Sérgio Almeida lança “A Arte do Nada”

Escrito por em 31/07/2021

O jornalista Sérgio Almeida assina o livro “A Arte do Nada”, no qual traça um retrato satírico de um “certo Portugal” onde é comum “nada fazer e tudo reclamar”, mas que acredita estar cada vez mais ultrapassado.

“O livro nasceu um bocado do meu lado de cidadão, não só produtor de notícias, mas também consumidor, ao ver o que nos rodeia, a nossa falta de exigência, o nosso conformismo, e surgiu-me a ideia de, em jeito de sátira, acentuar esse traço, essa característica dos portugueses, para a arte de nada fazer e tudo reclamar”, afirmou o escritor à Lusa.

“A Arte do Nada”, com o subtítulo de “O Lastimoso Destino dos Besugos”, conta a história de um país de nome “Besugolândia”, onde a população tinha uma “expressão apalermada, em que sobressaíam os enormes e mortiços olhos ou os avantajados lábios inferiores que, no conjunto, davam a ideia de [se estar] diante de alguém espantosamente alienado”.

Donos de um “inconfundível cheiro pestilento”, com “maus modos”, avessos à aprendizagem e ao conhecimento, num país onde as bibliotecas se chamam “casas do sono”, o povo “Besugo” recorria à cabeçada para resolver as suas diferenças.

Liderados pelo intitulado “Mais Grande” líder La Fava, que surge também classificado como o “Dono Disto Tudo” e o “Estadista”, os besugos eram, apesar de tudo, seres “a modos que satisfeitos” com a vida.

“Portugal é muito mais do que isso. O Portugal que está aí, quero crer, é um país cada vez mais ultrapassado”, afirmou Sérgio Almeida, que escreveu o livro há três anos e o vê inserido numa tradição portuguesa, próxima do surrealismo, de sátira, da qual são exemplos “Dinossauro Excelentíssimo”, de José Cardoso Pires, e trabalhos de autores como Alberto Pimenta e Alexandre O’Neill, entre outros.

Apesar da “indignação” que esteve na base da escrita de “A Arte do Nada”, Sérgio Almeida vê sinais de esperança, a começar pelo facto de esses traços, que acabam exagerados e distorcidos na obra, serem cada vez mais distantes.

“Basta comparar os índices de desenvolvimento em Portugal pré-1974 com os atuais, portanto percorremos uma distância gigantesca e é precisamente por isso que devemos ser mais exigentes. Falta-nos esse sentido de exigência e isso reflete-se na nossa relação com o poder”, sublinhou o escritor, que tem publicados vários livros de contos e de poemas, bem como trabalhos para o público infantojuvenil.

Sérgio Almeida disse que já vários leitores lhe perguntaram se se inspirou em casos das suas respetivas cidades, ao que o autor respondeu “obviamente que não”, o que mostra alguma “universalidade” deste retrato, inclusive noutros países.

Jornalista desde 1998, Sérgio Almeida já foi distinguido pelo festival Escritaria e com o prémio internacional César Vallejo da União Hispanomundial de Escritores. O livro tem ilustrações de Inês Viegas, está em pré-venda no ‘site’ da editora Seda Publicações, e chega em breve ao mercado, estando por agendar apresentações presenciais, apontadas para setembro.


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