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“Cobracoral” junta três mulheres num álbum que explora a voz e o canto

Escrito por em 11/03/2022

A coreógrafa portuguesa Catarina Miranda, a cantora e investigadora francesa Clélia Colonna e a artista turca Ece Canli juntam-se em “cobracoral”, com um disco homónimo que explora o canto “em pulso”.

“O método, o ponto de encontro que encontrámos é um desenvolvimento progressivo e minimal através de um ritmo em curso. Somos três e vamos em triângulo, sempre a respeitar a mesma ordem”, a que acrescem “transformações pequeninas, progressivas, camadas” que desenvolvem “de forma lenta e sistemática uma peça da música”, explica Clélia Colonna à jornalista Inês Linhares Dias, da Lusa.

Clélia Colonna é cantora, ‘performer’ e investigadora do canto polifónico oriental mediterrânico, Catarina Miranda usa a voz no seu trabalho de coreógrafa, e Ece Canli explora técnicas vocais expandidas. Juntaram-se num projeto de onde nasceu um álbum que é apresentado este sábado, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Cobracoral surge do encontro de três mulheres com “a mesma vontade de trabalhar sobre canto”, mas com “’backgrounds’ muito díspares”, diz Catarina Miranda, contando que, para chegar ao tal ponto de encontro, fizeram uma residência “para explorar sistemas que poderiam ser pertinentes”.

“Quando digo sistemas, digo sistemas de ritmo, e ritmo em espacialização”, concretiza. Daí surgiu “o canto em pulso, que quer dizer em triângulo”, que “é como se fosse um cânone, com três pontos de partida que estão interligados e se vão desenvolvendo em ritmo”, adianta a coreógrafa.

“Começámos por praticar o ‘background’ de cada uma, de conhecer, e depois começámos a criar o nosso próprio vocabulário de composição juntas”. O que é “especial” neste trabalho, considera Catarina Miranda, “é a transformação constante das paisagens que se vão criando através da voz, de voz ‘acapella’, sem efeitos ou outros instrumentos, e pela composição rítmica”.

“Vamos sempre construindo paisagens, não só sonoras, mas também imagéticas, que estão em constante transformação”. Clélia Colonna atreve-se a dizer que “o tato é mais aquático”, mas Catarina Miranda não consegue caracterizar o disco.

Conseguem, no entanto, adiantar a inspiração para alguns temas, como o terceiro do álbum, “golfin”, que partiu de um farol, “da luz que passa”. O homónimo “cobracoral”, editado pela Lovers & Lollypops, já está disponível na plataforma ‘online’ bandcamp, e será apresentado, este sábado, no Centro Cultural de Belém. Há já mais concertos planeados para a primavera, bem como a edição do disco em vinil.

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