James Gunn arriscou “tudo” pelo sangue e comédia

Escrito por em 29/07/2021

O próximo grande filme da Warner Bros. Pictures, “O Esquadrão Suicida”, é fruto de um projeto arriscado do argumentista e realizador James Gunn, que sentiu “magia” durante todo o processo de produção e filmagens. 

“Não podia acreditar que comecei com uma ideia que se manteve estável desde o primeiro dia em que a apresentei à Warner”, disse o realizador, durante uma conferência de imprensa em Los Angeles. 

“Eu sabia que me estavam a dar uma quantidade enorme de liberdade num filme com um orçamento tão grande e senti uma grande responsabilidade de fazer o melhor que podia, mas também de correr riscos”, afirmou. “Este nível de filmes são os que as pessoas continuarão a ver no cinema, e se não correrem riscos e fizerem mudanças e tentarem coisas novas, as pessoas não irão às salas de cinema”. 

O filme, que sucede a “Esquadrão Suicida”, de David Ayer, de 2016, não é propriamente uma sequela e introduz bastantes personagens novos. James Gunn concebeu toda a história e os protagonistas para o filme que se antecipa ser um dos maiores ‘blockbusters’ do ano. 

“Senti-me grato, senti magia, tive um senso de propósito e quase de destino durante todo o tempo que levámos a fazer o filme”, caracterizou James Gunn. Além da atriz portuguesa Daniela Melchior como Ratcatcher 2, que é uma das supervilãs mais importantes desta produção, o novo “O Esquadrão Suicida” conta com um elenco de luxo, no qual se incluem, entre outros, Margot Robbie (Harley Quinn), Idris Elba (Bloodsport), John Cena (Peacemaker), Joel Kinnaman (Coronel Rick Flag), Viola Davis (Amanda Waller), Sylvester Stallone, que dá voz ao Tubarão-Rei, assim como a atriz brasileira Alice Braga (Sol Soria).

A maioria dos supervilões que compõem este novo esquadrão não são muito conhecidos, e isso foi de propósito. “Queria muito usar um personagem que fosse considerado um supervilão ‘fatela’”, disse James Gunn. “Pesquisei no Google qual era o vilão mais parvo de todos os tempos e apareceu o Polka-Dot Man no topo”, continuou, explicando como escolheu o personagem interpretado por David Dastmalchian. “Gosto de ratos, por isso a Ratcatcher 2, e escrevi Bloodsport para o Idris, porque queria trabalhar com ele”. 

Segundo Charles Roven e Peter Safran, produtores do filme, a ideia original de James Gunn nunca se alterou, e a Warner pouco ou nada mudou na sua visão. “O incrível é que houve uma escalada consistente do ‘Oh, meu Deus’”, disse Charles Roven. “Quando ouvimos a ideia e como o James queria executar o argumento, foi um constante subir do fator ‘uau’ e da dificuldade”. 

O filme é sangrento, explosivo, com muitas cenas de ação extrema, mas também momentos cómicos. O detalhe que Gunn imprimiu à sua ideia original tornou o trabalho muito claro para toda a gente, o que explica que não tenha sido necessário regravar cenas nem sequer fazer horas extraordinárias. 

“Quando James apresentou a ideia e disse que um dos principais personagens seria uma estrela-do-mar de 200 quilogramas, nada mais te surpreende”, gracejou Peter Safran. Nathan Fillion, que encarna T.D.K. no filme, salientou a natureza arriscada e quase absurda da obra. “Nunca vi uma pessoa como o James receber uma propriedade como esta e dizerem-lhe para fazer o que quiser com ela, por confiarem fiam nele”, afirmou.

Margot Robbie, uma das estrelas maiores desta aventura cinemática baseada na banda desenhada DC, disse na conferência de imprensa que a sua abordagem ao papel foi diferente desta vez. “Adorei interpretar a Harley nesta mentalidade de solteira e pronta para se misturar. Ainda não tinha interpretado essa versão dela”, disse a atriz. 

Também Joel Kinnaman regressou ao papel de Coronel Rick Flag após o filme de 2016, mas explicou que as coisas foram diferentes. “Fiquei muito contente por poder fazer esta nova versão do coronel, adicionar um pouco de comédia”, afirmou. “É a segunda vez que faço isto, mas senti que era a primeira. Decidimos que eu não seria limitado pelo que fiz no primeiro filme”. 

