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Candidatura de escritos de Cabral “mais completo” com Guiné e Portugal

Escrito por em 15/03/2022

O presidente da Fundação Amílcar Cabral considerou que a candidatura dos escritos à Memória da UNESCO e as celebrações do centenário do nascimento do seu patrono seria “muito mais completo” com a participação da Guiné-Bissau e Portugal.

“Penso que sim, eles são uma parte necessária e teria grande valor, o processo seria muito mais completo com a participação deles”, afirmou Pedro Pires, que falava à imprensa, na cidade da Praia, após um encontro com o Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas.

De entre outros assuntos, o antigo Presidente da República de Cabo Verde abordou com Abraão Vicente a candidatura dos escritos do líder histórico da independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde ao programa “Memória do Mundo” da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), avançando que está “no bom caminho”.

“Creio que as coisas estão no bom caminho, vai levar mais algum tempo, mas a orientação, a direção para a organização do processo está mais ou menos elaborada e vai avançar”, garantiu, voltando a pedir o envolvimento do Estado de Cabo Verde.

“É um assunto que nós não podemos resolver sozinhos, precisamos da colaboração do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, mas, mais do que isso, queremos que o Estado de Cabo Verde, o seu Governo, assuma essa missão da candidatura dos escritos de Amílcar Cabral ao programa ‘Memória do Mundo’ da UNESCO”, pediu.

Pedro Pires lembrou que a Fundação Amílcar Cabral (FAC) é uma entidade “privada e interessada”, mas entendeu que caberá ao Estado de Cabo Verde a parte institucional da candidatura, cuja entrega deverá acontecer ainda este ano.

“O senhor ministro da Cultura é a entidade mais importante nisso, porque é quem pode empurrar isso, é quem pode colocar os recursos políticos do Governo para avançar com a candidatura”, prosseguiu o dirigente, sublinhando o “interesse nacional” nessa candidatura, que considera vai ser um ganho para todo o país.

“Porque é um elemento de valorização política, valorização cultural, diria mais, valorização intelectual, porque Cabral é estudado em centenas de universidades do mundo, portanto, nós é que ganhamos com isso e devíamos talvez fazer um bocadinho mais”, frisou.

A inscrição dos escritos de Amílcar Cabral no programa “Memória do Mundo” da UNESCO, é um dos desafios da FAC, que considera que mais do que um desejo é uma “necessidade histórica”.
O programa foi estabelecido em 1992 com o objetivo de contribuir para a preservação do património documental mundial.

Além da candidatura dos escritos de Cabral ao programa “Memória do Mundo”, a fundação está a trabalhar nas comemorações do centenário do nascimento do seu patrono, cujo ponto alto vai ser em 12 de setembro de 2024.

Para Pedro Pires, o centenário será um “acontecimento extraordinário” que poderá levar a Cabo Verde pessoas com diversos interesses e das mais diversas origens. “É um elemento de atração e de valorização do nosso país”, referiu.

A fundação, que tem como missão a preservação da obra e memória do seu patrono, criou em 2015 o espaço museológico Sala-Museu Amílcar Cabral, onde pretende dar a conhecer às gerações mais novas e aos turistas que visitam a cidade da Praia a história da luta de libertação liderada por Cabral.

A celebração do centenário do nascimento terá o seu ponto alto em 12 de setembro de 2024, dia em que se fosse vivo Amílcar Cabral completaria 100 anos. Fundador do então Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que em Cabo Verde deu lugar ao Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), e líder dos movimentos independentistas nos dois países, Cabral foi assassinado em 20 de janeiro de 1973, em Conacri.

Ministério da Cultura de Cabo Verde assume candidatura de escritos de Cabral à UNESCO

O ministro da Cultura cabo-verdiano, Abraão Vicente, garantiu hoje que o seu ministério vai assumir a responsabilidade institucional e os custos da candidatura dos escritos de Amílcar Cabral ao programa “Memória do Mundo” da UNESCO.

“Estamos a afinar o alinhamento para essa candidatura, após um primeiro momento com algum ruído, em que ficou esclarecido que não é só os custos, institucionalmente é responsabilidade do Ministério da Cultura fazer todo o processo”, garantiu o ministro.

Abraão Vicente falava, na cidade da Praia, após um encontro com Pedro Pires, presidente da Fundação Amílcar Cabral (FAC), para abordar, entre outros assuntos, a candidatura dos escritos do líder histórico da independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde ao programa “Memória do Mundo” da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

O titular da pasta da Cultura e das Indústrias Criativas sublinhou que a FAC fez um “trabalho benevolente e voluntário” de investigação, que agora vai servir de anexo e base de suporte ao preenchimento do formulário padrão de qualquer candidatura a património da humanidade.

Abraão Vicente disse que o Governo está a dar passos nesse sentido e que até maio já haverá uma resposta quanto ao financiamento e até junho ou julho a realização de um ‘workshop’ sobre a candidatura.

“Mas o objetivo aqui é ter um dossier com possibilidade de ser aceite e ser inscrito”, frisou o ministro, dando como exemplo a candidatura da morna, que foi falada durante muitos anos, mas nunca houve um dossier.

“A mesma coisa em relação aos escritos de Amílcar Cabral, se não fizermos um trabalho sistematizado, rigoroso, científico, corremos o risco de andar aqui anos e décadas a falar dessa possibilidade, esse sonho”, alertou.

Além dos escritos de Amílcar Cabral, o ministro deu conta de que Cabo Verde tem em processo a candidatura da cimboa (instrumento musical) em risco de extinção, que também pode ser candidata a património da humanidade, e está a ultimar a candidatura a património da humanidade da tabanca, bem como do campo de concentração do Tarrafal, embora suspenso.

Abraão Vicente informou ainda que já foi pedida uma consultoria à UNESCO no valor de 25 mil dólares (22,8 mil euros) para financiar a ida de uma equipa ao país, para formar a comissão nacional de memória do mundo, que é nova em Cabo Verde, no sentido de cumprir a sua missão não só em relação à candidatura dos escritos de Amílcar Cabral, mas também em relação a outros escritos que o país possa ter e que considera que tenha valor de património da humanidade.


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