Exposição sobre a Democracia junta 50 artistas plásticos

Escrito por em 15/04/2021

A exposição “A Democracia é uma obrigação de todos os dias”, que reúne obras de 50 escritores e artistas plásticos, é um dos destaques da Bienal Internacional de Arte de Vila Nova de Gaia, que arranca sábado.

Hoje, em declarações à jornalista Paula Teixeira, da Lusa, o curador da exposição, Valter Hugo Mãe, frisou que a iniciativa “não é só uma mostra de alguns trabalhos plásticos”, sendo sim “uma junção da força da palavra e da força da imagem”, uma vez que no mesmo espaço vão conviver textos de 25 autores, sobretudo poetas, e de 25 artistas plásticos.

“Há uma liberdade na escolha de cada poeta e na escolha de cada artista plástico que faz com que as obras resultem em sentidos distintos, não profundamente opostos, mas que se problematizam. Talvez se critiquem até uns aos outros e complementem-se”, descreveu Valter Hugo Mãe.

O escritor português acrescenta que “há poetas que abordaram o assunto de uma forma mais frontal, inclusive aceitando o lado de compromisso e há outros autores que procuraram levar o assunto para um lado mais ironista, mais abstrato, mais íntimo adquirindo nuances que são de uma visão menos, ou rigorosamente nada, panfletária”.

Quanto às obras plásticas, Valter Hugo Mãe explica que “umas são muito mais introspetivas, outras têm aspeto de coisa de rua”, considerando “curioso que exista até um trabalho que ironiza a importância da própria Democracia”.

“Fica a imagem de que a Democracia é uma definição por resolver. Há quem acredite que está a funcionar e quem não acredite que esteja a funcionar. Por isso creio que podemos ver ali aqueles que de algum modo trabalham esta realidade para a tornar efetiva e outros que acham que esta realidade não é possível, que não é possível chegarmos à Democracia a partir do que está a ser feito ou do que está a ser dito”, referiu.

Albuquerque Mendes, Ana Torrie, Beatriz Albuquerque, Carla Cabral, Catarina Esteves Brandão, César Taíbo, Esgar Acelerado, Fátima Mendonça, Filipa Morgado, Filipa Venâncio, Filipe Romão, Joana Ramalho, Joana Vinagre, João Alves, Luís Silveirinha, Miguel Carneiro, Miguel de Carvalho, Miguel Pipa, Paulo Ansiães Monteiro, Paulo Sérgio BEJu, René Tavares, Rui Silvares, Sama, Sofia Lomba e Susana Chiocca são os artistas escolhidos por Valter Hugo Mãe.

Já as narrativas e poemas são da autoria de Adolfo Luxúria Canibal, Ana Paula Inácio, Andreia C. Faria, André Tecedeiro, A. Pedro Ribeiro, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Emanuel Madalena, Helga Moreira, Isabel de Sá, João Gesta, João Habitualmente, João Paulo Esteves da Silva, João Peste, João Rios, Jorge Melícias, José Anjos, José Carlos Barros, José Rui Teixeira, Margarida Vale de Gato, Nuno F. Silva, Regina Guimarães, Renata Correia Botelho, Rui Almeida, Rui Lage e Valério Romão.

“Foi minha intenção convidar pessoas um pouco mais impertinentes, de circuitos menos formais. Chegar, em alguns dos casos, às figuras da contracultura que não são muito lembradas para eventos de contexto mais institucional”, descreveu Valter Hugo Mãe sobre uma exposição que se traduz “numa panorâmica de cartazes”, uma “espécie de procissão de protesto ou de reclamação”.

“A Democracia é uma obrigação de todos os dias” é uma das 13 exposições – num total de 500 artistas de 17 nacionalidades – que integram o cartaz da quarta edição da Bienal Internacional de Arte de Vila Nova de Gaia, concelho do distrito do Porto.

O evento estende-se até 10 de julho e decorre na antiga fiação de Crestuma, em Lever, local que já tinha acolhido a edição de 2019, mas este ano lhe oferece mais espaço – três pavilhões que totalizam seis mil metros quadrados – devido às medidas de contingência associadas à pandemia da covid-19.

E este ano, a pandemia do novo coronavírus é outro dos aspetos que marcam tanto a bienal como esta exposição quer ao nível temático, quer ao nível do funcionamento e da rotina do evento.

À Lusa, Valter Hugo Mãe admitiu que o tema do 25 de Abril não surgiu apenas pela proximidade e importância da data, mas porque “existe algum temor de que a pandemia possa suscitar alguma atração por sistemas mais totalitários, mais robustecidos ou musculados”. “Por isso foi intenção fazer uma apologia da Democracia”, resumiu.

Para o conseguir, garantindo “pluralidade e uma dispersão grande pelo país”, Valter Hugo Mãe conta que teve de se “entregar à angústia” de esperar pelos trabalhos via correio, “o que não é sempre muito pacifico porque as coisas perdem-se e atrasam-se”, nem “igual ao tempo em que as pessoas se encontravam mais”.

Com autores das Ilhas, do Sul, do Norte, como descreveu, o curador disse que “alguns nomes que não são óbvios, mas são fundamentais na problematização da arte contemporânea em Portugal”.

A quarta edição da Bienal Internacional de Arte de Vila Nova de Gaia, que pela primeira vez é apoiada pela Direção-Geral das Artes (DGArtes), é inaugurada sábado às 11:00, pelo diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, pela secretaria de Estado do Turismo, Rita Marques, pelo presidente da câmara local, Eduardo Vítor Rodrigues, e pelo diretor do evento, Agostinho Santos.


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