Teatro Infantil de Lisboa comemora 45 anos

Escrito por em 03/07/2021

A estreia, no teatro Armando Cortez, da peça “Feliz aniversário”, um texto original de Fernando Gomes, assinala as comemorações do 45.º aniversário do Teatro Infantil de Lisboa (TIL), sete meses depois da data.

“Tínhamos outros planos para os 45 anos do TIL. Tudo o que estava planeado, tudo o que estava pensado, teve de ser alterado, pelo forte impacto financeiro que [a pandemia] representou para a estrutura e, portanto, tivemos que nos reorganizar”, disse Maria João Vieira, atriz do TIL à jornalista Cláudia Páscoa, da Lusa.

“Feliz aniversário” é um espetáculo com cariz de itinerância, que o TIL pretende levar a várias localidades portuguesas e que foi preparado com cenografia e figurinos do acervo da companhia que foram recuperados e redesenhados.

Fazer teatro para a infância e juventude não é uma tarefa fácil nem tem sido fácil para o TIL, sobretudo porque o “teatro infantil é considerado um teatro menor”. “Tanto a nível de posicionamento na comunidade teatral e cultural como também dos próprios profissionais que o fazem”, acrescentou Maria João Vieira.

“Sempre foi muito difícil mostrar que o teatro infantil é tão importante como qualquer outra expressão artística e que não acreditamos em teatro para adultos e teatro para crianças”, referiu. Fazer teatro infantil é, por isso, um trabalho para o desenvolvimento “cultural e cívico para as gerações mais novas, que é extremamente importante”.

Para comemorarem os 45 anos, e longe de poderem apresentar uma grande produção como gostariam, convidaram o ator e encenador Fernando Gomes, que tem trabalhado com regularidade com o TIL desde 1990, a escrever um texto original.

“Gostaríamos de ter feito uma megaprodução, obviamente, para comemorar os 45 anos, mas, infelizmente, não nos é possível. Portanto, tivemos que juntar aqui as pecinhas todas e fazer um espetáculo dentro daquilo que era possível fazer, mas eu acho que, obviamente, sempre com o selo de qualidade do TIL”, frisou.

A pandemia de covid-19 tem também colocado alguns entraves ao TIL que deixou de poder representar peças para escolas. Em março de 2020, no início da pandemia, o TIL viu serem cancelados 40 espetáculos para estabelecimentos de ensino.

Por isso, os espetáculos do TIL – que mantém “Heidi” em cena, aos fins de semana, no Teatro Armando Cortez – só se realizam aos sábados e domingos. Questionada sobre se a companhia não pondera a edição de uma publicação sobre o TIL, Maria João Vieira disse que chegou a ser pensada para assinalarem os 40 anos, mas que tal não foi possível devido à crise financeira que Portugal atravessava na altura “que fez o TIL abanar muito”. E também não o é agora.

Sem apoios estatais – o TIL apenas recebeu uma verba pontual este ano da Direção-Geral das Artes -, “a grande preocupação” para a companhia foi sempre “manter os trabalhadores”. Isto porque trabalham com contratos de trabalho e não recorrem a recibos verdes, acrescentou Maria João Vieira.

Ter um teatro próprio é outra das vontades do TIL; que nunca o teve ao longo dos anos. Agradados e gratos por ocuparem, desde 2004, um espaço no teatro Armando Cortez, que lhes foi proporcionado pela APOIARTE, mas que é pago, o TIL gostava de vir a ter um espaço próprio, garantiu a atriz.

Com ou sem espaço próprio, com mais ou menos dificuldades, Maria João Vieira assegurou que o TIL continuará a desenvolver o trabalho que realiza há 45 anos. “O importante do TIL é todo um retrato geracional”, até porque tem um público fiel, na maioria de filhos e netos de pessoas que, quando jovens, assistiram a peças do TIL.

“Feliz aniversário” vai estar em cena aos sábados e domingos, no teatro Armando Cortez, podendo também, ser vista de terça a sexta-feira para grupos organizados. Aos domingos, também no Armando Cortez, o TIL tem em cena “Heidi – o musical”, que de terça a sexta-feira pode ser visto por grupos organizados.

“Feliz aniversário” é uma peça onde o público pode ver algumas personagens extraídas de outras histórias que foram convidadas para uma festa de aniversário. “Mas não se sabe como, quando nem porquê. O feliz acaso acaba por fazer parar o relógio e transforma-se numa mágica celebração da amizade. Porque importa saborear os momentos de partilha dos prazeres mais simples da vida. Tudo isto parece… extraordinariamente simples!”, lê-se na sinopse da peça.

A música e direção musical é de Quim Tó, a direção artística e os figurinos são do coletivo e a cenografia é de Kim Cachopo. A coreografia é de Maria Curado Ribeiro e Paulo Neto, o desenho de luz de Tiago Santos e a interpretar estão Henrique Macedo, Maria Curado Ribeiro, Marta Lopes Correia, Paulo Neto e Tiago de Almeida.


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