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Noiserv, Gisela João e Carlão atuam no Convento São Francisco

Escrito por em 13/01/2022

Concertos de Noiserv, Carlão e Gisela João, uma peça que junta Lúcia Moniz e Pedro Lamares, ou uma coreografia sobre o músico cabo-verdiano Orlando Pantera são algumas das propostas do Convento São Francisco, em Coimbra, para o primeiro semestre.

“É uma programação muito variada e rica”, afirmou o presidente da Câmara de Coimbra, José Manuel Silva, na apresentação da programação daquele espaço cultural para o primeiro semestre de 2022, destacando que estão previstos mais de 100 eventos nos primeiros seis meses do ano.

A arquiteta Isabel Worm, responsável pela assessoria cultural do Convento São Francisco, salientou que a programação, já sem grande parte dos problemas da pandemia e da necessidade de remarcação de espetáculos, traz à cidade “espetáculos de qualidade, oferecendo diversidade” e o acesso à cultura “com preços sociais”.

Para além de grandes nomes, Isabel Worm destacou o trabalho contínuo de relação do espaço com produtores e criadores de Coimbra, espelhado na programação deste semestre. Na área da música, vão passar pelo Convento São Francisco Pedrou Abrunhosa, Gisela João, que apresenta “Aurora”, o multi-instrumentalista Noiserv, o grupo conimbricense Cordis, Carlão e Arnaldo Antunes, que integrou o grupo brasileiro Titãs, entre outros.

Ainda nessa área, em maio, será apresentada uma “grande produção” do Convento, intitulada “Requiem para uma morte anunciada”, com direção artística de Pedro Lopes e Tiago Curado de Almeida e com direção musical de Luís Figueiredo, que pretende marcar “uma viragem no caminho da renovação” da Canção de Coimbra, destacou Isabel Worm.

O Convento irá também receber o espetáculo de ‘stand up comedy’ do brasileiro Fábio Porchat, um dos fundadores do coletivo Porta dos Fundos. Na área da dança, o Convento São Francisco volta a coorganizar o festival Abril Dança em Coimbra, recebendo a nova criação da coreógrafa Clara Andermatt, que homenageia o músico cabo-verdiano Orlando Pantera, numa peça que conta com a participação especial da cantora Mayra Andrade.

No ciclo “Somos Livres”, dedicado ao 25 de Abril, o destaque vai para uma peça que junta Lúcia Moniz e Pedro Lamares, numa criação baseada na amizade de Sophia de Melo Breyner com Jorge de Sena.

Já nas comemorações do centenário do nascimento de José Saramago, será apresentado o espetáculo “Memorial do Convento”, encenado pela companhia Dança em Diálogos, e haverá um recital de Joana Manuel com Maria do Mar sobre as vozes de mulheres na obra do Nobel da Literatura.

Pelo Convento São Francisco, haverá ainda um ciclo de miniconcertos no Café-Concerto, visitas guiadas e exposições, entre outras iniciativas. A programação completa pode ser consultada em www.coimbraconvento.pt.

Câmara de Coimbra quer retomar agenda cultural conjunta com Universidade

O presidente da Câmara de Coimbra afirmou hoje que tem intenção de retomar uma agenda cultural conjunta com a Universidade, depois de uma experiência passada, em 2014, ter fracassado por um jornalista ter registado a marca.

“Não há uma divulgação suficientemente efetiva da atividade cultural de Coimbra – não só do município, mas também da Universidade de Coimbra. Queremos incrementar a divulgação e chegar a mais pessoas e uma das coisas em que estamos a trabalhar é na construção de uma agenda cultural única”, afirmou José Manuel Silva, durante a apresentação da programação do primeiro semestre do Convento São Francisco.

Aos jornalistas, o autarca realçou que o objetivo dessa agenda é “estar aberta a todos os agentes culturais” da cidade. Questionado sobre o que se alterou para esse projeto ser retomado, José Manuel Silva disse que “mudou a vontade e determinação da Câmara de Coimbra, porque da parte da Universidade de Coimbra sempre houve essa disponibilidade”.

De recordar, que em 2014, quando a Universidade de Coimbra era liderada por João Gabriel Silva, irmão do atual presidente do município, foi anunciada a criação da Agenda7Coimbra, uma plataforma de divulgação de eventos, numa parceria entre aquela instituição do ensino superior e o município, na altura liderado por Manuel Machado (PS). No entanto, a experiência teve uma vida curta.

Hoje, no seu ‘site’, está apenas uma explicação para o fim dessa mesma agenda, esclarecendo que a plataforma foi lançada publicamente a 14 de abril de 2014, sendo que, no dia anterior, a Universidade recebeu um e-mail assinado pelo responsável do órgão de comunicação local Notícias de Coimbra, Fernando Moura, a dizer que tinha registado a marca “Agenda7Coimbra”.

“Era então proposta à Universidade de Coimbra e à Câmara Municipal de Coimbra que recuperassem a marca com a contrapartida de lhe serem pagos os valores despendidos com o registo e se organizar uma cerimónia para cedência da marca, que devia integrar “um espectáculo gratuito” e um concerto “abrilhantado pelos conceituados artistas Rosinha e Pete Tha Zouk””, refere a nota explicativa da Universidade de Coimbra.

A Universidade de Coimbra pediu o indeferimento do registo de Fernando Moura, mas o INPI recusou esse pedido, tendo a instituição optado por não recorrer aos tribunais. Face à decisão no final de 2014, a Universidade de Coimbra decidiu descontinuar o uso da marca Agenda7Coimbra. Posteriormente, a Universidade criou uma agenda própria – agenda.uc.pt.

Contactado pela Lusa, Fernando Moura referiu que decidiu, na altura, registar a marca para “provar que aquela reitoria era negligente e não acautelava os interesses da Universidade”. “Obviamente que o concerto da Rosinha e do Pete Tha Zouk era uma brincadeira”, acrescentou, alegando que, em 2014, o Notícias de Coimbra era “perseguido pela Universidade”, que “ostracizava o jornal, não dava publicidade e chegou a cortar no envio de notas de imprensa”. “Foi uma lição que lhes quis dar”, comentou.

Questionado sobre se não via qualquer problema ético naquela situação, Fernando Moura realçou que tomou aquela decisão “não enquanto jornalista, mas enquanto sócio-gerente da empresa detentora do jornal”.

Segundo Fernando Moura, a marca acabou por ser comprada pela Câmara de Coimbra, em 2017, por cinco mil euros, após “avaliação por uma empresa especializada”, mas o jornalista frisou que, em nenhum momento, quis retirar qualquer contrapartida financeira com o registo da agenda cultural.


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