Festival de Teatro de Almagro celebra Portugal

Escrito por em 03/07/2021

O 44.º Festival de Teatro Clássico de Almagro, em Espanha, dá hoje início à celebração de Portugal como país convidado deste ano, com a apresentação de “E o tempo breve passarás em flores”, verso que é também lema do evento.

“Portugal apresentará uma amostra da sua história e ‘corpus’ cultural através do talento artístico contemporâneo. Durante o festival será possível identificar dois vetores essenciais: o de Portugal com os seus poetas e o de Espanha com a visão e o conhecimento dos versos portugueses no tempo da sua criação, ambos parte indispensável do ‘Siglo de Oro’. Uma época em que as companhias iam e vinham, dado que a mesma coroa governava os dois países, existindo uma unidade teatral e uma unidade de pensamento”, salientou, em comunicado, a Direção-Geral das Artes, que apoia esta edição do festival.

Com a colaboração artística e cultural entre Portugal e Espanha, o diretor do festival, Ignacio García, disse, aquando da apresentação, em Lisboa no fim de maio, querer desmentir o ditado português, segundo o qual “de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento”, e provar que é possível um “bom casamento” entre estes dois países vizinhos, neste “marco único de encontro entre artistas portugueses e espanhóis”.

No dia 7 de julho, o Teatro Nacional São João apresenta “Castro”, encenada por Nuno Cardoso, e nos dias 16 e 17, a Casa Palacio de los Villareal será palco para a “Embarcaçâo do inferno” (“Auto da Barca do Inferno”), de Gil Vicente, pela Escola da Noite e Centro Dramático de Évora.

Hoje, a Companhia de Teatro de Braga e o Centro Dramático Galego voltam a apresentar “A contenda dos labradores de Caldelas o Entremés famoso sobre a pesca do río Miño”, depois de terem levado a peça ao palco na sexta-feira.

Um concerto de Os músicos do Tejo encerra a parte portuguesa da programação, que inclui também um espetáculo por uma companhia espanhola, Nao D’amores, que interpretará “Nise, a tragédia de Inés de Castro”.

O programa de Portugal é completado com uma exposição de desenhos de “Mulheres do Século de Ouro”, do cenógrafo, arquiteto e intelectual do teatro português José Manuel Castanheira, autor também da imagem do cartaz da edição deste ano do festival, desenhada especialmente para o evento.

A presença portuguesa vai estar patente ainda no Encontro Ibérico de Diálogos, com a presença da Associação Portuguesa de Cenografia, um encontro que consiste numa série de palestras e numa instalação artística coletiva, que visa criar um espaço de reflexão, intercâmbio e ligação entre cenógrafos portugueses e espanhóis, figurinistas e diretores de palco que trabalharam no tema do Século de Ouro e do Barroco.

Além disso, as Jornadas de Teatro Clássico de Almagro decorrerão sob o tema “O Século de Ouro ibérico: Portugal e o Teatro Clássico Espanhol. Ao todo, o festival vai apresentar 84 espetáculos, entre os quais 11 estreias, sete das quais absolutas.

O programa de celebração de Portugal como país convidado tem abertura marcada para as 20:00 de hoje e contará com a presença da ministra da Cultura, Graça Fonseca, e do diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues.


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