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Ucrânia: Cartoonistas “estão particularmente ameaçados”

Escrito por em 11/03/2022

A associação Cartooning for Peace alerta que há vários ‘cartoonistas’ na Ucrânia e na Rússia que estão a tratar de fugir da região, afetada pela guerra, porque “agora estão particularmente ameaçados”.

O ‘cartoonista’ ucraniano Vladimir Kazanevsky “teve de deixar Kiev” por razões de segurança, mas fez “questão de ficar” no país e de “resistir” através do ‘cartoon’, contou à Lusa, na cidade francesa de Angers, Laure Simões, diretora editorial da Cartooning for Peace, à margem da inauguração da exposição temática “Cartooning for Women”.

Criada em 2006 por iniciativa do desenhador Plantu e de Kofi Annan quando era secretário-geral das Nações Unidas, na sequência da polémica em torno da publicação de ‘cartoons’ de Maomé por um jornal dinamarquês, a Cartooning for Peace (‘Cartoons’ pela Paz) está “em contacto estreito” com os ‘cartoonistas’ da região, “nomeadamente com os russos, que há anos fazem um trabalho extremamente corajoso para denunciar o regime de Putin” e que “agora estão particularmente ameaçados”, sublinhou Laure Simões.

“Nunca foi tão publicado o Kazanevsky como nesta altura nos meios e na imprensa europeia, porque aquilo que ele está a fazer desde a Ucrânia é uma coisa extremamente corajosa”, enalteceu.
“Cada dia ele envia-nos ‘cartoons’. Deixou o computador em Kiev, faz ‘cartoons’ com papel e lápis”, que depois fotografa com o telemóvel e envia à associação, detalhou.

O objetivo da Cartooning for Peace não podia ser mais claro, desde logo no nome: “A palavra ‘paz’ está no centro de todas as nossas ações”, resume Laure Simões, explicando que a associação orienta a sua ação pela defesa e promoção dos direitos humanos.

Convidada pelo Fórum pela Igualdade, iniciativa enquadrada na Temporada França-Portugal 2022 e na presidência francesa do Conselho da União Europeia, a Cartooning for Peace trouxe a Angers duas cabeças de cartaz, a portuguesa Cristina Sampaio e a francesa Adene, que participaram em atividades pedagógicas em escolas, e uma exposição de ‘cartoons’ dedicados aos direitos das mulheres (“Cartoon for Women”), que pode ser vista em dois locais públicos da cidade francesa.

Cristina Sampaio falou à Lusa sobre o “privilégio” que é pertencer à Cartooning for Peace desde 2009 (juntamente com mais alguns portugueses, entre os quais André Carrilho, também exposto em Angers).

“Há um lado militante no meu trabalho”, assume, recordando que começou a desenhar quando era adolescente, no 25 de Abril de 1974. Essa “intervenção política e social ganha força num coletivo”, assinalou a desenhadora, que entregou o desenho original alusivo às dificuldades que os artistas portugueses passaram durante a pandemia à ministra da Cultura, Graça Fonseca, que esteve em Angers para abrir o Fórum pela Igualdade.

Integrar a associação tem dado a Cristina Sampaio a oportunidade de conhecer desenhadores de todo o mundo e de explorar o lado pedagógico do ‘cartoon’, nos contactos com as escolas. Realçando que existem poucas ‘cartoonistas’ mulheres em atividade, Cristina Sampaio explicou o significado dos seus dois desenhos que estão expostos no âmbito da Cartooning for Women.

“A Mulher de Vitrúvio” representa uma mulher nua, com vários outros braços para além dos quatro do Homem de Vitrúvio de Leonardo da Vinci, para segurarem biberões e outros utensílios que simbolizam todo o trabalho extra das mulheres. No outro desenho, uma mulher faz “um trabalho tradicionalmente do homem, está vestida com um fato de macaco a empurrar um carrinho de mão, enquanto o homem está a empurrar o carrinho de bebé”.

A exposição “Cartooning for Women” – que é acompanhada por um livro temático com dezenas de desenhos alusivos aos direitos das mulheres, publicado pela editora francesa Gallimard – poderá ser vista até 31 de março no Jardin des Plantes e no Musée Pincé, em Angers.


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