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Escritor e ativista ugandês detido pelas autoridades

Escrito por em 11/03/2022

O escritor e ativista dos direitos humanos ugandês Norman Tumuhimbise foi detido dias antes do lançamento do seu mais recente livro, disse o seu advogado, tornando-se o segundo escritor a ser detido pelas autoridades nos últimos meses.

Tumuhimbise, que dirige um grupo de pressão local chamado ‘The Alternative Movement’ (“O Movimento Alternativo”), deveria lançar o seu livro “The Liars and Complices” (“Os Mentirosos e Cúmplices”) em 30 de março.

Nas últimas semanas, o autor tem vindo a promover o livro, que é crítico em relação ao Presidente do Uganda, Yoweri Museveni. “Tumuhimbise foi detido numa rusga por agentes de segurança armados enquanto assistia a uma reunião com os seus colegas nos seus escritórios ontem [quinta-feira] à noite e o seu paradeiro é desconhecido”, disse à agência France-Presse o seu advogado, Samuel Wanda.

O escritor e nove colegas foram levados numa carrinha na quinta-feira à noite, disse Wanda, acrescentando que vários telefonemas à polícia e ao exército sobre o destino dos 10 homens tinham ficado sem resposta.

“Suspeitamos que a causa da prisão e detenção está ligada ao livro que ele escreveu”, disse Wanda. Contactados pela agência noticiosa, a polícia e o exército não responderam. A notícia da detenção chega pouco mais de um mês depois de o autor ugandês Kakwenza Rukirabashaija ter ido para o exílio.

Chegou à Alemanha em fevereiro após ter fugido do Uganda, onde diz ter sido torturado após a sua detenção num caso que suscitou preocupação internacional, com a União Europeia e os Estados Unidos da América a exigir a sua libertação.

As acusações contra Rukirabashaija estão ligadas a comentários pouco lisonjeiros na rede social Twitter sobre Museveni, que governa o Uganda desde 1986, e o seu poderoso filho Muhoozi Kainerugaba.

Kakwenza Rukirabashaija foi preso em 28 de dezembro e acusado de “comunicação ofensiva” contra o Presidente Yoweri Museveni e o seu filho, general Muhoozi Kainerugaba, numa série de publicações no Twitter.

Nestas, o autor chamou ao general, que muitos veem como o sucessor do seu pai, atualmente com 77 anos e no poder desde 1986, “obeso” e um “resmungão”. Libertado sob fiança em 26 de janeiro, o escritor de 33 anos fugiu do país duas semanas mais tarde, embora o seu julgamento estivesse previsto para 23 de março.

Os últimos anos têm sido marcados no Uganda por uma repressão contra jornalistas, pela prisão de advogados e pelo silenciamento de líderes da oposição.


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