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Compact Records celebra 25 anos com festival

Escrito por em 13/03/2022

A importação de discos para Portugal começou “por brincadeira”, mas a Compact Records transformou-se numa das principais empresas de distribuição de música em Portugal e, 25 anos depois, quer continuar a “levar o nome da Maia ao mundo”.

“Quando entro no negócio, em 1997, aí já estava um bocado mau, mas, no início dos anos 1990, qualquer pessoa vendia música, percebesse ou não percebesse. A procura era maior do que a oferta. Isto foi mudando, já era preciso começar a perceber um bocado de música para se vender. Depois já foi preciso perceber um bocado de negócio para se vender”, conta à jornalista Inês Linhares Dias, da Lusa, Abílio Silva, dono e fundador da Compact Records, sediada a partir da Maia, no distrito do Porto.

É “maiato nascido” e é também do berço, afiança, que veio o interesse pela música. Foi compreendendo o mundo do negócio com um tio, “o melhor empresário” que conheceu, e a música revelou-se o caminho óbvio.

“Isto começou quase por brincadeira, mas há muitas coisas que começam assim. Era um consumidor tremendo de música – vinha aqui todos os sábados comprar discos, fazia as lojinhas todas, comprava discos em todo o lado”, conta em entrevista à Lusa, na sua loja no Porto, a Tubitek.

Tinha amigos em bandas, passava a vida em concertos, e foi-se entrosando no meio, até que lhe chegou às mãos o contacto de “um grande armazém nos Países Baixos”. “A única coisa que eles queriam era que tivéssemos um número de contribuinte”. Coisa pouca.

Criada a empresa, os discos começaram a chegar: “Começámos a trazer para nós. Começámos a importar coisas que havia cá, mas também muita coisa que não se arranjava, porque não é como agora, não era muito fácil”.

Lembra-se de, no início, arranjar o “Lindy’s Party”, de The Bolshoi, um “disco histórico que estava descatalogado. Foi, se calhar, a primeira grande venda”. Seguiram-se outras importantes, como os Muse, que “a editora achava que não valia nada”, quando a Compact Records os começou a trazer para Portugal.

Do circuito que criou junto de pequenas lojas, saltou para gigantes como a FNAC ou a Virgin. Viu o seu trabalho reconhecido até mesmo pelos artistas, como foi o caso de Dave Matthews Band, que mandou um ‘email’ a dar os parabéns à empresa quando chegou a Portugal, para dar um concerto no então batizado Pavilhão Atlântico, e viu a discografia toda à venda na FNAC, numa altura em que a banda não vendia em nenhum país europeu devido a um litígio.

“Eu guardei esse ‘email’. Ainda o tenho lá. É quando se sente que o trabalho está realizado”, confessa. Mas há sempre mais a fazer e, quando a Internet surgiu como um canal de distribuição, começaram a exportar também música portuguesa, “porque começou a haver facilidade de as pessoas lá fora ouvirem música portuguesa”.

Nomes como Madredeus, Mariza, Dulce Pontes ou Amália Rodrigues, que sempre venderam bem no mercado internacional, destaca, mas lembra-se “de vender uma vez The Legendary Tigerman para o Japão”, e de fenómenos de vendas como Gisela João ou Dead Combo, “mas isso teve a ver com o programa do Anthony Bourdain”.

Um quarto de século depois, admite que “o negócio mudou, teve várias fases”, mas o problema, que “muita gente atribui à Internet – e é verdade” –, mas o mal maior foi “a ganância”. O CD “veio baixar o preço da música, porque o custo de fabrico é consideravelmente mais baixo do que um vinil. O problema foi que a ganância ganhou, ou seja, quando as pessoas começaram a vender CD, porque começou a vender muito, as editoras tinham-nos ainda mais caros do que se vendia o vinil”.

“A ganância venceu e a ganância é o que mata qualquer negócio. Temos de saber ganhar dinheiro com o nosso trabalho, com o nosso esforço. Quando queremos ser gananciosos, vamos ganhar naquela altura, mas vamos perder mais tarde”, lamenta.

Depois de vários anos de crise, “o vinil veio revitalizar isto e veio trazer pessoas às lojas outra vez”, confessa, acrescentando que o turismo no Porto também dá um empurrão ao negócio. Nos últimos dois anos, marcados pela pandemia de covid-19, “mesmo sem turismo, as vendas aumentaram”.

“Tivemos 2021 melhor do que 2020, e 2020 melhor que 2019. E, em ambos os anos, estivemos cerca de três meses fechados – houve dois confinamentos”, adianta o empresário, referindo-se apenas às vendas em loja.

Este ano ainda vai curto, mas já augura a continuidade do crescimento: “Este mês de fevereiro já foi melhor do que fevereiro passado”, conta. Com 25 anos de história no bolso, a Compact Records decidiu assinalar o marco com um festival que se realiza no Complexo Desportivo da Maia.

O Maia Compact Records Fest arranca no dia 18 de março, com Herman José e The Last Internationale, seguindo-se Orchestral Manoeuvres in the Dark, Human League, UHF e Táxi, um dia depois. A 20 de março atuam no evento Editors, dEUS, Mão Morta e The Legendary Tigerman. Os bilhetes já estão à venda nas lojas Tubitek – também presente na Baixa de Lisboa, desde o final de 2020 -, e na Blue Ticket.


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