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Espólio literário de Carlos de Oliveira doado a Vila Franca

Escrito por em 10/03/2022

O espólio literário de Carlos de Oliveira, composto pela obra, memorialismo, correspondência e fotografias, no valor de 233 mil euros, foi doado à autarquia de Vila Franca de Xira, que formaliza a doação junto dos herdeiros no próximo sábado.

O auditório do Museu do Neo-Realismo recebe, assim, no dia 12 de março, dois eventos relacionados com o autor de “Uma abelha na chuva”, no âmbito das comemorações do seu centenário: a assinatura do contrato de doação de bens culturais do seu espólio e uma sessão evocativa dos cem anos do seu nascimento, anunciou a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (CMVFX).

Entre os bens doados ao município pelos herdeiros, contam-se a produção literária do autor (composta por poesia, romance, conto, crónica e ensaio), a sua história pessoal (através de biografias, entrevistas, depoimentos e memorialismo), bem como a sua correspondência.

Fazem ainda parte do espólio do escritor bens referentes às suas atividades culturais, políticas, associativas, documentos pessoais, fotografia, documentos impressos (notícias e críticas sobre o autor e sobre a obra), documentos de outros escritores (originais manuscritos e dactiloscritos), artes plásticas, monografias e publicações periódicas e documentos ‘post mortem’ (sobre o autor e sobre a obra).

O espólio literário de Carlos de Oliveira já tinha sido incorporado no Museu do Neo-Realismo e decorreu em três fases. Em 2011 deu-se a primeira incorporação, cedida pela viúva do escritor, Maria Ângela Ferreira Jesus de Oliveira e doado com um valor patrimonial de 123.412,20 euros.

A segunda e terceira incorporações tiveram lugar a 12 de junho e 12 de novembro de 2013, respetivamente, mas só agora será formalizada junto dos herdeiros do escritor (Maria Paula Serra de Oliveira e Filipe Diogo Paiva Serra de Oliveira), no valor patrimonial de 109.950 euros.

Segundo a CMVFX, atualmente os bens doados encontram-se em reserva no Museu do Neo-Realismo, disponíveis para consulta e pesquisas no Centro de Documentação, sendo Carlos de Oliveira um dos autores mais procurados por académicos e investigadores.

O espólio existente no acervo do museu não compreende a totalidade dos bens culturais do escritor, nomeadamente a biblioteca particular que se encontra dividida entre o Museu do Neo-Realismo e a Casa de Febres, em Cantanhede.

No âmbito do centenário de Carlos Oliveira o museu tem patente ao público uma mostra sobre o autor na livraria. Ainda no sábado, a seguir à assinatura do contrato de doação, será realizada uma sessão evocativa do centenário de Carlos de Oliveira, com as presenças de Raquel Henriques da Silva, diretora científica do Museu do Neo-Realismo, António Pedro Pita, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), e Osvaldo Silvestre, professor associado da FLUC, que comissariou a “Exposição Carlos de Oliveira: A parte submersa do iceberg”, que esteve patente no Museu do Neo-Realismo em 2017.

Carlos de Oliveira nasceu em Belém do Pará, Brasil, a 10 de agosto de 1921, e morreu em Lisboa, a 01 de julho de 1981. Filho de emigrantes portugueses, viveu no Brasil até aos 2 anos de idade, mas foi em Febres, Cantanhede, onde a família se fixou a partir de 1923, que passou a sua juventude, o que marcaria profundamente a sua escrita.

Estudou em Coimbra, onde se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas em 1947, e onde estabeleceu amizade e proximidade ideológica e política com Joaquim Namorado, João Cochofel e Fernando Namora. No ano seguinte mudou-se para Lisboa, onde manteve colaborações pontuais em vários jornais e revistas, como Altitude, Seara Nova e Vértice.

Em 1942 lançou o seu primeiro livro de poemas, “Turismo”, integrado na coleção Novo Cancioneiro. Entre 1943 e 1953 publicou a maior parte da sua obra de prosa: “Casa na Duna” (1943), volume da coleção dos “Novos Prosadores”, “Alcateia” (1944), “Pequenos Burgueses” (1948) e “Uma Abelha na Chuva” (1953), esta última considerada uma das mais importantes obras da literatura portuguesa e que se tornaria um clássico de leitura obrigatória nos programas escolares até final da década de 1990.

Em 1971 foi editada a coletânea de crónicas e artigos “O Aprendiz de Feiticeiro” e, em 1976, toda a sua poesia foi reunida em dois volumes intitulados “Trabalho Poético”. O seu último romance, “Finisterra, paisagem e povoamento” foi publicado em 1978, ano em que o autor foi agraciado com o Prémio Cidade de Lisboa.

Entre outras distinções, ganhou o Prémio Literário da Casa da Imprensa 1971, com o livro de poesia “Entre duas memórias”. Na poesia Carlos de Oliveira é considerado inovador e um dos poetas do neorrealismo que mais marcas deixou na tradição poética portuguesa.


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