Biografia de Philip Roth e memórias de Ai Weiwei em novembro

Escrito por em 08/11/2021

A biografia do escritor norte-americano Philip Roth, as memórias do artista e ativista chinês Ai Weiwei, o primeiro livro de contos de Chico Buarque e o novo romance de Javier Marías são algumas das novidades editoriais de novembro.

“Philip Roth – A Biografia”, de Blake Bailey, envolta em polémica devido a acusações de agressão sexual contra o biógrafo, que levaram a um cancelamento inicial da sua publicação nos Estados Unidos, chega este mês a Portugal editada pela D. Quixote.

Na altura, a editora portuguesa esclareceu que o que se estava a passar na América não afetava a publicação do livro em Portugal e que não era intenção da editora “privar os leitores de Philip Roth da sua biografia, já falada e anunciada”.

Trata-se de uma biografia autorizada, cujo autor foi escolhido pelo próprio Philip Roth, o único que ficou até ao fim, depois de outros dois biógrafos anteriormente terem desistido do projeto.
Durante dez anos, Blake Bailey passou a pente fino o vasto arquivo pessoal de Philip Roth, entrevistou amigos, amantes e colegas do escritor, para conseguir este “retrato inesquecível de um mestre americano e do panorama literário do pós-guerra”, destaca a editora.

Ao mesmo tempo, mergulha nas amizades e rivalidades de Roth com Saul Bellow, John Updike e William Styron, entre outros, e revela partes da sua vida amorosa, que culminou na relação de 21 anos com a atriz Claire Bloom.

A D. Quixote publica também este mês “Duas solidões”, um livro a quatro mãos, de Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. Com prefácio de Pedro Mexia, este livro é o resultado de um encontro, tido em setembro de 1967, entre o colombiano Gabriel García Márquez e o peruano Mario Vargas Llosa, em Lima, para discutir a literatura latino-americana.

As páginas deste livro revelam uma “conversa sem igual” entre dois escritores, considerados dois génios literários, com duas maneiras diferentes de entender a literatura e temperamentos diferentes, que falam sobre literatura, o ofício de romancista e o processo criativo.

Neste livro encontram-se também textos de Juan Gabriel Vásquez, Luis Rodríguez Pastor, José Miguel Oviedo, Abelardo Sánchez León, Abelardo Oquendo e Ricardo González Vigil, que “recordam esse diálogo inesquecível”, bem como duas entrevistas com o escritor colombiano, uma seleção fotográfica e a reflexão que Llosa faz atualmente sobre a vida e a obra de Gabo.

A Elsinore traz este mês às livrarias portugueses o romance “O comprometido”, de Viet Thanh Nguyen, uma das vozes mais destacadas pela crítica da atual literatura norte-americana, que dá continuidade a “O simpatizante”.

“O comprometido” segue os passos de Vo Danh, o protagonista do romance anterior, “homem com duas mentes”, um espião vietnamita, refugiado na Paris dos anos 1980, onde procura superar o seu passado e integrar-se na cultura francesa, acabando por cair no submundo do crime.

Outra novidade é a publicação, pela Relógio d’Água, dos “Diários” de Sylvia Plath, uma transcrição dos seus pensamentos privados e registos intimistas mantidos durante os seus últimos doze anos de vida, que teve publicação original nos Estados Unidos, em 2000.

Estes escritos, que só foram disponibilizados em 1998 pelo marido da escritora, o também poeta Ted Hughes, revelam as lutas pessoais e literárias de Plath, o seu desespero frequente e a luta contra os seus demónios.

Na mesma editora sairá o novo livro de Rachel Cusk, “Segunda casa”, nomeado na ‘longlist’ do Prémio Booker 2021, bem como o novo romance da escritora irlandesa Sally Rooney, “Mundo belo, onde estás?”, centrado na amizade de quatro jovens na Irlanda, que navegam entre o amor, a amizade e os seus medos quanto ao futuro.

Entre as próximas novidades da Relógio d’Água inclui-se ainda um novo livro de Djaimilia Pereira de Almeida, “Os gestos”, descrito pela autora como “notas sobre a mão e o gesto, entre a morte e a vida”, outro livro de poesia de Louise Gluck, Nobel da Literatura 2020, de quem a editora tem vindo a publicar a obra, e uma nova obra de Hélia Correia, “Inventor de vendavais”, previamente anunciado para o público infantojuvenil.

O grupo Penguin Random House apresenta várias novidades nas suas diferentes chancelas, desde logo, na Objetiva, as memórias do artista e ativista chinês Ai Weiwei. Intitulado “1000 Anos de Alegrias e Tristezas”, e com capa desenhada pelo próprio, este livro apresenta um retrato da China e do processo artístico do autor.

Na mesma chancela será publicado “Renegados”, uma coletânea de conversas entre Barack Obama e Bruce Springsteen, segundo a editora. A Companhia das Letras edita o primeiro livro de Chico Buarque, “Anos de chumbo e outros contos”, no qual o escritor, músico e dramaturgo brasileiro, vencedor do Prémio Camões em 2019, conduz o leitor pela sordidez e o patético da condição humana, dentro da atmosfera de ficção típica de Chico Buarque, na qual impera a “agudeza da observação” e a oposição entre o poético e o cómico.

Outro destaque do grupo editorial é a publicação de “Tomás Nevinson”, de Javier Marias, na Alfaguara, um romance que é “o outro lado do espelho de ‘Berta Isla’, um dos melhores e mais bem-sucedidos romances do autor espanhol”.

A Quetzal vai publicar, de Claudio Magris, “Tempo curvo em Krems”, conjunto de histórias em redor de cinco personagens que enfrentam o tempo sem medo, e de José Eduardo Agualusa, “O mais belo fim do mundo”, livro que reúne crónicas publicadas na imprensa portuguesa e brasileira entre 2018 e 2021, e que pretende mostrar o que mudou ao longo destes três anos.

Outra novidade nesta chancela é “Pompeia – O tempo reencontrado”, de Massimo Osanna, arqueólogo que esteve à frente da equipa que trabalhou no plano de intervenção de Pompeia após a derrocada, em 2010, de um dos edifícios mais emblemáticos, a Casa dos Gladiadores, e que levou à descoberta de mais obras de arte e frescos até então desconhecidos.

Já a Bertrand Editora edita “Inadaptados: Um manifesto pessoal”, um testemunho de Michaela Coel, atriz, argumentista, cantora, poeta e dramaturga britânica, criadora e protagonista da série “I may destroy you”, que venceu os prémios BAFTA e está nomeada para os Emmy, e “Como se fosse um romance: Uma história curiosa do cinema”, de Mário Augusto, uma pesquisa histórica guiada pela curiosidade, que retrata 125 anos da sétima arte, com ilustrações de André Carrilho.

A 8.º número da Granta em Língua Portuguesa, que tem como tema “Longe”, sai este mês pela Tinta-da-China, que publica também o novo romance de Teresa Veiga, “O Senhor d’Além”, “Bom Senso e Bom Gosto”, um “texto essencial para a literatura portuguesa” que se junta à coleção da editora dedicada a Antero de Quental.

Outra novidade desta editora é “Livro de Receitas dos Lugares Imaginários”, de Alberto Manguel, “uma estreia mundial”, que consiste num conjunto de receitas escritas e ilustradas por Alberto Manguel pela primeira vez para esta edição portuguesa.


Opnião dos Leitores

Deixe uma resposta


[Nenhuma estação de rádio na Base de dados]