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Teatro Viriato celebra aniversário da Arte com homenagem à mulher

Escrito por em 11/01/2022

A mulher é o epicentro das comemorações do 1 000 059.º Aniversário da Arte, celebrada presencialmente pela primeira vez em Viseu, numa organização do Teatro Viriato em parceria com o vizinho Café do Teatro, anunciou hoje a diretora.

“O aniversário da Arte é celebrado a 17 de janeiro, que é o dia exato em que a arte nasceu. Foi a primeira vez, há 1.000.059 anos, quando uma esponja foi atirada para um balde e se criou uma obra de arte e, a partir daí, tem-se vindo a celebrar, tendo a tradição sido recuperada em 1963, por Robert Filiou”, contou Patrícia Portela.

A diretora artística do Teatro Viriato recorda a ideia do artista francês do movimento Fluxus, o criador de ‘happenings’ Robert Filiou (1926-1987), a partir da qual o curador, escritor, cineasta e artista português Ernesto de Sousa (1921-1988) organizou, com o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, pela primeira vez no país, em janeiro de 1974, a festa comemorativa do 1 000 011.º Aniversário da Arte, congregando criadores como Alberto Carneiro, Albuquerque Mendes, Jorge Peixinho, Ernesto de Sousa e Túlia Saldanha.

Em 2021, o Teatro Viriato organizou atividades comemorativas que aconteceram “apenas com manifestações digitais”, tendo em conta a pandemia de covid-19. Este ano, o aniversário é celebrado “pela primeira vez, em Viseu, com a presença de público”.

“É muito importante celebrar a arte fora dos seus contextos, fora da galeria, do teatro, para que a arte interaja com a comunidade e com o dia-a-dia e quotidiano da forma mais à vontade e mais descontraída possível”, defendeu esta responsável.

Assim, continuou, e porque os seus dias, e de “muitos da equipa”, “começam e terminam no Café do Teatro”, que é ‘paredes meias’ com o Teatro Viriato, a arte estará em forma de exposição neste espaço público.

Patrícia Portela defendeu que “o aniversário da arte é uma festa e há muitas maneiras” de a fazer e, uma delas, é a “remodelar o Café do Teatro, onde estão, desde 1990, 13 painéis de escritores portugueses, todos eles masculinos”.

“E nós achámos, – porque não? -, durante breves meses, termos autoras, algumas delas nascidas em Viseu e, – por que não? -, fazermos uma homenagem, neste caso, uma ‘mulheragem’ (porquê chamar homenagem se são todas mulheres?), portanto, uma ‘mulheragem’ para celebrar as autoras portuguesas”, defendeu.

Neste sentido, o Teatro Viriato convidou três artistas da região – Beatriz Rodrigues, Ana Biscaia e Rosário Pinheiro –, que “escolheram as suas autoras de eleição para ilustrar o Café do Teatro”, onde a exposição será inaugurada em 17 de janeiro, e que ficará patente durante três meses.

“Além disso, convidámos 13 autoras portuguesas vivas que escreveram cartas a outras tantas autoras, umas vivas e outras não, que admiram ou com quem querem dialogar, para continuar a passar cartas umas às outras – é uma maneira de celebrar a festa”, considerou.

Até porque, acrescentou, “num momento como este em que poderá não ser possível comemorar junto e estar uns com os outros, é sempre possível enviar cartas, postais, relembrar os ausentes”.

Patrícia Portela não escondeu que está “muito contente” com esta programação para o aniversário da arte, e justificou a escolha por entender que o objetivo “é celebrar a arte nas suas diferentes formas”.

“E pensámos tornar visíveis as diferentes autoras como proposta de celebração da arte e num café que é, por excelência, um lugar de encontro. E ter esta atmosfera feminina pareceu-nos fundamental. Por isso, foi ‘propositadíssima’ a escolha de serem só mulheres”, assumiu.

Esta responsável reconheceu que, “se calhar, muita gente nem vai dar conta” desta exposição no café, mas “há uma questão muito bonita que a arte tem que é a de tornar visíveis coisas que já lá estão, mas que, às vezes, ninguém repara que estavam”.

“Possivelmente, muita gente vai ao café e nem repara nos autores que lá estão e, agora, se calhar, vão reparar nas autoras e nos autores, e esse é o grande objetivo do aniversário da arte: de nos ultrapassarmos a nós próprios e de nos fascinarmos com outros”, considerou.

No seu entender, este aniversário também proporcionou a criação de “obras únicas” por parte de “cada uma destas artistas que fez quatro obras, todas elas desenhadas, tirando a Rosário [Pinheiro], que ficarão para o teatro; serão 13 telões originais que estarão expostos”.


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