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TNSJ recebe “Floresta de Enganos” por João Pedro Vaz

Escrito por em 12/03/2022

A “Floresta de Enganos”, de Gil Vicente, sobe ao palco do Teatro Nacional S. João, no Porto (TNSJ), pela mão de João Pedro Vaz, que encara a peça como uma “versão vicentina” de “um sonho de uma noite de verão”.

A trama começa com um “par enigmático”, o filosofo e o parvo, amarrados com uma corda, que vão antecipar as figuras que vão ser enganadas ao longo da trama, escrita “na era do Senhor de 1536” e que é a ultima comédia escrita por Gil Vicente.

Em palco são apresentados três enganos: dois mais mundanos – um mercador enganado por um homem em trajes de viúva, outro, em que o doutor Justiça Maior é enganado por uma mocinha – e, o terceiro, o mais longo em cena, o engano que envolve Cupido, Apolo, o rei Telebano e a filha, a princesa Grata Célia, que acaba desterrada na Sierra Minia.

“Tudo se passa na floresta, desde sempre o espaço maior do idílio e do engano, da transformação pelo amor, ou seja, do teatro. Como num ‘sonho de uma noite de verão’ vicentino”, referiu o encenador, à margem de um ensaio de imprensa, aludindo ao universo da mais tardia peça de Shakespeare.

Para João Pedro Vaz, que encena Gil Vicente pela primeira vez, o facto de a ação se passar num ambiente de floresta foi decisivo para a escolha: “Quando me foi proposto encenar Gil Vicente a ideia de floresta foi essencial (…); queria que o espaço floresta fosse protagonista do enredo, a floresta é um sitio de enganos, trocas, sítios escuros, um espaço metafórico da própria ideia do teatro”, explicou.

João Pedro Vaz salientou a “presença feminina” da sua encenação, seja com as personagens, seja com a presença em palco, ao longo de toda a peça, de um alaúde tocado por uma mulher, escolha propositada.

“Não acho que a peça tenha a intenção de deslindar problemas que dizem respeito à relação entre homem e a mulher e à masculinidade tóxica, a ideia de posse, é uma coisa mais divertida para ele, mas acabou por surgir”, referiu.

À peça original, o encenador, que assume não ser fiel ao texto – tendo como missão ser “fiel na vida, infiel em palco” -, acrescentou o lamento de Vénus de “Frágua de Amor” (1524), animais e máscaras.

“É uma floresta que é habitada por várias personagens. Os animais que aparecem não estão no texto, aparece Apolo, duas deusas mascaradas, um fauno, um anjo. Eu quis acrescentar esses mascarados todos para reforçar esse ambiente de floresta, que tem personagens, fauna e personagens de outra dimensão”, disse, explicando que assim conseguiu um outro efeito inesperado.

“No fim tenho os atores todos alinhados, um pastor, princesa, cupido, um fauno e ali percebo que foi sem querer mas acabei por fazer uma antologia de personagens vicentinas, esta mistura entre mascarados, pessoas e animais”, salientou.

Com encenação de João Pedro Vaz, “Floresta de Enganos” tem cenografia e figurinos de Sara Vieira Marques, máscaras e assistência de encenação de Gonçalo Fonseca, e interpretação de Afonso Santos, Hugo Paz, Joana Carvalho, João Melo, Lia Carvalho, Mário Santos, Rodrigo Santos e Ananda Miranda (em alaúde). “Floresta de Enganos” vai estar em cena de 16 de março a 3 de abril, de quarta-feira a sábado, às 19:00 e, ao domingo, às 16:00, com legendas em inglês.


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