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Written by on 21/02/2021

Olhamos para a tecnologia com a esperança que nos ajude a sermos cada vez mais nós próprios, mas é a tecnologia que cada vez mais redesenha a forma como pensamos e sentimos.

Partilho, logo existo.

Partilho, logo não estou só.

É na vulnerabilidade e no silêncio que melhor nos conhecemos. Nas pausas dos discursos não editáveis que reside a essência do eu. “No silêncio entre as notas”, como dizia o Jobim.

Se nos entretermos como robots sociais, de cada vez que nos sentirmos sozinhos, não estaremos mais do que a fugir de nós mesmos.

Da solidão do que pensamos.

E do medo do que sentimos.

Deixaremos uma marca? Uma impressão rápida e fugaz? Um logótipo ou insígnia fugitivos?

Pela consciência da nossa vulnerabilidade e solidão abdicamos da liberdade para ficarmos presos a uma história que vincule a nossa existência.

Mas provavelmente não será a pior coisa.

Imaginar a identidade como uma edição de cartas que escrevemos à janela embaciada de um comboio que partiu há muito para se perder de vista.

“Phony people come to pray/

Look at all of them beg to stay”

(Filipa, 21.2.2021)


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