Pintar dos Reis como património imaterial em consulta pública

Escrito por em 04/05/2021

A possível inscrição das tradições do “Pintar e Cantar dos Reis” no inventário do património cultural imaterial entrou hoje em consulta pública, segundo anúncio da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) publicado em Diário da República.

A consulta pública vai decorrer durante 30 dias e é destinada ao processo de decisão de inscrição do “Pintar e Cantar dos Reis” no inventário nacional do património cultura imaterial, para a qual a DGPC dispõe de 120 dias após o fim da consulta pública.

A candidatura foi apresentada em 2016 pela Câmara Municipal de Alenquer, o concelho do país onde essas tradições têm maior expressão e ainda subsistem, mas estão em risco por existirem menos grupos de pessoas aderentes.

Na noite de 5 para 6 de janeiro, cantam-se os reis de porta em todo o país. Contudo, em algumas terras do concelho de Alenquer, são também pintados nas paredes das casas símbolos e desejos de felicidades para o ano que começa.

Os reiseiros, o nome pelo qual são apelidados todos aqueles que fazem cumprir o ritual, dividem-se em dois grupos: o primeiro dos quais segue munido de lanternas, pincéis e tintas e marca o trajeto com pinturas, a vermelha e azul, de corações e vasos floridos, estrelas, símbolos de profissões – como uma balança ou um martelo – ou da sigla B.R., que quer dizer “Bons Reis”.

O segundo grupo, após o apontador cantar a solo, entoa melodias e deixa votos de felicidades para o ano novo. De acordo com o município, a tradição mantém-se viva em zonas como Catém, Casal Monteiro, Ota, Abrigada, Olhalvo, Pocariça, Mata e Penafirme, Cabanas de Torres e Paúla, cobrindo cerca de um terço da área do concelho.

Mas há memória de se terem pintado e cantado os Reis em Meca, Espiçandeira, Canados, Bogarréus, Fiandal, Bairro, Estribeiro, Valverde, Calçada, Pereiro, Aldeia Gavinha e Penedos. As tradições remontam às celebrações da Epifania do Oriente que chegaram à Europa no século IV e sofrem modificações dando origem a outro tipo de manifestações.

Na Península Ibérica o Dia de Reis começa a ser celebrado devido à chegada dos frades franciscanos e dominicanos ao território, sendo primeiro acolhidas no século XIII em Alenquer, no distrito de Lisboa.


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