Mais de 30 espetáculos na Culturgest em 2021-2022

Escrito por em 15/07/2021

Mais de 30 espetáculos de música, teatro e dança, alguns em estreia, cinema, conferências e perto de uma dezena de novas exposições constroem a próxima temporada da Culturgest, hoje anunciada, assumindo um programa até ao verão de 2022.

Os coreógrafos Anne Teresa De Keersmaeker e Faustin Linyekula, que já protagonizaram edições da bienal Artista na Cidade de Lisboa, os encenadores Alexander Zeldin, Marco Martins, Nuno M. Cardoso e Martim Pedroso, os músicos Joana Gama, Norberto Lobo e Rui Reininho são alguns dos nomes anunciados pela Culturgest, para a programação de 2021-2022, que, nas artes visuais, prevê exposições dedicadas a Ângelo de Sousa e Tony Conrad, sem esquecer Samson Kambalu, recém-vencedor do prémio Quarto Plinto, de arte urbana.

Uma homenagem ao pianista e compositor Bernardo Sassetti, pelo pianista João Paulo Esteves da Silva, o contrabaixista Carlos Barretto e o baterista Alexandre Frazão, está agendada para dezembro, numa programação que conta ainda com o regresso dos festivais de cinema IndieLisboa, DocLisboa e que acolhe, pela primeira vez, o FEST – Novos Realizadores Novo Cinema, com uma retrospetiva da cineasta catalã Isabel Coixet. Ampla, uma nova mostra de cinema dedicado à acessibilidade também terá casa na Culturgest.

O MEXE – Encontro Internacional de Arte e Comunidade, promovido no Porto, chega pela primeira vez a Lisboa, via Culturgest, com filmes, atuações e a apresentação de um livro sobre práticas artísticas comunitárias.

Na dança, há três estreias, com duas criações de Vera Mantero (“O Susto é um Mundo”, em novembro, no âmbito do Alkantara Festival), e “O Limpo e o Sujo” (prevista para o ano passado, mas adiada para 2022) e de Sónia Baptista (“Wow”, em janeiro).

Anne Teresa De Keersmaeker, recém-vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva do Património Cultural, apresentar-se-á em Lisboa em janeiro e março, a solo e com a sua companhia Rosas, em duas coreografias recentes, ambas sobre a música de Johann Sebastian Bach.

A primeira, a apresentar na Fundação Calouste Gulbenkian, em janeiro, envolve as seis Suites para violoncelo solo, do mestre de Leipzig, interpretadas por Jean-Guihen Queyras. As suites serão dançadas por três bailarinos e três bailarinas, e pela própria De Keersmaeker, numa das suites. Intitulada “Mitten wir im Leben sind/Bach6Cellosuiten”, a obra apela ao salmo de Lutero “Em plena vida estamos”.

Keersmaeker regressará em março com a sua mais recente criação, concebida sobre as “Variações Goldberg”, que apresentará, na Culturgest. Trata-se de um solo, em que tem sido acompanhada pelo pianista Pavel Kolesnikov.

Outro destaque na dança é a presença do coreógrafo brasileiro Bruno Beltrão, que criou o Grupo de Rua, em Niterói, há mais de 20 anos, a partir do qual ultrapassou os limites da dança urbana e da expressão contemporânea, num percurso similar de inovação ao de William Forsythe, no bailado clássico, como destaca a Culturgest.

Depois de ter apresentado “Inoah”, em Lisboa, em 2018, Bruno Beltrão regressa em junho de 2022, com uma nova coreografia, em criação. No teatro, no próximo mês de setembro, estreia-se em Portugal “Love”, de Alexander Zeldin, do National Theatre do Reino Unido, um trabalho centrado “no destino das pessoas mais vulneráveis da sociedade”.

Em outubro, os Primeiros Sintomas apresentam “Fantasma da Ópera”, e Bruno Latour e Frédérique Aït-Touati põem em cena “Moving Earths” e “Worls Models”, que se traduzem numa ‘conferência-performance’ e num ‘workshop’, em parceria com a Bienal de Arte Contemporânea (BoCA).

Em novembro, será a vez de “Histoire(s) du Théâtre II”, de Faustin Linyekula, espetáculo integrado no festival Alkantara, revisitando o nascimento da nação congolesa. Marco Martins apresenta o seu novo projeto “Wild Heart”, em março, uma peça baseada no livro do fotógrafo Charles Freger, “Wilder Mann”, uma deambulação por universos do continente europeu.

