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Cinemateca abre concurso para digitalizar cinema português

Escrito por em 12/01/2022

A Cinemateca Portuguesa vai abrir um concurso internacional para escolher uma empresa ou consórcio que participe na execução do projeto de digitalização do cinema português, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Em declarações hoje à jornalista Sílvia Borges da Silva, da Lusa, o diretor da Cinemateca Portuguesa, José Manuel Costa, explicou que, nas próximas semanas, abrirá um concurso internacional “para contratar uma empresa ou consórcio de empresas que assumirá a responsabilidade de executar o conjunto das tarefas” previstas no plano de digitalização de longas e curtas-metragens da história do cinema português.

A Cinemateca terá de avançar com um concurso, porque, por questões de orgânica, não pode fazer contratação direta de técnicos e profissionais. A empresa, ou consórcio de empresas, selecionada auxiliará a Cinemateca no processo de digitalização, que contará com várias fases, sendo que a maior parte delas decorrerá nas instalações no Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM), disse o diretor.

A direção da Cinemateca fez hoje, numa sessão em Lisboa para produtores, realizadores e outros agentes do cinema e audiovisual, uma apresentação detalhada do projeto de digitalização previsto no PRR.

Já em dezembro, José Manuel Costa tinha apresentado publicamente em traços gerais o plano de digitalização de mil filmes portugueses até 2025, considerando que é uma oportunidade de divulgar o cinema português “como nunca chegou a ser até agora”.

Segundo o PRR, serão disponibilizados dez milhões de euros para a compra de equipamento e aquisição de serviços para digitalizar um milhar de filmes portugueses, entre longas e curtas-metragens, “originalmente produzidas/exibidas em película”.

Haverá ainda 900.000 euros destinados à modernização do Arquivo Nacional da Imagem em Movimento, dependente da Cinemateca Portuguesa. O plano abrangerá “todo o universo das longas-metragens ainda não digitalizadas”, ou seja cerca de 500 títulos produzidos desde 1920 até 2010.

Serão também digitalizadas algumas centenas das 13.500 curtas-metragens que estão em arquivo na Cinemateca, “de toda a espécie e tipologia de produção”. José Manuel Costa recordou hoje à Lusa que quando tomou posse como diretor da Cinemateca, em 2014, uma das prioridades foi a criação de “um plano de digitalização global para o cinema português”.

Os orçamentos para a área Cultura nunca permitiram à Cinemateca a concretização de um plano estratégico para cumprir esse objetivo – embora tenha havido trabalho de preservação e digitalização -, por isso José Manuel Costa considera que o PRR “é uma oportunidade histórica que o cinema tem de aproveitar”.

José Manuel Costa cumprirá 70 anos em 2023, e o seu segundo e último mandato como diretor da Cinemateca é até 2024, ou seja, um ano antes do prazo de conclusão do projeto no PRR, o que significa que o trabalho de divulgação do cinema português digitalizado já ficará para a próxima direção.

Até ao final do mandato, a par da concretização da digitalização do cinema português, José Manuel Costa quer ainda “lançar as bases” para que a Cinemateca Portuguesa tenha um outro estatuto orgânico, há muito reclamado face a constrangimentos burocráticos, por estar na dependência da administração central. “Por causa das especificidades da Cinemateca, criaram-se disfunções que devem ser alteradas, e proporei até ao último dia em que aqui estiver”, disse.

PRR foi “a medida mais estrutural” para o cinema e audiovisual – Nuno Artur Silva

A inclusão do cinema e audiovisual no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) foi “a medida mais estrutural” tomada pela tutela para o setor, afirmou hoje à agência Lusa o secretário de Estado Nuno Artur Silva.

“É talvez a medida mais estrutural que tomámos em relação ao setor. É uma medida que fica para o futuro, era desejada há muitos anos e termos incluído a medida no PRR parece-nos que resolve um problema estrutural de há muitos anos”, disse o secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media.

Nuno Artur Silva falava à Lusa depois de ter estado presente num encontro em Lisboa, promovido pela Cinemateca Portuguesa, para apresentar com detalhe, aos agentes do cinema e audiovisual, as medidas do Plano de Recuperação e Resiliência.

Segundo o PRR – num arco temporal entre 2022 e 2025 – serão disponibilizados dez milhões de euros para a compra de equipamento e aquisição de serviços para digitalizar um milhar de filmes portugueses, entre longas e curtas-metragens.

Haverá ainda 900.000 euros destinados à modernização do Arquivo Nacional da Imagem em Movimento, dependente da Cinemateca Portuguesa. Em articulação com estas duas medidas, está prevista ainda, no PRR, a aquisição de equipamento de projeção digital de cinema e de vídeo, imagem e tecnologia para 155 teatros, cineteatros e centros de arte contemporânea públicos.

Nuno Artur Silva, que assumiu no final de 2019 a tutela de uma nova secretaria de Estado, dedicada ao Cinema, Audiovisual e Media, concluiu que a aprovação daquele mecanismo de financiamento de âmbito europeu marcou o seu mandato, afetado por “duas contrariedades”: a pandemia da covid-19 e o chumbo da proposta de Orçamento do Estado para 2022.

“Claro que há uma sensação de não ter conseguido levar mais longe aquilo que pretendíamos, com prejuízo para o setor”, disse. Além da resposta de emergência dada ao cinema e audiovisual em contexto de pandemia, Nuno Artur silva elencou ainda outras medidas que foram cumpridas no mandato, nomeadamente a transposição de uma diretiva europeia para o audiovisual, para envolver novos operadores no setor, e o prolongamento do Fundo de Apoio ao Turismo e Cinema.

Para o próximo Governo, que sairá das eleições legislativas do próximo dia 30, Nuno Artur Silva disse que ficarão, por exemplo, a apresentação do novo plano estratégico para o setor e a assinatura do contrato de concessão da RTP.

“O contrato de concessão só pode ser aprovado com reforço de financiamento da RTP, e deve ser feito através da CAV, da contribuição do audiovisual. É o mecanismo correto de financiamento da RTP, que liga o cidadão à sua estação pública diretamente. É uma questão que terá de ser o próximo governo a ponderar. Será um aumento residual no bolso de cada cidadão”, disse.

O plano estratégico para o setor, a elaborar pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual, está “praticamente concluído, mas só faz sentido apresentá-lo no âmbito do próximo executivo”, disse.

“A coisa que mais me custa não ter conseguido desenvolver, que estávamos a trabalhar com a área da Economia, a ideia de que há uma componente desta atividade de cinema e audiovisual que vem do lado da indústria da Economia, que tem a ver com incentivos, mecenato. Isso estava a ser trabalhado com a área da Economia, estávamos a começar a esboçar um plano e foi interrompido”, lamentou.


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