“O Esquadrão Suicida” é uma produção da DC Films, Atlas Entertainment/Peter Safran e Warner Bros. Pictures, com estreia marcada para as salas portuguesas de cinema a 5 de agosto.

Como Daniela Melchior se tornou estrela d’“O Esquadrão Suicida” do cineasta “génio”

A atriz portuguesa Daniela Melchior, que interpreta a personagem Ratcatcher 2 na nova megaprodução da Warner Bros., “O Esquadrão Suicida”, considera que o realizador James Gunn “é um génio” e espera poder voltar a interpretar a nova supervilã. 

“Trabalhar com o James Gunn foi uma experiência única”, disse a atriz, em entrevista à jornalista Ana Rita Guerra, da Lusa. “A partir da primeira vez que li o guião, aquilo que nós vemos no ecrã era o que estava escrito”, continuou. “Para mim ele é um génio, porque aquilo veio da cabeça dele para o papel e do papel diretamente para a tela”. 

Melchior deu vida a Deolinda em “Parque Mayer”, de António-Pedro Vasconcelos, e foi esse papel que lhe abriu as portas aos Estados Unidos, quando um agente em Hollywood viu o ‘trailer’ do filme e se interessou pela atriz. 

Escolhida como uma das protagonistas, Melchior contracenou com nomes grandes do cinema em “O Esquadrão Suicida”, incluindo Margot Robbie, Idris Elba, John Cena, Joel Kinnaman, Viola Davis e Alice Braga, entre outros. 

“Tive de fingir que não era a maior fã deles todos e que cada dia era mais um no trabalho, mas admirava-os muito”, indicou a atriz portuguesa, de 24 anos. A sua personagem Cleo Cazo/Ratcatcher 2 foi criada por James Gunn para este filme, que sucede ao “Esquadrão Suicida”, de David Ayer, de 2016, mas não é propriamente uma sequela. 

“Fiquei muito feliz por esta liberdade em que não tive de me colar a uma personagem já existente nos livros ou filmes”, explicou. “Foi interessante poder trabalhar nesta supervilã que está a começar e não sabe lutar nem fazer nada”, disse, apontando para o “grande coração” da personagem. 

“Senti que podia ser um bom ponto de partida, foi a primeira missão da Ratcatcher 2 e espero eu que não a última”. Sendo o seu primeiro filme em inglês e a primeira experiência de trabalho fora de Portugal, Daniela Melchior sentiu um grande apoio por parte dos outros atores e da equipa, sublinhando também que o ambiente de filmagens era “sempre a rir”. 

“Eu sentia que eles tinham compaixão e amizade para comigo, porque fui a única que estava a começar. Foi o meu primeiro filme em inglês, era a única que estava a viver fora do meu país”, afirmou. “Convidavam-me todos os fins de semana para as noites de jogo. Durante a semana o clima era de trabalho e iam-me dando dicas e ensinando coisinhas aqui e ali”. 

Além de ser uma personagem nova, que o público não conhece, Ratcatcher 2 terá um papel fundamental na ação do filme, projetando Daniela Melchior para o centro desta produção da DC Films, Atlas Entertainment/Peter Safran e Warner Bros. Pictures.

“Com esta experiência percebi que o dinheiro muda tudo, em todos os departamentos”, salientou Melchior. “No filme ‘The Suicide Squad’ não houve dias maus por falta de alguma coisa. Nunca faltava nada”, continuou. “E em Portugal sentimos isso, apesar de darmos o nosso melhor e conseguirmos fazer boas coisas com pouco”. 

Antes de mergulhar neste ‘blockbuster’, a atriz não se considerava uma fã do mundo dos super-heróis e nem sequer conhecia a maioria dos personagens escolhidos por James Gunn, apesar de ter visto o filme anterior. 

Agora tem as portas abertas para Hollywood e adiantou que não só vai passar o resto de 2021 a trabalhar, como já tem projetos também para o próximo ano. “Tenho uma equipa maravilhosa que está a fazer um trabalho excecional e a prova é que as hipóteses que eu tenho tido, não [são] porque tenho um ar latino, mas porque querem trabalhar comigo”, frisou. 

Sobre uma potencial mudança para Los Angeles, é algo que deixa em aberto. “O estilo de vida em LA é muito diferente, e mesmo a mentalidade das pessoas”, descreveu. “O que eu mais gosto de fazer na vida é trabalhar como atriz, é representar. Se fosse um requisito, mudava-me já amanhã”.


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