O teatro documental da companhia Hotel Europa, que desta vez deu origem a “Amores de Leste”, estará em cena no próximo ano, em fevereiro, e a “Orgia”, de Pier Paolo Pasolini, com encenação de Nuno M. Cardoso, chega a palco em março.

“Monologue of a Dancer”, de Martim Pedroso, a partir da experiência da bailarina e coreógrafa Marlyn Ortiz, que trabalhou com artistas como Madonna e Taylor Swift, encerra as propostas de teatro da temporada, no mês de maio.

Na música, o baterista e compositor de jazz Pedro Melo Alves atua com o Omniae Large Ensemble (outubro), Norberto Lobo estreia ao vivo as músicas do seu novo álbum (novembro), e a pianista Joana Gama surge “em dose dupla”, primeiro com a antiga colaboradora do compositor John Cage Margaret Leng Tan, ainda este ano (novembro), depois com Luís Fernandes, para apresentação do novo projeto conjunto, em janeiro de 2022.

Em novembro deste ano, o compositor e regente Nuno Côrte-Real estreia “Tremor”, sobre poemas de Pedro Mexia, com a soprano Bárbara Barradas e o Ensemble Darcos. Além da homenagem a Bernardo Sassetti, a área de música conta ainda com o concerto de Rui Reininho, de apresentação do novo álbum, “20.000 Éguas Submarinas” (setembro).

O artista Samson Kambalu, que apresenta a primeira exposição em Portugal, abre o ciclo de artes visuais da nova temporada da Culturgest, em outubro, com “Freetown”. Presente em Lisboa, Kambalu dará uma conferência sobre o seu cinema e o “Nyau e o Situacionismo”, estabelecendo uma relação entre a prática cultural da sociedade do Malawi, com movimentos filosóficos e artísticos de origem europeia, como o Dadaísmo, o Surrealismo e o Situacionismo.

Com curadoria de Bruno Marchand, realizam-se também as primeiras exposições em Portugal de Daniel Dewar & Grégory Gicquel (janeiro a maio), com trabalhos de grande escala em madeira e mármore rosa português, e de Tony Conrad, nome da vanguarda norte-americana dos anos de 1960 que morreu em 2016, um dos ‘padrinhos’ dos The Velvet Underground. Também realizador e músico experimental, Conrad terá as suas diferentes facetas abordadas na retrospetiva a decorrer em Lisboa, de março a julho de 2022.

A Coleção CGD poderá ser revisitada nas galerias da Culturgest, em “O Pequeno Mundo” (outubro a dezembro), mostra com curadoria de Sérgio Mah. As histórias de Mattia Denisse, artista francês que se fixou em Lisboa, estão também anunciadas para os meses de junho a outubro do próximo ano.

No Porto, serão inaugurados os três últimos capítulos do projeto “Reação em Cadeia”, em parceria com a Fidelidade Arte, com exposições de Rodrigo Hernández (outubro a dezembro), Silvia Bächli (dezembro a março) e Ângelo de Sousa, nome maior da arte contemporânea portuguesa (março a maio).

Uma exposição do coletivo Berru, dos artistas Bernardo Bordalo, Mariana Vilanova, Rui Nó e Sérgio Coutinho, ficará patente ao longo do verão de 2022, de junho a setembro. Heranças coloniais, situacionismo e educação dominam o programa de conferências, de setembro a janeiro.

O encontro final do projeto “Memoirs – Filhos do Império e Pós-memórias Europeias” terá lugar em novembro, o mesmo mês em que “Situacionismos, Cinemas e Outras Histórias” mobilizam os investigadores Catarina Laranjeiro, Raquel Schefer e Ricardo Noronha, além do artista Samson Kambalu.

Na área da educação intervêm Álvaro Laborinho Lúcio, Ariana Furtado e Gabriela Trevisan (setembro). O antigo administrador da Culturgest Miguel Lobo Antunes regressará em dezembro, com a professora Maria Filomena Molder, para o lançamento de um livro sobre as conferências realizadas na instituição. A programação integral da temporada 2021-2022 da Culturgest está disponível em Culturgest.pt.

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