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Morreu o arqueólogo João Carlos Senna-Martínez

Escrito por em 21/03/2022

O arqueólogo e investigador João Carlos Senna-Martínez, professor aposentado, mas ainda dedicado a vários projetos no interior do país, morreu no domingo de manhã, em Lisboa, aos 74 anos.

De acordo com um comunicado do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa (UNIARQ), ao qual o investigador pertencia, João Carlos Senna-Martínez deixa uma extensa obra científica, tendo sido promotor de múltiplos projetos de investigação.

Recentemente desenvolvia trabalhos de campo entre as regiões de Macedo de Cavaleiros e Nelas, nos distritos de Bragança e Viseu, segundo a UNIARQ. Era especialista em Pré-História geral, de África e de Portugal, sociedades da Idade do Bronze na Península Ibérica, património arqueológico e arqueologia de África, matérias sobre as quais lecionou no Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, desde 1979 até 2012.

Doutorado em Pré-História e Arqueologia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1990), João Carlos Senna-Martínez era também licenciado em História pela Faculdade de Letras, na mesma universidade (1979), e bacharel em História pela Faculdade de Letras da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, Moçambique (1975).

“Perdeu a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa um dos seus docentes de Arqueologia (História e Estudos Africanos) que marcou diferentes gerações de estudantes dos diferentes ciclos de ensino”, lamenta a instituição, no comunicado.

A investigação africana de Senna-Martínez incidiu na arqueologia de Moçambique, com trabalhos sobre as sociedades da fase final da Pré-História e Idade do Ferro, nas décadas de 1960 e 1970, “recentemente reatada, em distintos moldes e perspetiva, com os estudos das coleções do Instituto de Investigação Científica Tropical, presentemente à guarda do Museu de História Natural e da Ciência, da Universidade de Lisboa, bem como dos percursos biográficos dos seus investigadores”, refere.

Ainda na década de 1970, ingressou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde se licenciou, doutorou e prosseguiu a carreira académica, como monitor, assistente, professor auxiliar e professor associado, até à aposentação.

Em Portugal, a investigação de Senna-Martínez começou por incidir no megalitismo da Beira Interior, continuando trabalhos iniciados pelo também professor e investigador em arqueologia João de Castro Nunes (1921-2016).

“Sem nunca deixar de se ocupar do fenómeno megalítico, os seus interesses foram-se progressivamente alargando, passando a incluir os temas da metalurgia antiga, desde o Calcolítico ao período Orientalizante, sempre centrado nas regiões do interior do atual espaço português, sem deixar de lançar olhares para outras regiões, designadamente a Estremadura e o baixo Mondego, as naturais charneiras entre os mundos Mediterrâneo e Atlântico, refletidos no registo arqueológico do interior”, sublinha o Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa.

Nos últimos anos, a sua atividade foi marcada pelo envolvimento em projetos interdisciplinares relacionados com a metalurgia antiga, desde o cobre e bronze ao ouro, e no estudo abrangente das chamadas “coleções coloniais”, além da dinamização da Secção de Arqueologia da Sociedade de Geografia de Lisboa,

Ao longo da sua carreira, Senna-Martínez promoveu também ligações entre a sociedade civil e associações culturais locais, levando as universidades a territórios do interior, nomeadamente através da Associação Terras Quentes – Associação de Defesa do Património Arqueológico do Concelho de Macedo de Cavaleiros.


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