Kleber Mendonça denuncia “sabotagem” da cultura no Brasil

Escrito por em 15/07/2021

A “sabotagem” da Cultura pelo Governo brasileiro, presidido por Jair Bolsonaro, está a causar estragos no cinema do país, lamentou o realizador brasileiro Kleber Mendonça, em Cannes, onde é membro do júri para a seleção oficial.

Vencedor do Prémio do Júri em Cannes com “Bacurau”, em 2019, o próprio cineasta também esteve presente na seleção em 2016 com “Aquarius”. Na ocasião, aproveitou o tapete vermelho para protestar contra o processo de destituição contra a ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff, que classifica como “um golpe”.

“No Brasil temos uma sabotagem do sistema de apoio à Cultura. O apoio à Cultura faz parte da Constituição brasileira. Isso começou depois do golpe (…) e com a entrada desse Presidente (Bolsonaro, em 2019) as coisas ficaram ainda mais agressivas”, disse, em entrevista à agência France-Presse (AFP).

Denunciando os cortes no orçamento do setor, Mendonça deplora em particular o fechamento da Cinemateca de São Paulo há mais de um ano. “Nem sei como falar disso … É como se hoje o Brasil não tivesse acesso ao seu álbum de família. A Cinemateca não e só um depósito, é um lugar vivo com a memória do país”, disse.

“No Brasil temos 300.000 trabalhadores na Cultura. Eu conheço pessoas que estavam a sustentar-se com a cultura – iluminação, figurino – e hoje estão a trabalhar de Uber [motoristas]. É muito triste”, lamentou.

Questionado sobre o funcionamento dos nove membros do júri, sob a presidência do norte-americano Spike Lee, Mendonça explicou que se falava com ele “a cada dois dias, a cada lançamento de quatro ou cinco filmes”. “Spike Lee é um artista ciente de tudo e os diálogos que temos tido têm sido todos muito democráticos, francos e bem-humorados”, detalhou o brasileiro.


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