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Fernando Vendrell recorda Cardoso Pires em “Sombras Brancas”

Escrito por em 21/11/2020

O realizador Fernando Vendrell está a rodar um filme sobre o escritor José Cardoso Pires, a partir do livro “De profundis, valsa lenta”, mas que se estende a todo o universo literário do autor.

“É uma biografia invulgar do escritor, referenciando muito o universo da escrita dele, até do universo visual, as amizades, as dificuldades que teve, a censura. Traço assim uma espécie de pórtico estranhíssimo. No filme, estamos na cabeça do escritor, onde memória, ficção e imaginário se misturam”, contou Fernando Vendrell à jornalista Sílvia Borges da Silva, da Lusa.

A rodagem de “Sombras Brancas”, que irá ainda prolongar-se por mais algumas semanas, teve filmagens em Lisboa, Costa da Caparica (Almada), Barreiro e Caldas da Rainha, com o ator Rui Morrison a encabeçar o elenco, assumindo o papel de José Cardoso Pires.

No filme entram ainda Rafael Gomes, enquanto José Cardoso Pires em jovem, Natália Luiza e Ana Lopes, enquanto Edite, a mulher do escritor, e Iris Cayatte e Raquel Rocha Vieira, as filhas.
Rogério Samora, Luís Mascarenhas, Luís Lucas, Maria João Bastos, Gonçalo Waddington e Soraia Chaves também participam no filme.

Com argumento co-escrito entre Vendrell e Rui Cardoso Martins, “Sombras Brancas” é também uma obra que pretende, no contexto do cinema português, “trabalhar temas do ponto de vista humano muito intensos e muito fortes”.

“O livro é uma obra muito ‘sui generis’ e é muito estudado cientificamente, porque há poucos relatos desse tipo de experiência e com o grau literário acutilante do escritor”, recorda Fernando Vendrell.

Em “De profundis, valsa lenta”, editado em 1997, José Cardoso Pires relata a experiência de um acidente vascular cerebral, que sofreu dois anos antes, as suas consequências e o processo de recuperação.

O livro conta com um prefácio do neurocirurgião João Lobo Antunes, que considera o relato de Cardoso Pires um testemunho singular, porque há escassa produção literária sobre acidentes vasculares cerebrais.

“Ele usou a memória como motor para a imaginação e conseguiu recuperar de forma mais rápida e intensa”, acrescentou Vendrell. Além da experiência hospitalar, e de recuperação física e mental, o filme cruza referências da vida de Cardoso Pires e do universo literário, marcado por obras como “O delfim” (1968), “Balada da praia dos cães” (1987) e “Alexandra Alpha” (1987).

José Cardoso Pires viria a morrer em outubro de 1998, pouco depois de completar 73 anos. De acordo com a produtora David & Golias, “Sombras Brancas” é também um projeto que “implica uma revisitação formal de um período clássico do cinema, dos anos 1950 a 1970, período em que se desfrutava de forma popular nas inúmeras salas de cinema uma arte socialmente libertária, seguida com idolatria e carismática ingenuidade”.

“Sombras Brancas” tem um orçamento de 1,1 milhões de euros, apoio financeiro do Instituto do Cinema e Audiovisual e é um projeto de Fernando Vendrell que anda a ser pensado e trabalhado desde 2012. Ainda que não tenha a montagem financeira do filme totalmente fechada, Fernando Vendrell espera estrear “Sombras Brancas” em 2021.

“É um filme que traz uma mensagem positiva, quase num sentido de renascer, e gostaria que o filme estreasse para o ano, numa altura em que estivéssemos também a recuperar desta pandemia”, disse.

Fernando Vendrell é autor de filmes como “Aparição” (2018), “Pele” (2006) e “O gotejar da luz” (2002) e das séries “Três mulheres” (2018), “O dia do regicídio” (2008) e “Bocage” (2006).
Como produtor assinou, entre outros, “Variações”, de João Maia, “Bobô”, de Inês Oliveira, e “Infância, Adolescência, Juventude”, de Rúben Gonçalves.


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