Fado chega a festival em antigo bairro de lata português

Escrito por em 10/10/2021

A fadista Carminho canta hoje em Champigny, ponto de chegada de portugueses a França nos anos 60 e onde muitos viveram em bairros de lata até conseguirem uma vida melhor, a convite do departamento do Val-de-Marne, arredores de Paris.

“A Carminho vai cantar a Champigny e isso é emblemático. Champigny é uma região onde há muitos portugueses e onde havia o maior bairro de lata nos anos 60 e 70 quando os portugueses chegavam a França”, disse José Távares, programador do Festi’Val de Marne, em declarações à jornalista Catarina Falcão, da Lusa.

O bairro de lata de Champigny era um dos maiores dos arredores de Paris e acolheu imigrantes de diferentes nacionalides, sendo ponto de chegada de milhares de portugueses que nos anos 60 escolhiam França para trabalhar, tendo esta vivência sido registada pelo fotógrafo Gérald Bloncourt. 

Este bairro de lata chegou a ter 15 mil habitantes e foi progressivamente desmantelado. Champigny tem ainda hoje uma forte presença portuguesa através de associações, equipas desportivas e negócios como supermercados e restaurantes detidos por lusodescendentes.

A fadista não é a única lusófona na programação deste festival musical que decorre durante todo o mês de outubro, que no dia 22 de outubro traz a angolana Pongo a Gentilly, outra cidade com uma grande comunidade lusófona na região parisiense.

“Acabou por ser a melhor altura para trazer estas artistas porque a Pongo tem novidades na sua carreira e há já algum tempo que queríamos trazer a Carminho. O Festi’Val de Marne tem exatamente esta função que é trazer não só artistas franceses, mas artistas de todo o Mundo”, explicou José Tavares.

Este festival trouxe já outros cantores lusófonos como Bonga ou Mayra Andrade a este departamento que tem quase 1,4 milhões de habitantes com origens muitos diversas. “A nossa programação no festival é um reflexo do nosso departamento. O Val-de-Marne é um sítio onde há muitas pessoas de diferentes nacionalidades e é isso que queremos mostrar”, declarou José Tavares.

Este português faz também parte desta diversidade, tendo chegado à região parisiense nos anos 60 com sete anos e tendo construído a sua carreira no ramo da música, começando por organizar concertos de bandas rock, depois dirigindo uma sala de concertos e há duas décadas está à frente da programação do Festi’Val de Marne.

Carminho canta hoje no Teatro Gérard Philipe, em Champigny, e Pongo tem concerto marcado no Salão de Festas da Câmara Municipal de Gentilly, onde também residem muitos lusófonos.

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