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TunetRádio Cultura Primeiro
O Goethe-Institut Portugal acaba de lançar um site, no âmbito do projeto “ReMapping Memories Lisboa – Hamburg”, que disponibiliza mapas daquelas duas cidades e artigos sobre lugares de memória (pós)coloniais, com abordagens de contextualização e análise.
O anúncio foi feito hoje pelo Goethe-Institut Portugal, que lançou em maio o projeto “ReMapping Memories Lisboa – Hamburg”, com o objetivo de identificar os lugares do colonialismo no espaço urbano e inscrever testemunhos sobre a sua localização, promovendo “estratégias de descolonialização”, que rompam com perspetivas ainda dominadas pelo passado colonial.
A ideia deste projeto é pensar a relação da cidade com a colonialidade: o modo como o colonialismo, a resistência anticolonial e a presença africana são transmitidos na memória coletiva, nos vestígios materiais e no espaço público das cidades portuárias de Lisboa e Hamburgo, dois antigos centros do colonialismo europeu.
O ‘website’, hoje lançado, está no centro do projeto e apresenta mapas das cidades de Lisboa e Hamburgo que criam novas percepções e novos estudos sobre lugares de memória e a colonialidade, assim como artigos sobre lugares de memória (pós)coloniais, mais ou menos evidentes, com abordagens que os contextualizam, analisam e acrescentam contra-narrativas ao processo de memorialização do espaço urbano, segundo a informação do Goethe-Institut.
A nova página “ReMapping Memories Lisboa – Hamburg” é bilingue (português-alemão) e inclui artigos, ensaios e reportagens produzidos por uma diversidade de agentes culturais, investigadores, ativistas, escritores e jornalistas.
Entre as primeiras publicações estão artigos do investigador Eduardo Ascensão, das escritoras Gisela Casimiro e Yara Monteiro, da jornalista e criadora do projecto Afrolink, Paula Cardoso, das investigadoras Filipa Lowndes Vicente, Helena Wakim Moreno e Sónia Vaz Borges, do escritor e conselheiro para a Cultura e Comunicação do Presidente da República de Cabo Verde Joaquim Arena e dos investigadores Afonso Dias Ramos e António Carmo Gouveia, entre outros.
Inclui também entrevistas a António Brito Guterres, Apolo de Carvalho, Ariana Furtado, Beatriz Gomes Dias, Cristina Roldão, Eduardo Ascensão, Elsa Peralta, Jean-Yves Loude, João Pedro George, José Eduardo Agualusa, Kiluanji Kia Henda, Luzia Gomes, Luzia Moniz, Mamadou Ba e Nuno Simão Gonçalves.
O projeto tem ainda uma forte componente visual com intervenções do artista Francisco Vidal e fotografias e vídeos de Rui Sérgio Afonso, complementados por imagens de arquivo. A seleção dos lugares de memória é feita por grupos de consultores em Lisboa e em Hamburgo, mas também em estreita troca com os autores.
“As pessoas afetadas pelas continuidades coloniais são um pilar central deste projeto, participando como artistas, conselheiros, autores e entrevistados. Também aqueles que há muitos anos problematizam os legados do colonialismo e praticam a resistência anticolonial no espaço público, fazendo um trabalho pioneiro e de investigação que muitas vezes não tem o devido reconhecimento, encontram o seu trabalho refletido neste projeto”, destaca o Goethe-Institut Portugal em comunicado.
Estes projetos e discussões mostram a “crescente consciência de que as cidades, tal como os museus e os arquivos, estão em processo de discussão de descolonização das suas representações e figurações, um tema que começa a ganhar cada vez mais destaque nas cidades europeias”.
É nessa medida que o projeto ReMapping Memories Lisboa – Hamburg pretende contribuir para esse esforço, através de um intercâmbio de ideias, já levado a cabo desde maio com ciclos de debates, o primeiro dedicados ao tema “Memorializar e Descolonalizar a Cidade (Pós)Colonial”, e o segundo ao tema “Como descolonizar as nossas cidades?”.
Escrito por TunetRádio
2021 Goethe-Institut ReMapping Memories Lisboa - Hamburg