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“Mundo desconhecido” no Teatro Taborda

Escrito por em 20/03/2022

As diferentes declinações do egoísmo ou as bolhas em que cada um se fecha é o pano de fundo de “Mundo desconhecido”, que o Teatro da Garagem estreia, quarta-feira, no Teatro Taborda, em Lisboa.

A peça é composta por quatro personagens: Solange, uma mãe solteira, a protagonista da peça, o pai da criança, o avô da criança e o encenador que se travam de razões acerca das suas idiossincrasias.

Um tema “realista” que interessou a Carlos J. Pessoa, autor do texto e da encenação, e que pretendia que “tivesse uma adesão à realidade e com o qual as pessoas se pudessem identificar, permitindo desenvolver outras ideias que queria plasmar no espetáculo”, disse o criador à jornalista Cláudia Páscoa, da Lusa.

A ideia de uma mãe solteira e dos problemas com que esta se confronta para criar o filho, perante um pai da criança que é uma “figura completamente ausente e alienada nas suas fantasias românticas”, foram pontos de partida para Carlos J. Pessoa.

O pai de Solange, “aprisionado no passado, numa espécie de megalomania salvífica e que acaba também por não ter uma adesão à realidade e não ajuda à filha”, é outra das personagens da peça na qual Carlos J. Pessoa quis fazer uma “reflexão sobre o egoísmo”, observou.

Uma meditação sobre o que perpassa nas sociedades atuais que tem a ver com “o hedonismo, a busca de prazer e a satisfação pessoal”, entre outras coisas, e, ao mesmo tempo, com a “dificuldade de se partir para uma ideia de sacrifício”.

Daí que “Mundo desconhecido” acabe por resultar “numa tragédia”, indicou o autor e encenador. No caso de “Mundo desconhecido”, a tragédia ou o “drama lutuoso em que a peça se tornou” ocorre devido à “ausência de laços”, porque Solange “é uma mulher só”, frisou o autor.

Por isso, “Mundo desconhecido” passa-se num cenário marcado por bolas de água concentradas em gel que muitas vezes remetem para a imagem de um embrião e simbolizam o egoísmo e o mundo no qual uma pessoa se fecha. Porque, para Carlos J. Pessoa, “a questão do egoísmo foi e continua a ser um problema”.

Para o encenador, o egoísmo é um tema cada vez mais marcante: “Dificilmente conseguimos sair do nosso conforto pessoal e estarmos preparados para o sacrifício”, argumentou, justificando que isso é ainda mais visível agora com a guerra na Ucrânia.

“O que estamos a propor em cena é um debate em torno da história da Solange para debatermos o egoísmo e o princípio mais difícil de cumprir da Revolução Francesa, que é a fraternidade”, concluiu.

Com interpretação de Ana Palma, Carlos J. Pessoa, Herlandson Duarte, João Duarte e Susana Blazer, a peça tem cenografia e desenho de luz de Herlandson Duarte e Carlos J Pessoa, música e vídeo de Daniel Cervantes e figurinos de Ana Palma,“Mundo desconhecido” está em cena até 03 de abril, com sessões à quinta-feira, sexta e sábado, `s 19:30, e, ao domingo, às 16:30.


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