Catarina Sousa e Sérgio Tréfaut no festival É Tudo Verdade

Escrito por em 14/04/2021

Os filmes “Paraíso”, de Sérgio Tréfaut, e “Tracing Utopia”, de Catarina Sousa e Nick Tyson, integram o festival brasileiro de cinema É Tudo Verdade, dedicado ao documentário e que decorre online por causa da pandemia da covid-19.

“A seleção do É Tudo Verdade 2021 espelha como nem mesmo o mais nefasto dos vírus anula o poder do cinema”, afirma a direção do festival, que cumpre a 26.ª edição até domingo. Na competição internacional de longas e médias-metragens está “Paraíso”, documentário que Sérgio Tréfaut rodou no Brasil, onde nasceu em 1965 e viveu até à adolescência.

“Procurei reencontrar o que ficou de um país que eu guardava na memória. […] ‘Paraíso’ é o retrato de um Brasil que está desaparecendo”, explicou o realizador em nota de imprensa. O filme foi rodado no Rio de Janeiro, nos jardins do Palácio do Catete, atual Museu da República, pouco antes da pandemia da covid-19: “Até março de 2020, os jardins recebiam uma população idosa que se reunia todos os dias para cantar e partilhar seu amor pela vida”, refere Tréfaut.

Na competição de curtas-metragens está “Tracing Utopia”, da realizadora portuguesa Catarina de Sousa e do norte-americano Nick Tyson. Estreado em 2020 Festival Internacional de Cinema de Roterdão, nos Países Baixos, “Tracing Utopia” “retrata as aspirações” de uma comunidade de jovens ‘queer’ no bairro de Queens, em Nova Iorque, Estados Unidos.

Catarina de Sousa, jornalista, realizadora e produtora de cinema e artes visuais, foi artista residente no centro norte-americano UnionDocs, juntamente com Nick Tyson, onde nasce o projeto “Tracing Utopia”.

No festival É Tudo Verdade, sediado em São Paulo, mas desmaterializado este ano por causa da situação epidémica da covid-19 no país, é ainda prestada homenagem ao realizador Ruy Guerra, nascido em Moçambique e radicado no Brasil, e que cumpre 90 anos em agosto.

“Eternamente jovem, esteve na ponta de lança nacional e internacional do Cinema Novo, foi essencial no desenvolvimento do cinema da Moçambique afinal independente, inspirou cineastas em botão em escolas em Cuba e no Brasil, e continua expandindo as fronteiras do filme já em pleno século XXI”, sublinhou a direção do festival no texto de apresentação da programação.

De Ruy Guerra, que foi ativista contra o colonialismo português em Moçambique, o festival brasileiro escolheu duas obras que remetem para aquele país africano: “Mueda: Memória e Massacre” (1980) e “Os comprometidos: Atas de um processo de descolonização” (1984). Os filmes premiados do 26.º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários serão anunciados no domingo.


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