Câmara de Coimbra preserva antiga fonte com 900 anos

Escrito por em 04/02/2021

Uma fonte medieval associada à presença judaica em Coimbra e considerada a mais antiga infraestrutura pública de abastecimento de água na cidade foi hoje beneficiada com trabalhos de conservação e limpeza, anunciou a Câmara Municipal.

Remonta a 1137 a mais antiga referência escrita à Fonte Nova, na época conhecida como Fonte dos Judeus devido à sua proximidade da judiaria, situada na encosta sobranceira ao atual Mercado Municipal D. Pedro V.

Em comunicado, a autarquia presidida por Manuel Machado informa que “realizou hoje a manutenção da Fonte Nova, designadamente no que diz respeito ao sistema de drenagem”, e realça que se trata do fontenário público mais antigo da cidade, construído provavelmente no século XII, antes da fundação da nacionalidade.

“A designação de Fonte Nova surge após a remodelação de que é alvo em 1725, altura em que também é transferida para outro local próximo”, onde permaneceu até 1985, defronte do edifício da Manutenção Militar, tendo o executivo municipal liderado pelo empresário Fernando Luís Mendes Silva, um independente eleito pelo PS, em 1982, optado por nova deslocalização, desta vez para um espaço mais abaixo abandonado durante 50 anos.

As obras de reinstalação da Fonte Nova, na rua Olímpio Nicolau Fernandes, ao lado do edifício que acolheu o Comando Distrital da PSP (antigo celeiro do Mosteiro de Santa Cruz), incluíram a construção de umas escadas ligando a Baixa à zona de Montarroio, do lado oposto ao Jardim da Manga.

Cerca de 850 anos depois e “várias mudanças de localização, [a Fonte dos Judeus] chega ao seu atual local”, por iniciativa de Mendes Silva, tendo a “obra de enquadramento” ficado concluída em 1986, segundo a nota da Câmara Municipal.

A Fonte Nova está implantada, há 35 anos, entre a atual esquadra da PSP e a Escola Secundária Jaime Cortesão (antiga enfermaria dos frades Crúzios), no local onde durante séculos existiu a chamada Torre Sineira de Santa Cruz, que corria riscos de ruir e colapsou, com apoio dos bombeiros, no dia 3 de janeiro de 1935.

A última relocalização da Fonte Nova é contemporânea de obras de alindamento da cidade realizadas na mesma zona pela Câmara liderada por Mendes Silva, com destaque para vários painéis de azulejos de grandes dimensões que adornam a mesma artéria.

Estas obras de arte foram fixadas ao longo de um paredão, entre a Escola Jaime Cortesão e a Manutenção Militar, onde tinham até então sobrevivido pinturas murais de índole política do período após a revolução democrática do 25 de Abril de 1974.


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