Morreu a professora e investigadora Filomena Barros

Escrito por em 11/03/2021

A professora da Universidade de Évora Maria Filomena Barros, especialista em estudos de Minoria Muçulmana e História Social Medieval, morreu na segunda-feira e o seu corpo foi hoje cremado, em Lisboa, divulgou a academia alentejana.

A docente morreu em Lisboa, de onde era natural, aos 62 anos, vítima de doença súbita, disse hoje à agência Lusa fonte do Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS) da Universidade de Évora (UÉ), onde Filomena Barros era também investigadora.

Numa nota de pesar distribuída à academia e divulgada hoje à Lusa, a reitora da UÉ, Ana Costa Freitas, realçou ter sido “com profunda consternação” que soube do falecimento da professora, que a todos “deixou de forma inesperada”.

Mas Maria Filomena Lopes Barros, nascida em Lisboa, a 23 de maio de 1958, “permanecerá na nossa memória”, frisou a reitora. “Foram cerca de vinte anos de convivência e de assinalável dedicação. Os muitos estudantes que tiveram o privilégio de beber dos seus ensinamentos, tal como nós, jamais a esquecerão”, assinalou Ana Costa Freitas.

E também “o seu legado para a Ciência, materializado na sua vasta obra científica nacional e internacional”, vai “ajudar a perpetuar a sua memória e a inscrever o seu nome na história desta universidade”, acrescentou.

Numa publicação na página de Internet do CIDEHUS, os seus colegas investigadores assinalam o falecimento de Filomena Barros, com um “até sempre!”, notando que a professora partiu “sem aviso”.

“A sua partida significa uma perda imensa para a História Medieval em Portugal, particularmente na problemática das minorias étnico religiosas, que acompanhou com paixão, sem algemas cronológicas, ao tratar também dos mouriscos, já em Quinhentos”, evocaram.

Considerando-a como “historiadora de corpo inteiro, de alma e coração”, o CIDEHUS indicou que “apostava na investigação comparativa, também da realidade judaica e das suas especificidades em Portugal”, e na “análise na questão das identidades (e seu dinamismo no tempo e nos espaços), sempre numa perspetiva plural, interrogando os testemunhos dessas comunidades”.

“Com um trabalho de projeção internacional, reconhecido por todos, a Filomena, que fazia parte do nosso quotidiano nos corredores da Universidade de Évora e que com a sua boa disposição contagiante nos fazia acreditar que sim, que vale a pena viver, investigar, trabalhar com os alunos, ter amigos e não apenas colegas, deixou-nos. E deixa-nos, no CIDEHUS, um vazio e uma saudade imensa”, lamentaram.

Licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Maria Filomena Barros tirou o mestrado em História Medieval pela Universidade do Porto e o doutoramento em História pela Universidade de Évora, onde depois passou a ser professora do Departamento de História, com duas áreas científicas principais de investigação: Minoria Muçulmana (períodos Medieval e Moderno) e História Social Medieval.


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