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Três exposições celebram Dia Mundial do Teatro

Escrito por em 21/03/2022

Uma programação com três novas exposições, duas dedicadas a Molière e à cenografia, outra ao Teatro Experimental do Porto, espetáculos e conversas, preenchem, o Dia Mundial do Teatro, no domingo, no Museu Nacional do Teatro e da Dança, em Lisboa.

O programa festivo tem entrada livre, contempla todas as idades, e decorre ininterruptamente entre as 10:00 e as 18:00, indicou à jornalista Ana Goulão, da Lusa, o novo diretor do museu, Nuno Moura, sublinhando que a entidade, “sendo um representante do património do teatro e da dança, não podia deixar de celebrar condignamente este dia”.

No domingo, dia 27 de março, o Dia Mundial do Teatro será ali celebrado com a inauguração de três novas exposições: uma sobre os 70 anos do Teatro Experimental do Porto (TEP), outra, dedicada a “vestígios” cenográficos da participação portuguesa na Quadrienal de Praga, e outra ainda – esta, virtual – com a história das peças de Molière nos palcos nacionais, criada para o Google Arts & Culture.

“Esta arte que acompanha a Humanidade há já muitos séculos, com os seus altos e baixos – e agora com uma pandemia terrível que afetou muito os artistas -, queríamos voltar a partilhá-la com todo os públicos, crianças e adultos. Por isso pensámos numa programação transversal, que atravessa muitas das artes envolvidas na construção de um espetáculo de teatro”, indicou o diretor do museu.

A exposição “70 Anos TEP – Um Arquivo Vivo” é aquela que mais tempo vai ficar patente no museu, pondo em foco diversos momentos da história do TEP, até ao próximo dia 26 de junho. O percurso faz-se mediante uma visita ao arquivo da companhia e do museu, de onde foram selecionados cenários, figurinos, fotografias e outros registos que remetem para as produções e para os autores, onde se incluem dirigentes, encenadores, atores, artistas plásticos, cenógrafos, músicos e outros trabalhadores do espetáculo, que participaram ativamente no longo historial de experimentação, colaboração e intervenção desta companhia.

“Esta é a companhia profissional portuguesa que existe há mais tempo, com trabalho contínuo, e que foi absolutamente imprescindível na lógica da modernização do teatro em Portugal, sendo que, durante décadas, foi a única companhia profissional no Porto”, lembrou o dirigente do Museu Nacional do Teatro e da Dança (MNTD).

A mostra tem curadoria do TEP, fundado em 1951, e organização do MNTD e da companhia. No mundo virtual, será inaugurada a exposição “Molière 400 anos. A Cena em Portugal”, sobre a receção em Portugal das peças do dramaturgo francês, desde o século XVIII até aos nossos dias, acompanhada por uma conversa entre Christine Zurbach, a curadora, e António Pires, Miguel Loureiro e Ricardo Alves, encenadores que levaram recentemente peças de Molière a cena.

“Molière nasceu há 400 anos, as suas obras tornaram-se um clássico da comédia e da sátira. Ainda é um autor relevante hoje em dia porque muitas companhias de teatro levam as suas obras a cena. E é o mais representado em França”, comentou o diretor do museu, acrescentando que o autor “tem ainda, na atualidade, um grande valor e importância, nomeadamente na crítica social”.

Esta exposição virtual “será apresentada na plataforma Google Arts & Culture, e acompanhará como Molière tem sido apresentado em Portugal desde o século XVIII até à contemporaneidade”, acrescentou.

Em 1737, teve lugar a primeira apresentação em Portugal da obra de Molière, na versão atribuída a Alexandre de Gusmão, secretário do rei João V. “Já no século XX, destacaram-se as adaptações da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro e, na contemporaneidade, a receção de Molière é marcada por desafios de duas naturezas: a nova leitura dos textos clássicos, após 1970, e o desafio da adaptação que se coloca até ao derradeiro espetáculo em cena nos palcos portugueses, o ‘D. Juan’ pelo Teatro do Bairro”, em fevereiro deste ano, lembrou Nuno Moura.

Outra exposição presencial que será inaugurada no mesmo dia intitula-se “Vestígios”, com registos, obras ou fragmentos de trabalhos que, ao longo dos anos, participaram nas representações oficiais e não oficiais de Portugal na Quadrienal de Praga, o maior evento mundial dedicado à cenografia e arquitetura de palco. Com organização da Associação Portuguesa de Cenografia, esta mostra ficará patente até 17 de abril.

A programação no MNTD inclui ainda dois espetáculos que foram escolhidos para “apelar ao futuro e à resiliência das pessoas”, como o da artista plástica mexicana Frida Khalo, “uma história lindíssima que resiste a muitas dificuldades, e que, apesar de portadora de algumas incapacidades motoras, com o seu talento e a vontade, ultrapassa todos os impedimentos para se tornar uma das maiores artistas do mundo”, vincou.

“É uma ode à vida, que aquilo que podemos fazer contra todas as contrariedades”, comentou o diretor do museu. “Antiprincesas: Frida Khalo”, para um público maior de três anos, será apresentada com direção Cláudia Gaiolas e interpretação de Leonor Cabral, numa coprodução do São Luiz Teatro Municipal e o Teatro Meia Volta e Depois à Esquerda Quando Eu Disser.

Outro espetáculo previsto é “The Future Show”, com texto e interpretação de Jorge Andrade, a partir de guião “The Future Show”, de Deborah Pearson, numa produção da Mala Voadora Associação Cultural, associada d’O Espaço do Tempo.

“Sabemos que, hoje em dia, mais do que há dois anos, estamos conscientes de que não podemos dar nada por garantido, e que o futuro previsível muda a todo o momento. Este espetáculo é sobre como podemos tomar conta do nosso futuro”, observou Nuno Moura.

Questionado pela agência Lusa sobre a filosofia da programação para a continuação deste ano, o novo diretor, no cargo há cerca de oito meses, disse: “A nossa missão é abarcar vários tipos de públicos, muito diversos, com diferentes interesses, desde o infantojuvenil até grupos com interesses mais especializados. É nessa lógica de transversalidade que será pensada a programação para todo o ano no museu”.

Estão ainda previstos para o Dia Mundial do Teatro o lançamento de livros de Jorge Louraço Figueira – “Por escrito – Teatro de Jorge Louraço Figueira”, da editora Húmus -, e uma conversa, sobre questões contemporâneas da cenografia, com Aby Cohen (Brasil), cenógrafa, curadora e atual presidente da International Organisation of Scenographers, Theater Architects and Techicians (OISTAT).

Inaugurado em 1985, o Museu Nacional do Teatro, designado Museu Nacional do Teatro e da Dança desde janeiro de 2015, ocupa o Palácio do Monteiro-Mor, situado na freguesia do Lumiar, em Lisboa. Do acervo do museu, fazem parte cerca de 260.000 peças, trajos e adereços de cena, maquetes de cenários, figurinos, desenhos, caricaturas, programas, cartazes, postais, álbuns de recortes de jornal, manuscritos, folhetos, coplas, discos, partituras, teatros de papel do século XVIII ao século XX, assim como um espólio com cerca de 25.000 fotografias.


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