Faixa Atual

Título

Artista


Morreu Pedro Gonçalves dos Dead Combo

Escrito por em 06/12/2021

O músico português Pedro Gonçalves, dos Dead Combo, morreu hoje, em Lisboa, aos 51 anos, disse à Lusa o agente do grupo, José Morais.

O contrabaixista morreu em casa, em consequência de doença prolongada, que já tinha motivado um cancelamento recente de uma série de concertos de despedida dos Dead Combo.

Nascido em Lisboa, em 1970, Pedro Gonçalves é reconhecido sobretudo como um dos fundadores, uma das metades, dos Dead Combo, grupo que criou com o guitarrista Tó Trips em 2003.

Para lá da vida dos Dead Combo, Pedro Gonçalves também foi produtor, tendo trabalhado, por exemplo, com Aldina Duarte e Mazgani, chegou a fazer parte do grupo Ladrões do Tempo, liderado pelo guitarrista Zé Pedro, atuou ainda com Ana Deus e Alexandre Soares, gravou para Rita Redshoes e Soaked Lamb, trabalhou também com Sérgio Godinho, entre outros músicos.

Sobre os Dead Combo, Pedro Gonçalves e Tó Trips referiam-se a “uma descoberta, uma grande amizade, um diálogo musical”, cujo fim foi anunciado em outubro de 2019, com a promessa de uma digressão de despedida nos meses seguintes.

No entanto, a digressão de despedida ficou por cumprir na totalidade por causa da pandemia da covid-19 e pelos problemas de saúde de Pedro Gonçalves.

Em novembro passado, José Morais confirmava à Lusa o cancelamento dos 15 concertos que estavam previstos para esse mês e para dezembro, precisamente pelo agravamento do estado de saúde do músico.

No virar do século, Pedro Gonçalves, vindo do jazz, com formação no Hot Clube de Portugal, e Tó Trips, do universo do rock, começaram a ensaiar juntos, depois de se terem cruzado no final de um concerto do músico Howe Gelb, em Lisboa.

Em 2003 gravaram uma música, “Paredes Ambience”, para uma compilação dedicada a Carlos Paredes, e perceberam que tinham afinidades que poderiam dar frutos, apesar de estarem em paralelos distintos da música independente.

Assumindo duas personagens – um cangalheiro e um ‘gangster’ -, a dupla criou para os Dead Combo temas nos quais ecoa música portuguesa, africana e americana, registada em álbuns como “Dead Combo – Quando a alma não é pequena”, “Lusitânia Playboys”, “Lisboa Mulata” e “Odeon Hotel”.

“Um dos problemas é não saberem bem onde nos encaixar: no rock, na alternativa, na world music. Têm tendência para associar a música ao fado e não tem nada a ver. Também associam à música do [Ennio] Morricone, a Tim Burton, à cidade de Lisboa”, diziam ambos em entrevista à agência Lusa em 2013, quando completaram dez anos de carreira.


Opnião dos Leitores

Deixe uma resposta