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Livro que estabelece cânone da literatura portuguesa destaca Camões e Pessoa

Escrito por em 14/10/2020

Um livro de crítica literária, que estabelece um cânone da literatura portuguesa, apresenta uma lista de cerca de 50 autores, entre os quais Fernando Pessoa e Luís de Camões, que abrem e fecham o livro, foi hoje apresentado.

“O Cânone” é um livro de ensaios, escritos principalmente pelos seus editores – António Feijó, João Figueiredo e Miguel Tamen -, que procura apontar aqueles que serão os grandes escritores que formam o cânone da literatura portuguesa.

Editado pela Tinta-da-China e pela Fundação Cupertino de Miranda, chega às livrarias no dia 16 de outubro, na mesma altura em que é inaugurada, em Vila Nova de Famalicão, a “torre literária”, um espaço museológico dedicado à literatura portuguesa, que é um projeto da fundação, com curadoria dos editores do livro.

Para este livro foram escolhidos cerca de 50 autores da literatura portuguesa, e sobre cada um deles há um ensaio literário encomendado a diferentes colaboradores, como é o caso de ensaístas, professores, investigadores Pedro Mexia, Fernando Cabral Martins, Joana Matos Frias ou Abel Barros Baptista, além de vários escritos pelos próprios editores.

A lista de escritores que formam o cânone foi mantida em segredo até à apresentação pública do livro, que decorreu hoje em Lisboa, numa sessão em direto, a partir das páginas de Facebook da Tinta-da-China e da Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, com Ricardo Araújo Pereira e os editores do livro.

Nesta obra, os autores aparecem por ordem alfabética, com duas exceções, que são aqueles que abrem e fecham o livro, e os únicos que merecem dois textos cada: Luís de Camões e Fernando Pessoa.
Os outros escritores selecionados foram Agustina Bessa-Luís, Alexandre Herculano, Alexandre O’Neill, Almada Negreiros, Almeida Garrett, Antero de Quental, António José da Silva, António Nobre, António Vieira, Aquilino Ribeiro, Bernardim Ribeiro, Bocage, Camilo Castelo Branco, Camilo Pessanha, Carlos de Oliveira, Cesário Verde, Dom Duarte e Eça de Queirós.

Figuram também os escritores Fernão Lopes, Fernão Mendes Pinto, Fiama Hasse Pais Brandão, Florbela Espanca, Frei Luís de Sousa, Gil Vicente, Gomes Leal, Herberto Helder, Irene Lisboa, João de Deus, Jorge de Sena, José Régio, José Rodrigues Miguéis, José Saramago e Júlio Dinis.

A terminar a lista dos grandes escritores que forma o cânone da literatura portuguesa estão Luiza Neto Jorge, Maria Judite de Carvalho, Mário Cesariny, Mário de Sá-Carneiro, Miguel Torga, Oliveira Martins, Raul Brandão, Ruben A., Ruy Belo, Sá de Miranda, Teixeira de Pascoais, As Três Marias (Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa) e Vitorino Nemésio.

Além dos ensaios sobre os autores, o livro compreende outros dedicados a temas ou movimentos como, por exemplo, críticos, prémios, Orpheu ou Barroco. Contudo, a editora destaca que “O Cânone” “não é um dicionário ou um guia neutro para a história da literatura portuguesa: é um livro de crítica literária para nos fazer pensar sobre a literatura portuguesa”.

O critério de escolha dos “grandes escritores” não é o consenso ou a votação popular, mas sim o facto de terem sempre leitores, mesmo que poucos, ao longo do tempo. “Os ensaios aqui incluídos não representam nenhum consenso. Representam as ideias dos seus autores e as suas opiniões, muitas vezes minoritárias”, explica a Tinta-da-China, sublinhando que neste livro se “encontrará muitas opiniões discordantes sobre muitos autores portugueses, muitas escolhas, muitas ideias, e muitos tons diferentes”.

O livro será novamente apresentado na quinta-feira, pela mesma via, mas desta vez a partir do Porto, numa sessão com Pedro Sobrado, Presidente do Conselho de Administração do Teatro Nacional São João.


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