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Companhia cria canal de streaming dedicado ao teatro

Escrito por em 31/05/2021

Uma nova plataforma portuguesa de streaming criada pela Companhia João Garcia Miguel, que disponibiliza espetáculos teatrais, bem como séries e filmes sobre o universo teatral, arranca na terça-feira online com uma série original intitulada “A vida é teatro, mamã”.

Este projeto, intitulado Flux tv, alojado em www.fluxtv.pt, surgiu “da necessidade de as artes performativas fazerem frente a toda a situação pandémica que se tem vindo a instalar desde o ano passado”, explicou à jornalista Ana Leiria, da Lusa, o coordenador do projeto, Roger Madureira.

Durante os confinamentos impostos pela pandemia, “toda a circulação de espetáculos parou, a venda de espetáculos baixou imenso, as fontes de receita são cada vez menores, mas o que nos preocupa mais é a questão da comunicação com os públicos, um trabalho feito em continuidade que, com a pandemia, veio cair por terra, todos os anos que investimos na construção destes públicos, caíram”, acrescentou.

Este canal vem “continuar a linguagem da companhia e dos artistas de artes performativas” no geral, porque, embora numa primeira fase a plataforma seja só para o universo da companhia, o objetivo, mais à frente, é “ampliar a abertura da plataforma para outros criativos teatrais, para que possam usá-la como ferramenta de trabalho”.

Uma das características diferenciadoras deste canal é o facto de ser feito para ser inclusivo e combater a “exclusão de pessoas com deficiência sensoriais dos conteúdos culturais, sejam audiovisuais ou teatrais”.

“Temos visto que a pandemia veio acentuar esta necessidade de se pensar nestas pessoas, surdos e cegos, que muitas vezes são excluídos de todos os conteúdos audiovisuais. As nossas séries e conteúdos, vão ser áudio descritos e traduzidos em língua gestual portuguesa”, explicou Roger Madureira.

Com subscrição gratuita – porque o objetivo primeiro é criar uma comunidade -, a Flux tv permite que qualquer utilizador crie uma conta, que passa a ser o seu perfil, que pode ser editado, criar uma lista de interesse em visualizações futuras, e convida a deixar comentários ou críticas, “importantes para fazer crescer a plataforma”.

As primeiras duas secções a serem lançadas na plataforma são a de séries originais, produzidas especificamente para o canal, e a de espetáculos, os “espetáculos completos da companhia gravados em multicâmara”, adiantou, especificando: “estamos a fazer a migração dos cerca de 50 espetáculos completos para a plataforma Flux tv”.

“Este ano, vai ainda ser lançado o conteúdo de formação ‘online’, com acompanhamento tutorial, gravado em multicâmara. São várias aulas dadas por vários criadores, com exemplos práticos, e cada aluno tem direito a ter uma secção de orientação tutorial”.

A série que marca o arranque do canal, “A vida é teatro, mamã”, escrita e criada pela própria intérprete, Sara Ribeiro, e pelo diretor, João Garcia, “retrata um universo de uma mãe artista neste período de confinamento e o que é toda a complexidade de ser mãe, mulher, neste tempo, e de continuar a ser artista, como é que o discurso também se adapta nestas questões. Pretende-se uma abordagem cómica, por vezes dramática, ao universo feminino”, revelou o responsável.

Vão ser lançados quatro episódios na primeira temporada, cada um com duração de 10 minutos, a serem apresentados semanalmente. “O primeiro episódio, excecionalmente, sai na terça-feira, mas os outros saem à quarta-feira, e estamos já a pensar numa segunda temporada”, adiantou.

Esta série, tal como os outros conteúdos que vão ficar disponíveis, são trabalhos que retratam os universos teatrais dos espetáculos da companhia. “Queremos criar uma linguagem nova para tentar traduzir teatro para cinema, teatro para filme. É uma lógica que estamos ainda a tentar descobrir como é que se faz. O teatro tem que conseguir subsistir nestes tempos que vivemos. Estamos a tentar construir uma linguagem teatral no audiovisual, que é uma coisa que não tem sido tratada com o devido rigor”, explicou.

A Flux tv, que nasce com o objetivo de ser “uma nova ferramenta de trabalho para as artes performativas que não dependa de outras plataformas já existentes”, é um projeto feito em parceria com o Teatro Ibérico, em Lisboa, onde a companhia está em permanência, e que conta com o apoio, através do Garantir Cultura, que é dado pelo Compete 2020 e pelo FEDER.

O investimento feito ronda os 50 mil euros – parte dos quais provem de capital próprio -, um valor inferior ao necessário para todo o projeto, disse Roger Madureira. “Contamos continuar a candidatar-nos a apoios que façam desenvolver este projeto e a criar parcerias estratégicas para captação de fundos, porque uma coisa que se torna bastante clara com o início da produção de um canal de produção teatral é que o que se despende para produzir quatro episódios de uma série é muito superior ao que nós despendemos para produzir o mesmo em espetáculo. Vamos mesmo ter que captar fundos e parcerias para que isto continue a crescer”.


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