquele teatro nacional.

“É um ano em que o TNSJ atinge um patamar de investimento na atividade muito interessante, estamos no limiar do 1,8 milhões de euros destinados à atividade (programação, promoção dos espetáculos, centro educativo), é a maior verba de sempre atribuída à atividade do TNSJ em anos em que não há festivais”, revelou.

Para 2022, está previsto que o TNSJ “volte a atingir os 200 mil euros de receitas de bilheteira”, depois de dois anos com “quedas significativas” na receita, quer em virtude da pandemia causada pelo novo coronavírus, quer pela intervenção na sala principal que levou ao seu encerramento.

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