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Pablo Fidalgo ‘leva’ guerra e anarquia ao Teatro do Bairro Alto

Escrito por em 30/12/2019

O encenador galego Pablo Fidalgo Lareo vai apresentar duas peças no Teatro do Bairro Alto (TBA), em Lisboa, em janeiro, que mergulham na história da Espanha, abordando a vivência da anarquia e da guerra civil.

O espetáculo “Anarquismos”, nova criação que teve estreia nacional no Teatro Municipal Rivoli, no Porto, em janeiro deste ano, explora a história anarquista em Espanha, e estará no palco do TBA a 9, 10, 11 e 12 de janeiro.

Será também apresentada a peça “Habrás de ir a la guerra que empieza hoy”, interpretada por Cláudio da Silva, sobre a história do tio-avô do encenador, que foi preso durante a Guerra Civil de Espanha, e que será apresentada a 16, 17 e 18 de janeiro. A 18 de janeiro está prevista a áudio-descrição e interpretação em Língua Gestual Portuguesa.

A produção de “Anarquismos” foi criada com várias parcerias portuguesas, e alia uma reflexão histórica sobre a anarquia à história pessoal do criador.

A partir de três jovens estudantes de teatro que moram num bairro de Madrid no verão de 2005, e das suas conversas sobre um quarto membro que se encontra desaparecido, são reveladas “as dificuldades e o quotidiano destes quatro jovens que tentam inventar um outro mundo, um sistema e uma forma de criar própria e única”, pode ler-se na apresentação do espetáculo.

Em 2015, Pablo Fidalgo Lareo apresentou no Teatro Municipal Maria Matos “Habrás de ir a la guerra que empieza hoy”, sobre a Guerra Civil espanhola, e em “Anarquismos” volta a mergulhar na história do seu país, combinando-a com uma experiência pessoal.

A vida que fez em comunidade durante oito anos ajudou à construção da ideologia política e visão sobre a criação e relações sociais, sobrepondo esses conceitos à história da anarquia em Espanha, que é “bastante desconhecida” fora das fronteiras espanholas.

O lado poético do regresso aos “referentes anarquistas e a essas experiências de vida que foram apagadas pela História oficial” interessaram o encenador, que aí vê “umas ideias ainda muito fortes”.

O texto e direção artística de “Anarquismos” são de Lareo, e a interpretação é de Rocío Berenguer, Ángela Millano e Cláudio da Silva. O espetáculo estreou-se a 23 de outubro de 2018, no festival BAD, em Bilbau, Espanha, e já passou também por Santiago de Compostela, Madrid e Paris, no Théâtre de la Ville.

Nascido em Vigo em 1984, Pablo Fidalgo Lareo tem mantido uma relação próxima com Portugal, vivendo e trabalhando em Lisboa, e colaborando com vários artistas e estruturas portuguesa, como no projeto PANOS, da Culturgest, com a peça “Só há uma vida e nela quero ter tempo para construir-me e destruir-me”.

Com direção de produção da estrutura portuguesa O Rumo do Fumo, a peça conta com vários coprodutores, entre os quais o Teatro Municipal do Porto e o Maria Matos Teatro Municipal, além de várias instituições espanholas e francesas, e de outros apoios de vários países.


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