Livro sobre últimos dias do Bairro do Aleixo lançado online

Escrito por a 01/10/2020

O fotógrafo David Gonçalves lançou hoje online o livro “Aleixo”, que retrata, em 104 páginas, os últimos dias deste “bairro condenado” de habitação social do Porto, antes conhecido como “o maior supermercado de droga do Norte do país”.

O autor explica, em comunicado, que a obra conta através das fotos “a história de um bairro condenado, de famílias abandonadas à sua sorte, numa luta travada contra os poderes camarários, as autoridades policiais e a especulação imobiliária”.

O Bairro do Aleixo era constituído por cinco torres, com 13 andares e uma localização privilegiada para o rio Douro e em 2011 a Câmara do Porto, liderada pelo executivo de Rui Rio, iniciou a demolição com a implosão da torre 5, num processo concluído cerca de nove anos depois.

“O principal argumento dado pelo executivo camarário é o tráfico de droga. Inserido num projeto político especial de investimento público/privado, a Câmara Municipal do Porto entrega os terrenos ao Fundo Imobiliário Invesurb para a construção de habitações de luxo”, refere David Gonçalves.

Segundo o autor, “o longo processo deixou o bairro oprimido num inferno visível de putrescência viva, exposto ao olhar de todos. Com o bairro condenado ao fim, as torres degradam-se, os elevadores danificados, os residentes testemunham há anos a renúncia compulsiva do Estado”.

Em 2013, no último mandato de Rui Rio como presidente da Câmara do Porto, foi demolida a torre 4. O processo de desmontagem das três torres restantes arrancou em junho de 2019, tendo ficado concluído ainda antes do cronograma definido, que apontava o fim dos trabalhos para o mês de dezembro.

O livro “Aleixo”, com um custo de 20 euros, está disponível para aquisição no site https://davidgoncalves.site/store. David Gonçalves é mestre em Crítica, Curadoria e Teorias da Arte, pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Atualmente, frequenta o doutoramento em Ciências da Arte.

Desempenha a sua atividade fotográfica desde 2013, tendo realizado diversas exposições individuais e coletivas. A sua última exposição individual, “Umbra” (2018) esteve patente ao público no Espaço AZ (Lisboa) e no Museu Municipal Carlos Reis (Torres Novas).


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