Olhares do Mediterrâneo voltam à tela com “a causa da visibilidade”

Escrito por em 08/11/2021

O Festival Olhares do Mediterrâneo – Women’s Film Festival vai regressar ao Cinema São Jorge, em Lisboa, entre quarta e domingo, com 45 filmes e uma série de atividades pela “causa da visibilidade”.

Sara David Lopes, uma das diretoras do festival, conversou com a Lusa sobre a “versão ligeiramente mais pequena” que tomará forma na oitava edição do festival. Com menos sessões e menos filmes, e a suspensão de “praticamente todas as atividades paralelas”, a organização optou pela segurança, porque esperava “um impacto maior”, em resultado da pandemia. Afinal, teve “uma agradável surpresa”, recebendo “bastantes filmes”, assinala Sara David Lopes.

A presença portuguesa inclui a estreia da longa-metragem documental “Elas também estiveram lá”, de Joana Craveiro, e ‘curtas’ de outras seis realizadoras: Cláudia Varejão, Sílvia Coelho (com Paulo Raposo), Maria do Rosário Pestana, Joana Toste, Denise Fernandes e Laís Andrade.

Do estrangeiro serão exibidos filmes com protagonistas de Marrocos, Tunísia, Egito, Síria, Israel, Palestina, Espanha, França, Grécia, Croácia e Roménia. A maioria das 45 curtas e longas-metragens que fazem parte da programação terão estreia nacional (cinco têm estreia mundial).

Como “não podiam faltar filmes sobre o confinamento”, será exibida a média-metragem “Teenage lockdown tale”, em que as restrições impostas pela pandemia de covid-19 são vistas pelos olhos dos adolescentes e filmadas pelos seus telemóveis.

Nas atividades previstas para a oitava edição, mantêm-se as sessões para miúdos e as mesas redondas e ‘masterclasses’, que poderão passar para o formato ‘online’ se for preciso. “Temos tido um público muito fiel e crescente, […] o festival tem-se desenrolado […] com crescimento suave, mas sustentado”, descreve a Sara David Lopes.

“O público escolar tem crescido de uma maneira bastante exponencial”, assinala, realçando que a “veia mais formativa” do festival “tem tido um sucesso muito gratificante ao longo destes anos”. A génese do festival, essa, mantém-se: “dar visibilidade, assumidamente, ao trabalho das mulheres”. Mas não só, porque “a causa da visibilidade” estende-se a outras pessoas e temáticas.

“Acabámos por nos assumir um bocado como um festival que defende essas invisibilidades todas, não é só a das mulheres, é a dos refugiados, das pessoas que não têm recursos, das pessoas mais velhas, das pessoas mais vulneráveis”, reflete a diretora e programadora.

“É sempre um ato de resistência fazer uma oitava edição, seja do que for. Tem sido duro chegar a qualquer edição, desde a primeira”, assume. “Mas, aos bocadinhos, temos conseguido fazer um trabalho que nos merece o respeito”, aponta.

“As irmãs Macaluso”, de Emma Dante, galardoado com vários prémios na 77.ª edição do Festival de Cinema de Veneza, abrirá o festival, na quarta-feira. Caberá a “Holy boom”, de Maria Lafi, uma coprodução de Grécia, Albânia e Chipre, fechar o certame, no domingo.


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