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FIMFA LX soma mais de 20 espetáculos em maio e junho

Escrito por em 22/03/2022

Mais de vinte espetáculos e atividades preenchem a programação da 22.ª edição do FIMFA LX – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas, a decorrer em nove espaços em Lisboa, de 13 de maio a 5 de junho.

“Pensar o futuro” é o mote da próxima edição do FIMFA LX, que pretende questionar as relações humanas, a vários níveis, da tecnologia e da biologia, à robótica ou ao ambiente, pensando ainda o corpo, o objeto, a imagem, a matéria e o movimento, segundo os diretores artísticos do certame, Luís Vieira e Rute Ribeiro.

Durante mais de três semanas, será possível assistir a cerca de 20 espetáculos de criadores portugueses e estrangeiros, a realizar em nove espaços da capital: São Luiz Teatro Municipal, Teatro Nacional D. Maria II, LU.CA – Teatro Luís de Camões, Museu de Lisboa – Palácio Pimenta, Teatro do Bairro, Teatro Taborda, Museu Nacional do Teatro e da Dança, Centro Cultural da Malaposta e Cinemateca Portuguesa.

“Work”, um espetáculo do coreógrafo italiano Claudio Stellato, que transporta o público para uma oficina surrealista, onde a bricolage se transforma em arte, com recurso à dança, novo circo, escultura, “‘happening’ dadaísta” e teatro visual, abre o certame, no S. Luiz, e fica em cena nos dias 13 e 14 de maio.

No mesmo teatro, em Lisboa, será ainda possível assistir a mais quatro espetáculos: “Le Présent c’est l’Accident!”, uma peça musical e visual do encenador francês Jean-Pierre Larroche, que mistura motores mecânicos e eletrónicos com talento humano, a 14 de maio; “Quelque chose s’attendrit”, uma performance de ótica do francês Renaud Herbin, em que uma marioneta de fios se move pelo espaço interestelar, a representar nos dias 17 e 18; “Simple Machines”, uma conferência-espetáculo do belga Ugo Dehaes, criador de robots-bailarinos, que questiona a relação entre o homem e a máquina através do movimento, nos dias 21 e 22 de maio; e “Earthbound”, da italiana Marta Cuscunà, um monólogo para uma atriz e “criaturas animatrónicas”, nos dias 20 e 21 de maio.

No Teatro Nacional D. Maria II, a companhia belga Karyatides apresenta, de 19 a 21 de maio, “Frankenstein”, um espetáculo que conta com dois atores-manipuladores, uma cantora de ópera e um pianista, ajudados em palco por “uma multidão” de bustos, bonecos e objetos de todos os tipos.

De Isarel chega “Cardiophone”, a apresentar num espaço ainda por anunciar, espetáculo que promove o encontro entre a tecnologia médica e a música mecânica, para uma viagem ao interior do corpo humano.

Os Bonecos de Santo Aleixo, laureados com o Prémio Henrique Delgado 2022, também estão de regresso ao FIMFA Lx, com “Auto da Criação do Mundo”, que será apresentado no Teatro do Bairro.

“HEN”, o cabaré de uma marioneta ‘queer’ e ‘punk’, criado por Johanny Bert e o Théâtre de Romette, “Ersatz”, do Collectif AÏE AÏE AÏE, um teatro futurista de objetos, que cruza a realidade virtual com a manipulação de objetos reais, e “Jardineiro Imaginário”, o mais recente espetáculo do Teatro de Marionetas do Porto, com encenação de Isabel Barros, são outros espetáculos a apresentar no Teatro do Bairro.

O Teatro de Ferro leva até ao Centro Cultural da Malaposta o segundo momento do seu ciclo dedicado aos objetos, “A revolta dos Objetos – Uma Conferência Animada”, enquanto Susana Domingos Gaspar apresenta, no mesmo espaço, “As Amigas da Gaspar”, espetáculo que junta marionetas, duas bailarinas e uma cantautora.

Paulo Duarte, marionetista português radicado em França, regressa ao FIMFA Lx com dois espetáculos: “Pour Bien Dormir”, que poderá ser visto no Centro Cultural da Malaposta, e “NOVO”, no Teatro Taborda.

Já no Museu Nacional do Teatro e da Dança, a Trupe Fandanga apresenta “Qubim”, revelando-nos um palco que é uma carrinha cheia de caixas com marionetas. A pensar nos mais novos, o FIMFA Lx22 apresenta dois espetáculos no LU.CA – Teatro Luís de Camões: “Karl”, da companhia francesa Betty BoiBrut’, que trabalha com formas de madeira que se movem e transformam como que por magia; e “Hermit”, da artista holandesa Simone de Jong, um espetáculo visual em torno de uma casa em miniatura e do seu tímido habitante.

Nos jardins do Museu de Lisboa – Palácio Pimenta, onde um jardim de buxo, de estilo clássico, já está ornamentado com animais de cerâmica Bordallo Pinheiro, miúdos e graúdos poderão ainda deparar-se com os insetos gigantes, “Big Bugs”, da companhia holandesa Mr.Image Theatre, que encerra o certame.

Exibição de filmes, ‘workshops’ e encontros com artistas constam das atividades paralelas do FIMFA LX, uma produção de A Tarumba – Teatro de Marionetas. Este ano, o festival volta a atribuir o prémio de mérito cultural Henrique Delgado, destinado a prestar reconhecimento a personalidades, estruturas ou instituições que tenham desenvolvido um trabalho determinante para o reconhecimento das artes da marioneta em Portugal.

Nesta que é a sua segunda edição, o galardão foi atribuído aos Bonecos de Santo Aleixo, pelas suas características singulares no panorama mundial das marionetas tradicionais. Títeres tradicionais do Alentejo, propriedade do Centro Dramático de Évora (CENDREV), os Bonecos de Santo Aleixo são marionetas de varão, manipuladas a partir de cima, à semelhança das grandes marionetas do Sul de Itália e do Norte da Europa, mas com menores dimensões (entre 20 e 40 centímetros).

Feitas de madeira e cortiça, vestidas com um guarda-roupa que permite, como no teatro naturalista, identificar as personagens da fábula contada, trata-se, segundo especialistas, de “um tesouro cultural ímpar da cultura portuguesa que é importante salvaguardar e manter vivo”.

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