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Exposição “Galho” inaugura novo espaço de arte no Porto

Escrito por em 24/09/2021

A exposição “Galho”, que junta a dupla Rita Castro Neves e Daniel Moreira a Xavier Paes, inaugura no sábado o espaço Neblina, um novo estúdio de Neves e Moreira no Porto, iniciando uma trilogia sobre o território português.

Esta mostra é “um encontro de criações de Daniel Moreira e Rita Castro Neves e Xavier Paes, a partir da experiência comum de residência artística na Escola de Macieira”, em São Pedro do Sul.

Inaugurada pelas 15:00 no novo espaço, na Rua D. Manuel II, no Porto, apresenta obras de desenho, fotografia, objetos “encontrados e recriados”, mas também “plantas, galhos e troncos”, com uma componente sonora e outra de performance, tudo a convocar “animais inexistentes, invisíveis e em desaparecimento, em paisagens familiares e desconhecidas”.

A ideia parte de “um posicionamento crítico sobre as condições de existência do e no território interior português, e das ameaças grandes e pequenas que partem da relação tensa entre natureza e civilização”.

A exposição serve também para lançar o projeto de Daniel Moreira e Rita Castro Neves intitulado “Era já ali e já era outra coisa”, uma trilogia de exposições e performance dedicadas ao território.

O projeto “é um ciclo de acontecimentos ou coisas que sob o tema do território português, e logo das suas ameaças, desafia ao encontro duas artistas visuais e uma dupla, e três artistas da área da performance”.

Após residências artísticas na Macieira, o ciclo chega à fase de apresentação ao público, primeiro com “Galho” e seguindo-se “Terra”, de Tânia Dinis e Rebecca Moradalizadeh, a partir de 06 de novembro, e por último “Poço”, de Maria Oliveira e Marta Ramos, a partir de 11 de dezembro.

Para já, depois da inauguração de “Galho”, patente até 30 de outubro, há uma performance de Xavier Paes marcada para as 18:00 de 30 de outubro, e a exposição pode ser visitada por marcação de quinta-feira a sábado no Neblina.

O novo espaço junta o ateliê da dupla a um conceito expositivo “intermitente”, que arranca com este ciclo e depois terá esporádica programação. Ao lado da porta de entrada do novo estúdio está uma vitrina, por cima de uma caixa de correio, que recebe, também a partir de sábado, um outro projeto de Daniel Moreira e Rita Castro Neves.

“Caixa de Correio” define-se como um projeto que explora a arte postal, aproveitando a vitrina para desafiar artistas a viver fora de Portugal para enviarem uma carta “com a obra dentro”. Tem de chegar completa e caber no exíguo espaço, para ser desdobrada e partilhada “com quem passa na rua”.

“A obra viaja, atravessa espaço, e quando chega, passa a estar numa montra. Assim que chega outra carta, muda-se a montra, mas cada carta fica pelo menos três semanas, ou mais – se não chegar mais nenhuma missiva. Dada a luz que bate na montra, a obra poderá degradar-se, desbotar, tornar-se menos visível, e na verdade essa ‘degradação’ ou ‘operação de mudanças’ interessa-nos. Tanto o viajar como o ficar quieto pode motivar mudança interior”, pode ler-se na apresentação.

A primeira carta, patente a partir de sábado, pertence a Fernando Marques Penteado, natural de São Paulo e a trabalhar a partir de Bruxelas, tendo já exposto a título individual nessas duas cidades, mas também em Lisboa e Los Angeles, além de participar em mostras coletivas em vários países, incluindo na Bienal de São Paulo de 2012.

Rita Castro Neves e Daniel Moreira recuperaram uma antiga escola primária em Macieira, no distrito de Viseu, e abriram o espaço a residências artísticas após a “paixão imediata pelo lugar e pela paisagem”. O projeto pode ser visitado em www.escolademacieira.com.


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